Lista de Poemas
Lundum de Cantigas Vagas [Xarapim eu bem estava
Alegre nest'aleluia,
Mas para fazer-me triste
Veio Amor dar-me na cuia.
Não sabe meu Xarapim
O que amor me faz passar,
Anda por dentro de mim
De noite, e dia a ralar.
Meu Xarapim já não posso
Aturar mais tanta arenga,
O meu gênio deu à casca
Metido nesta moenga.
Amor comigo é tirano
Mostra-me um modo bem cru,
Tem-me mexido as entranhas
Qu'estou todo feito angu.
Se visse o meu coração
Por força havia ter dó,
Por que o Amor o tem posto
Mais mole que quingombó.
Tem nhanhá certo nhonhó,
Não temo que me desbanque,
Porque eu sou calda de açúcar
E ele apenas mel do tanque.
Nhanhá cheia de chulices
Que tantos quindins afeta,
Queima tanto a quem a adora
Como queima a malagueta.
Xarapim tome o exemplo
Dos casos que vêm em mim,
Que se amar há-de lembrar-se
Do que diz seu Xarapim.
Estribilho
Tenha compaixão
Tenha dó de mim,
Porqu'eu lho mereço
Sou seu Xarapim.
Publicado no livro Viola de Lereno: coleção das suas cantigas, oferecidas aos seus amigos (1826).
In: BARBOSA, Caldas. Viola de Lereno. Pref. Francisco de Assis Barbosa. Rio de Janeiro: INL, 1944. 2v. (Biblioteca popular brasileira, 14, 15)
NOTA: Xarapim: o mesmo que xará. Aleluia: alegria, bem-estar. Cuia: no texto, cabeça. Arenga: disputa, atrito (sentido popular). Dar à casca: morrer, perder tudo, arruinar-se. Moenga: moenda. Angu: massa de farinha de milho (fubá), de mandioca ou de arroz, com água e sal, escaldada ao fogo. Quingombó: do quimbundo "Kingombo", quiabo. Nhanhá: tratamento dado às meninas e às moças pelos escravos. Nhonhó: tratamento dado aos senhores pelos escravos. Chulice: de chulo; no texto, graças, malícias. Quindins: dengues, meiguices, encanto
A Ternura Brasileira
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
Doçura de Amor
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
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Ninguém Morra de Ciúme | 14. Ninguém Morra de Ciúme (Domingos Caldas Barbosa - 1740-1800)
Triste Lereno, Domingos Caldas Barbosa
Ninguém morra de ciúmes – Domingos Caldas Barbosa (1740-1800)
Os Me Deixas Que Tu Dás (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
CUPIDO É LOUCO - Modinhas Inéditas de Domingos Caldas Barbosa
Sinto-me Aflita (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Os Me Deixas Que Tu Dás (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Eu Nasci Sem Coração (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Pelo Amor de Deus (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Lilia, oh Lilia (minueto) de Lereno (Domingos Caldas Barbosa). Música de Rubens Russomanno Ricciardi
Não Pode a Longa Distância (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Pelo Amor de Deus (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
A Minha Nerina (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Estas Lágrimas Sentidas (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Sinto-me Aflita (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
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LINHA DO TEMPO 4 DOMINGOS CALDAS BARBOSA IVANALDO
Tristemente A Vida Passa (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Não Pode a Longa Distância (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
A Minha Nerina (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Homens Errados e Loucos (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Homens Errados e Loucos (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Os Desprezos de Meu Bem (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Caldas Barbosa - Melodias e Redondilhas
Por Desabafar Saudades (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Tristemente a Vida Passa (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
A doença Domingos Caldas Barbosa
Lilia oh Lilia - Minueto de Lereno (1798). Música de Rubens Russomanno. Mezzo-soprano Luna Previatti
Estas Lágrimas Sentidas (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Quem Ama Para Agravar (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Ganinha, Minha Ganinha (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Quadro Antiquo - Os meus olhos e os teus olhos- Antonio Leal Moreira/Domingos Caldas Barbosa
Minha Mana Estou Gostando (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
Os Desprezos de Meu Bem (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa, 1738/40?-1800)
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Vidinha Adeus (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
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Quem Ama Para Agravar (anônimo, atribuído a Domingos Caldas Barbosa , 1738/40?-1800)
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