Escritas

Lista de Poemas

Cora Coralina

Minha doce Ana
humildade que encanta
das suas mãos
a doce profissão.

Transformou a doçura em palavras
e palavras em poesia
e poesia em sentimentos
e sentimentos em pessoas.

Sem se importar com gramáticas
com escolas literárias
priorizou a mensagem
para a forma virar simplicidade.

Dos becos históricos de Goiás
o cotidiano da nossa gente
canônica eternamente
doceira das palavras.

Leva o Prêmio Juca Pato
com o carinho da sua gente
Ana, Aninha
nossa doce Cora Coralina.
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Drummond

Tentei desvendar o poeta de sete faces.
Um anjo torto desses da vida
Me disse que era apenas um gauche.
E agora, Drummond?
O que devo pensar?
O tempo acabou?

Ora, ora... abaixo ao protocolo desse anjo errante.
Dei por mim com um professor pensante
Com um redator importante
Com um editor desafiante
Com um funcionário público inquietante
Cheio desta vida burocrática delirante.

Nosso eterno protestante lírico
Abraço nosso poeta do sentimento do mundo
Da imensa liberdade linguística
Do amável verso e metro livres
Das dolorosas temáticas cotidianas
Da linguagem humilde do tempo presente.

Da nossa vida presente
Seguro o amor, a paixão e a morte
Retorno da festa com as luzes apagadas
Fica a poesia irônica, a social, a metafísica e a erótica.
E agora, Drummond?
Andemos de mãos dadas.
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Vinicius de Moraes

Dá-lhe poetinha
não temendo essa vidinha
cheio de amores
sem problemas com pudores
sem arrependimentos
uma viagem de casamentos.

Sedutor da palavra
Escritor que lavra
Apreciador de lirismos
Vida sem modismos
Conquistador de sentimentos
Encantador de pensamentos.

Amante da arte
Diplomata aparte
Dramaturgo e jornalista
Compositor e poeta,
Boêmio de sonetos
Fumante de intentos.

Vivendo sob a paixão
Tudo com muita emoção
Toma uísque de flores
Aprende com as dores
Eterno em todos momentos
Efêmero nos sofrimentos.

Realiza uma doce mistura
De teatro, cinema, música e literatura
De nada afeta
Caminha entre o mistério, a paixão e a morte
Ele sim foi poeta,
Sonhou e amou na sua vida apaixonante!
👁️ 444

Terra prometida

Lentamente gotas caem...
Caminho incerto.
Chuva ?
Sofrimento.

Ó lágrimas! Lágrimas solitárias!
Deserto infinito.
Fuga!
Labirinto.

Ó sal! Sal dos mórbidos!
Lábios...
Há tempo selados.
Mortos.

Ó lágrimas salgadas!
Corpo oco.
Lugar sem vidas.
Martírio.

Ó coração seco!
Que não temes mais a seca.
Da chuva não se escuta o eco.
Alimenta-se da busca pela terra: esperança.
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Mario Quintana

Desde a infância
conheceu a dor e a solidão:
a perda de seus pais.

As primeiras produções literárias
no âmbito de um colégio militar
trabalhando para editoras
e na farmácia de seu pai.

Sem casamento, sem filhos
solitário
vivendo em hotéis.

Poeta das coisas simples
dono de uma bela ironia
com profundidade e perfeição técnica
apresenta poemas e frases brilhantes.

Jornalista em quase toda sua vida
tradutor de diversos clássicos de literatura universal
faz sucesso já no primeiro livro.

Das suas poesias os prêmios
as participações em antologias
e em diversos livros escolares
mas em vão tenta entrar na academia.

Saudado pelos poetas,
critica a política na academia
rapidamente os ponteiros passam
então dorme com sapatos.
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O trem

Pensei nisso hoje
mas bem lembro
ter pensado isso antes
bem antes
bem depois
de ver o trem
o trem passando
divagando
respirando
a ida
a vida
das nuvens
dos ares
das aves
abaixo
o trem
vem
rosnando
detonando
os ventos
queridos
deixados
achados
vem
outrem
no trem
no ruído
doído
da minha alma
a minha calma
nos olhos
fechados
o trem
vem!
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Cecília Meireles

Mortes, perdas, tristezas
Uma vida de incertezas
Com o efêmero e com o eterno.

Do silêncio e da solidão a infância
O mundo fantástico dos livros
A fuga, a busca, a imaginação.

Do encontro dos dois mundos
Cria a consciência e a sensibilidade
Da real transitoriedade de toda a compreensão da vida e da humanidade.

Aprende a maturidade e a individualidade
Com muita distinção e louvor foi professora, pedagoga, jornalista e pintora
Entre línguas, literaturas, músicas, folclores e teorias de educação.

Na literatura a sua infância, suas viagens e situações circunstanciais
Eleva-se na poesia primitiva
Que poesias! Puras, belas e verdadeiras.

Pungente de lirismo transfigurador
E terno de lirismo espontâneo
Simples sonetos de complexos simbolismos
Impregnados das pessoas, dos costumes e dos idiomas.

Uma poesia atemporal
A procura pela musicalidade
Deixa o doce encanto
Do mistério do canto das poesias
A vaga existência e a razão do ser humano.
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Patativa do Assaré

Dentre o cultivo de terras
surge o poeta do Ceará
de seus envolventes repentes
o maravilhoso desafio do improviso
o casamento da poesia e da música
o delicioso canto de criação de versos.

Ó ave Patativa
que beleza de canto, de poesia
de fineza, de melodia
de uma oralidade marcante
cheia de significações e sensações.

Entre a voz e a entonação
as pausas
entre o ritmo e o pigarro
a expressão
com perfeição sua ironia, veemência e hesitação.

De sonetos clássicos
à décima e a sextilha nordestina
ora linguagem culta
ora linguagem do dia a dia
emerge a poesia matuta.

Antônio Gonçalves da Silva
agricultor, improvisador
compositor, cantor
poeta popular
nossa ave brasileira.
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