Colombina

Colombina

1882–1963 · viveu 80 anos BR BR

Colombina foi uma figura singular no cenário literário brasileiro, atuando como poeta, escritora e performer. Sua obra é caracterizada pela experimentação, pela transgressão de normas sociais e estéticas, e por uma forte carga de subjetividade e crítica social. Associada a movimentos de vanguarda, Colombina buscou romper com as convenções, explorando novas formas de expressão que incluíam a performance e a intervenção artística. Sua poesia é um reflexo de sua busca por autenticidade e de sua contestação ao status quo.

n. 1882-05-26, São Paulo · m. 1963-03-14, São Paulo

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Posse

Abrindo o meu roupão de seda malva,
deslumbrado, contemplas a nudez,
magnífica da minha carne alva,
pela primeira vez.

Enlaçam-me os teus braços loucamente
e os teus lábios macios e sensuais
vão, no meu corpo — que é uma pira ardente —
deixando seus sinais.

Teus dedos, numa escala volutuosa,
percorrem-me as espáduas. Com ardor
une-se à minha a tua boca ansiosa
de amar com muito amor!

Oferenda de gozo aos teus anseios
(que, pálido e ofegante, à luz expões),
magnólias de luar meus brancos seios
te entregam seus botões.

E os róseos guizos, duros, empinados
pela lascívia, sugas com avidez...
Sou toda tua; teu, os meus pecados,
pela primeira vez!


Publicado no livro Rapsódia rubra: poemas à carne (1961).

In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987, p.33-10
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Poemas

11

A Estátua

Impecável na forma, esplêndida na alvura
do mármore sem jaça, era mais que divina!
Inspirado, a criara um mestre da escultura
dessa eterna e genial península apenina.

Num museu de além-mar, um dia (peregrina
que, viajando, esquecer um grande mal procura),
pude ver e admirar, sob a luz matutina,
a extrema perfeição de sua formosura.

Não invejei, porém, sua beleza rara.
que, no mármore puro e rijo de Carrara,
se ostentava integral, magnífica e desnuda.

Quisera apenas ter igual serenidade
e contemplar o mundo, a vida, a humanidade,
num pedestal de bronze, indiferente e muda!


Publicado no livro Distância: poemas de amor e de renúncia (1948). Poema integrante da série Luzes na Neblina.

In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987. p.33-10
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