Lista de Poemas
O TAPETE DE DEUS
A natureza é um manto costurado pelas mãos de Deus, para enfeitar o jardim da criação.
O Homem, (também criado por Deus), seria a peça chave designado para CUIDAR e proteger com toda sua dedicação, a esse vasto tapete ornado de cores tantas em sua vegetação sublime, onde várias vidas por aqui habitada.
Fauna e flora, rios e cachoeiras abundantes riquezas minerais, vegetais e o animal do homem, nao entendeu que ele estava ali para cuidar de Tudo, e principalmente dos outros animais, estes chamados de irracionais.
Mas o homem, movido pela desobediência e ambição percebeu que desmaiando a mata e matando os animais, tornar-se-ia rico, abastado e poderoso.
Deus? NAO! Deus nao faria mais parte das suas ações, e nao seria mais necessário obedece-lo.
Assim, com o avanço do tempo, foram sumindo árvores frondosas, pássaros raros, rios e cachoeiras conheceram o mercúrio com o poder das bombas que rasgavam a terra e nos leitos dos rios procuravam pedras que brilhassem, e que muito valor tivesse no mercado.
Brancos arrogantes, faziam fortunas no mercado negro.
Negro, porque negro se eram os brancos que de forma desumana tingia de várias cores o jardim que Deus plantara e a este entregara sob recomendações de cuidados?
Araucárias, jequitibás, sucupiras, mognos, Cedros, aroeira, até onde a Lei (amparada numa justiça que se diz cega) ajudou destruir tantas madeiras de lei?
De quem é a terra? De Deus e dos bichos, mas o homem aprendeu fazer arame, cercou o quanto quis, queimou o resto, e tem por seu o que nunca lhe pertenceu.
DEUS? NÃO! No mundo quase destruido pelo homem, eles dizem que o Criador de tudo, nao é mais dono de nada.
Assim pensam eles. Deixe-mo-los que assim pensem, pois hão de prestar contas de tudo e por tudo, no momento que se fizer necessário.
Mas isso, só o dono de todo esse tapete, saberá agir no justo momento, onde nao mais cairá em vão uma árvore e nenhuma vida mais será ceifada.
Carlos Silva..
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EMBALANDO UMA TARDE TRISTE
Toda tarde é triste. Por si só, ela (à tarde) traz um retrato diferente do que as outras fases do dia e nos força lembrar coisas tão nossas que nos sentimos meninos jogando bola, brincando de bolinha de gude, de pega pega. As peraltices na escola, a merenda, o recreio, as meninas de saias curtas de cor azul e de blusa ou camiseta branca com sapatos pretos, cabelos bem arrumados, cheirosas e convidativas ao galanteio, ao cortejo, ao interesse de namoro. Às vezes dava certo e noutras não.
Mas a infância ou a pré adolescência é algo mágico, pintado pela emoção dos momentos vividos e divididos de formas iguais, tipo assim, sem medo, sem culpa, e sem responsabilidade. A praça pequena da cidade pequena cercada de sonhos grandes, de gente grande e de passos lentos de todos em busca simplesmente do viver,
O cheiro de pão, ahh o cheiro de pão de forno a lenha se espalhava pela cidade, e quando ele invadia minhas narinas, eu já me preparava para ouvir a sonoridade tão doce (De onde estivesse) da voz da minha mãe me chamar para ir á padaria comprar o tão delicioso e sagrado pão da tarde.
Não, naquela época, eu não via à tarde triste, pois eu era jovem, corria, brincava, soltava pipa, tomava banho no tanque grande e chupava mangas no sitio de Dona Fia, que ainda dizia: Levem algumas para sua mãe.
A vida era assim, não se cobrava pelas frutas (mangas, bananas, Laranjas, goiabas) na comunidade, tudo era uma fartura. Milho, feijão, abobora batata, o povo tinha prazer em dizer: Leve para a comadre.
Hoje, movido pelo balanço da rede no meu quintal, posso (na minha imaginação) montar essas imagens e outras tantas que vivi, onde ser feliz, era uma obrigação cotidiana e o preço, a pagar, era a satisfação de ser o que éramos sem precisar ser o que querem que sejamos.
As cobranças cresceram comigo e hoje sou o que meu pai foi: Um pai zeloso e preocupado se o dinheiro que tenho no bolso dará para comprar meia dúzia de pães de forno elétrico, com massa preparada com tanta química que deixa o pão inchado por fora e oco por dentro, igual cabeça de muitos Homens do poder.
