Escritas

Lista de Poemas

O Sol nasce a Oriente

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos la'bios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialecto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onc,a posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a danc,a prometida do sol
nascer um dia a Oriente
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África

É neste silêncio neste assalto do vento a
navegar a floresta neste sol neste amor
neste vegetal cobrir-me de verde e ser
catana cerce a executar o ânimo
afagar as mulheres no regresso da lavra
fazer das mãos a festa sonora do sexo
na cultivação do milho

É neste grito rente ao corpo frágil das
folhas que mais em ti me venço e
moro nas grandes batalhas da vida
no extenso vale das nossas angústias
no duelo cíclico das nossas intenções
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Espera

Existo acento de palavra, carapinha
recordação áspera de monandengue,
mapa de conversas na visitação da lua,
grávida luena sentada no verso da fome.

aqui esqueço África, permaneço
rente ao tiroteio dialecto das mulheres
negras, pasmadas na superfície do medo
que bate oblíquo no quimbo quebrado.

num gabinete da Europa, dois geógrafos
vão assinalar a estranha posição
dum poeta cruzado na esperança morosa
das palavras africanas aguardarem acento.
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Ngaieta de beiço

Cantarei
as tuas coxas
entre (o pano) abertas, o clamor
da

minha língua (em guarda).

O oiro
o mel
o silêncio cúmplice

a arca da tua boca
magra.

Por que ardem as fontes
no auge
da alegria?

Eros (em chamas) ousasse
gota
a
gota
um rumor
de cal
aflita.

Tu tem ngaieta de beiço
morro damor lá

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Que outro nome

Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce

e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.

Liberdade.

Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem

de moscardo zumbias: Ngola

nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.

Liberdade.

Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.

Liberdade.

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Comentários (1)

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lurdes
lurdes
2022-02-03

gostaria de obeter alguma informação com relaçao o livro de cronica do ghetto