Meu riso nem sempre é como um dia fora. Meus pensamentos cresceram junto comigo a ponto de sentir medo de saber de fato o que sou o que quero, ou para onde vou depois que terminar esses meus pensares no balanço dessa rede de ranger triste, com seus tornos cansados do oficio de embalar corpos. Não poderei levar a rede comigo e nem tampouco ficar a mercê das minhas lembranças que me enchem de vontade de voltar a pagina da minha historia e voltar a correr livre e solto, preso apenas nos devaneios e nas vontades de menino travesso criado numa comunidade pequena cheia de gente grande.
Eu tenho saudades do passado. Gostaria de voltar lá, e tentar mudar alguma coisa que me fez fazer algo errado no hoje que vivo. Não, isso não é possível, daqui não dá pra voltar, somente mesmo nas minhas lembranças sopradas pela nevoa desse recordar tão melancólico que chego a querer chorar como se fosse possível voltar a ouvir o grito suave da minha mãe a me chamar para comprar o pão. Não... Não... Nunca mais a ouvirei, pois a sua voz fora enterrada junto com ela em 1998. Mas ainda posso discernir de outros chamamentos, a sua sonoridade, seu riso doce de mãe protetora, de mulher que gosta do filho, de amizade que nunca o tempo poderá apagar da minha mente cada momento com ela vivido.
Meus amigos...
Onde estão meus amigos? Como eu, também cresceram e conheceram outros rumos. Alguns destes, eu não os vejo a mais de 40 ou 45 anos, outros, fiquei sabendo que já não habitam nesse plano terrestre. Mas as amizades, as amizades daqueles com quem me encontro hoje, já não tem o mesmo sabor, a mesma confiança, a mesma alegria, o mesmo riso, o mesmo companheirismo.
Muitos se tornaram fechados como se tivessem colocado cadeados nas nossas fases vividas. Outros viraram comerciantes e agem como se tudo fosse uma questão de cifras e de valores financeiros e me cobram porque não sou um HOMEM ESTABELECIDO.
Poucos destes, que comigo andavam, brincavam e dividiam sua meninice, nem me convidam para ir às suas casas tomar um café, ver uma foto antiga, sentar com seus filhos para fazer uma resenha desse nosso passado que em mim está tão presente.
Daqueles amigos, restaram poucos, pois suas mãos se distanciaram tanto, que as nossas não se tocam mais,
Por vezes insisto em voltar a vê-los, mas não há uma reciprocidade, um carinho, uma preocupação e isso vão inevitavelmente, nos afastando e eu sentindo esse afastamento como rejeição. E, se eu ainda insisto, é porque de fato eu queria ter de volta aquele amigo que AS COISAS DO TEMPO, o levaram para longe de nós. Os valores gritaram mais alto que os sorrisos e as conversas hoje, são apenas por obrigação de cumprimentos formais sem ter ao certo o que dizer tal abrupto e inaceitável afastamento que hoje nos separa feitos muros de nossa própria (e plantada por nos mesmos) ignorância.
Prefiro tê-los guardados na minha imaginação, onde podíamos sorrir e brincar achando que a vida jamais acabaria. Ela não acaba quando morrermos, mas sim quando não nos permitimos mais sermos os amigos que um dia fomos.
Subitamente a rede parou, ouço alguns passarinhos orquestrando em silvos breves o cântico do entardecer, e isso me faz despertar dessa viagem de sonhos acordado, onde posso até ver que as imagens vão sumindo e a realidade da tarde triste vem ao meu encontro. Mas, na insistência de guardar tanta lembrança com um sorriso largo, ainda trago esses mesmos sorrisos dos meus amigos, as cores da minha infância, o cheiro de pão no forno a lenha, e as mais belas formas tristes de sentir saudades de um tempo que jamais tornarei viver. Se eu morresse agora, muito triste eu morreria,
F I M
Mas a infância ou a pré adolescência é algo mágico, pintado pela emoção dos momentos vividos e divididos de formas iguais, tipo assim, sem medo, sem culpa, e sem responsabilidade. A praça pequena da cidade pequena cercada de sonhos grandes, de gente grande e de passos lentos de todos em busca simplesmente do viver,
O cheiro de pão, ahh o cheiro de pão de forno a lenha se espalhava pela cidade, e quando ele invadia minhas narinas, eu já me preparava para ouvir a sonoridade tão doce (De onde estivesse) da voz da minha mãe me chamar para ir á padaria comprar o tão delicioso e sagrado pão da tarde.
Não, naquela época, eu não via à tarde triste, pois eu era jovem, corria, brincava, soltava pipa, tomava banho no tanque grande e chupava mangas no sitio de Dona Fia, que ainda dizia: Levem algumas para sua mãe.
A vida era assim, não se cobrava pelas frutas (mangas, bananas, Laranjas, goiabas) na comunidade, tudo era uma fartura. Milho, feijão, abobora batata, o povo tinha prazer em dizer: Leve para a comadre.
Hoje, movido pelo balanço da rede no meu quintal, posso (na minha imaginação) montar essas imagens e outras tantas que vivi, onde ser feliz, era uma obrigação cotidiana e o preço, a pagar, era a satisfação de ser o que éramos sem precisar ser o que querem que sejamos.
As cobranças cresceram comigo e hoje sou o que meu pai foi: Um pai zeloso e preocupado se o dinheiro que tenho no bolso dará para comprar meia dúzia de pães de forno elétrico, com massa preparada com tanta química que deixa o pão inchado por fora e oco por dentro, igual cabeça de muitos Homens do poder.
Meu riso nem sempre é como um dia fora. Meus pensamentos cresceram junto comigo a ponto de sentir medo de saber de fato o que sou o que quero, ou para onde vou depois que terminar esses meus pensares no balanço dessa rede de ranger triste, com seus tornos cansados do oficio de embalar corpos. Não poderei levar a rede comigo e nem tampouco ficar a mercê das minhas lembranças que me enchem de vontade de voltar a pagina da minha historia e voltar a correr livre e solto, preso apenas nos devaneios e nas vontades de menino travesso criado numa comunidade pequena cheia de gente grande.
Eu tenho saudades do passado. Gostaria de voltar lá, e tentar mudar alguma coisa que me fez fazer algo errado no hoje que vivo. Não, isso não é possível, daqui não dá pra voltar, somente mesmo nas minhas lembranças sopradas pela nevoa desse recordar tão melancólico que chego a querer chorar como se fosse possível voltar a ouvir o grito suave da minha mãe a me chamar para comprar o pão. Não... Não... Nunca mais a ouvirei, pois a sua voz fora enterrada junto com ela em 1998. Mas ainda posso discernir de outros chamamentos, a sua sonoridade, seu riso doce de mãe protetora, de mulher que gosta do filho, de amizade que nunca o tempo poderá apagar da minha mente cada momento com ela vivido.
Meus amigos...
Onde estão meus amigos? Como eu, também cresceram e conheceram outros rumos. Alguns destes, eu não os vejo a mais de 40 ou 45 anos, outros, fiquei sabendo que já não habitam nesse plano terrestre. Mas as amizades, as amizades daqueles com quem me encontro hoje, já não tem o mesmo sabor, a mesma confiança, a mesma alegria, o mesmo riso, o mesmo companheirismo.
Muitos se tornaram fechados como se tivessem colocado cadeados nas nossas fases vividas. Outros viraram comerciantes e agem como se tudo fosse uma questão de cifras e de valores financeiros e me cobram porque não sou um HOMEM ESTABELECIDO.
Poucos destes, que comigo andavam, brincavam e dividiam sua meninice, nem me convidam para ir às suas casas tomar um café, ver uma foto antiga, sentar com seus filhos para fazer uma resenha desse nosso passado que em mim está tão presente.
Daqueles amigos, restaram poucos, pois suas mãos se distanciaram tanto, que as nossas não se tocam mais,
Por vezes insisto em voltar a vê-los, mas não há uma reciprocidade, um carinho, uma preocupação e isso vão inevitavelmente, nos afastando e eu sentindo esse afastamento como rejeição. E, se eu ainda insisto, é porque de fato eu queria ter de volta aquele amigo que AS COISAS DO TEMPO, o levaram para longe de nós. Os valores gritaram mais alto que os sorrisos e as conversas hoje, são apenas por obrigação de cumprimentos formais sem ter ao certo o que dizer tal abrupto e inaceitável afastamento que hoje nos separa feitos muros de nossa própria (e plantada por nos mesmos) ignorância.
Prefiro tê-los guardados na minha imaginação, onde podíamos sorrir e brincar achando que a vida jamais acabaria. Ela não acaba quando morrermos, mas sim quando não nos permitimos mais sermos os amigos que um dia fomos.
Subitamente a rede parou, ouço alguns passarinhos orquestrando em silvos breves o cântico do entardecer, e isso me faz despertar dessa viagem de sonhos acordado, onde posso até ver que as imagens vão sumindo e a realidade da tarde triste vem ao meu encontro. Mas, na insistência de guardar tanta lembrança com um sorriso largo, ainda trago esses mesmos sorrisos dos meus amigos, as cores da minha infância, o cheiro de pão no forno a lenha, e as mais belas formas tristes de sentir saudades de um tempo que jamais tornarei viver. Se eu morresse agora, muito triste eu morreria,
F I M
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UM NOVO NORMAL
Queimaram Nossa Amazônia
incendiaram nosso Pantanal e muitos ainda afirmam
que a situação por aqui tá normal
O povo desobediente exerce sua rebeldia
se atiram nos braços da rua achando que já findou a pandemia
O fique em casa já não tá na moda
ninguém tá mais obedecendo
estou vendo no noticiário e o obituário só está crescendo
Cadê a vacina milagrosa
há tempo tão anunciada?
Se não chegar logo Acredite, a vida será muito mais complicada
Subiram o preço do arroz do feijão e do óleo tão essenciais
Ainda bem que tem o carro do ovo que grita de novo 30 por 10 Reais
Até quando? não sei!
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OS ATRATIVOS DO PECADO
Os meus pecados são tão grandes que chegam a ultrapassar a minha cota de perdão.
Ao dormir estou pecando, Ao acordar (quer seja no meio da noite,ou na hora certa de cumprido o necessário descanso) já encontro o pecado à minha esperar para nutrir a minha vida das fraquezas que insistem em me fazer cometer repetitivos erros.
Rezo ao deitar, ou oro ao levantar como se de forma desesperada, buscasse o bálsamo através da fé, que banhe de bondade o meu coração.
A oração me aproxima de Deus, e, de imediato, ao término dela, lá estou eu fincando os pés no lamaçal de pecados.
De novo e de novo e mais umas outras tantas e incontáveis vezes, eu rezo e oro buscando forças insistindo com o todo-poderoso Deus, até que Ele, por sua benção, proteção e misericórdia, afaste do meu coração tanto pecado que fazem transbordar de tristeza a razão do meu existir.
Insisto, insistirei sempre, e mesmo que venha cometer pecados, desse meu grandioso e fiel Deus, eu jamais me afastarei, pois Ele sabe que mesmo antes de nascer, eu já era fruto do Pecado espalhado nessa terra.
Um dia, o meu coração será lavado de vez, e o pecado tornar-se-a um caminho esquecido, e por onde tanto passei que meus pés e pensamentos me fizerram errar, jamais retornarei.
Confiante, estendo ao meu Deus, essa minha poesia em forma de oração.
Carlos Silva
👁️ 68
Minha vida virtual
Minha vida virtual
Carlos Silva
Na base do “Control C”
Eu vivo a copiar
Já não sei me expressar
Vou colar no “Control V”
Eu sou franco a você
Que isso me compromete
Mas aos outros não compete
Se estou certo ou errado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da Internet
São dois esses ou é C cedilha?
Eu não sei mais escrever
Vou ter que reaprender
Reestudar a cartilha
No Excel minha planilha
A soma me compromete
Meu PC deu um Reset
Deu erro no resultado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Cebola salsa seringa
Passeio passo passado
Maço macio amassado
Marrenta marreta moringa
Resto restinho e restinga
Tesouro testa tiete
Caniço coçar canivete
Pra escrever tenha cuidado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Açougue açude aguada
Peço no preço desconto
Tontice é coisa de tonto
Um torto torando a tourada
Apressa passando a passada
O teclado tecendo compete
O dedo passeia e remete
Tentando novo aprendizado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Com X ou com CH
Enxoval encher enxada
Desfechar porta fechada
Sendo aqui ou acolá
Pra li pra lá ou pra cá
Verbo averbado ou verbete
Paz faisão ou toilete
O tema é complicado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Exceto ou exceção
Espoleta e excremento
Esmeralda experimento
Espaço estrondo explosão
Enxada enxofre expropriação
Entorse entorta intromete
Exploração ou omelete
Cada palavra um dobrado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Eu uso abreviaturas
Para me comunicar
BLZ pra confirmar
Mudo as nomenclaturas
Desrespeito estruturas
Onde a leitura compromete
Pois a mim já não compete
Viver desinformatizado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
O linguajar atual
Perdeu de vez o sentido
Eu deixei de ser sabido
Por tanto erro virtual
Mouse e teclado são um mal
Que o nosso viver acomete
Quem não souber não compete
Fica fora do mercado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Já escrevem sem acento
Não fazem pontuação
A gramaticalização
Não ensina a contento
O pobre do elemento
Tanto erro já comete
Na vida leva bufete
Torna-se ignorado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
A minha memoria RAM
Virou sapo de lagoa
Pronuncia ficou atoa
Acordo pela manhã
Juízo meio tantan
Já gritei pra Risonete
Quer me deletar delete
Mas não vou ficar calado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Shift Wake Power Sleep
Page up Page down
No teclado é normal
Parece língua de hippie
Ou cabra que pega gripe
Quando a friagem acomete
E a palavra se repete
Torto e desaprumado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Vou encerrar o meu texto
Sem muita abreviação
Isso já nem cabe não
Fica fora do contexto
Eu invento um pretexto
Chega o juízo derrete
Invento um novo verbete
Pra não ficar isolado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet.
Carlos Silva
Na base do “Control C”
Eu vivo a copiar
Já não sei me expressar
Vou colar no “Control V”
Eu sou franco a você
Que isso me compromete
Mas aos outros não compete
Se estou certo ou errado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da Internet
São dois esses ou é C cedilha?
Eu não sei mais escrever
Vou ter que reaprender
Reestudar a cartilha
No Excel minha planilha
A soma me compromete
Meu PC deu um Reset
Deu erro no resultado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Cebola salsa seringa
Passeio passo passado
Maço macio amassado
Marrenta marreta moringa
Resto restinho e restinga
Tesouro testa tiete
Caniço coçar canivete
Pra escrever tenha cuidado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Açougue açude aguada
Peço no preço desconto
Tontice é coisa de tonto
Um torto torando a tourada
Apressa passando a passada
O teclado tecendo compete
O dedo passeia e remete
Tentando novo aprendizado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Com X ou com CH
Enxoval encher enxada
Desfechar porta fechada
Sendo aqui ou acolá
Pra li pra lá ou pra cá
Verbo averbado ou verbete
Paz faisão ou toilete
O tema é complicado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Exceto ou exceção
Espoleta e excremento
Esmeralda experimento
Espaço estrondo explosão
Enxada enxofre expropriação
Entorse entorta intromete
Exploração ou omelete
Cada palavra um dobrado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Eu uso abreviaturas
Para me comunicar
BLZ pra confirmar
Mudo as nomenclaturas
Desrespeito estruturas
Onde a leitura compromete
Pois a mim já não compete
Viver desinformatizado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
O linguajar atual
Perdeu de vez o sentido
Eu deixei de ser sabido
Por tanto erro virtual
Mouse e teclado são um mal
Que o nosso viver acomete
Quem não souber não compete
Fica fora do mercado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Já escrevem sem acento
Não fazem pontuação
A gramaticalização
Não ensina a contento
O pobre do elemento
Tanto erro já comete
Na vida leva bufete
Torna-se ignorado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
A minha memoria RAM
Virou sapo de lagoa
Pronuncia ficou atoa
Acordo pela manhã
Juízo meio tantan
Já gritei pra Risonete
Quer me deletar delete
Mas não vou ficar calado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Shift Wake Power Sleep
Page up Page down
No teclado é normal
Parece língua de hippie
Ou cabra que pega gripe
Quando a friagem acomete
E a palavra se repete
Torto e desaprumado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet
Vou encerrar o meu texto
Sem muita abreviação
Isso já nem cabe não
Fica fora do contexto
Eu invento um pretexto
Chega o juízo derrete
Invento um novo verbete
Pra não ficar isolado
Voltei a ser um desletrado
Por conta da internet.
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VEM PRO GUETO
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Sociedade
é a virtude da cidade
Vou vivendo sem maldade
na luta para vencer
Eu pago um preço,
ser feliz até mereço,
e assim eu enalteço
O lugar que me viu crescer
La na quebrada,
tenho a historia revelada,
reunindo a malocada
para um churras informal
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Cola com a gente,
aqui só tem mano decente,
bom de papo e de mente
Só do bem nada de mal
Filosofando,
estudando vou rimando
por ai sigo cantando
construindo minha historia
Sou mais ou manos,
dou um salve faço planos,
sem terror e sem enganos
preservando a memória
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Venha somar
Dar rizada, espante a zica,
Mais bonita ainda fica
se voce souber chegar
Traga uma rima
que é a matéria prima,
vem com tudo vem pra cima
A festa vai começar
Perifazendo
perifase abstrata
Jogo o verbo assim na lata
Esse é meu expressar
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Letra de RAP - Carlos Silva.
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Sociedade
é a virtude da cidade
Vou vivendo sem maldade
na luta para vencer
Eu pago um preço,
ser feliz até mereço,
e assim eu enalteço
O lugar que me viu crescer
La na quebrada,
tenho a historia revelada,
reunindo a malocada
para um churras informal
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Cola com a gente,
aqui só tem mano decente,
bom de papo e de mente
Só do bem nada de mal
Filosofando,
estudando vou rimando
por ai sigo cantando
construindo minha historia
Sou mais ou manos,
dou um salve faço planos,
sem terror e sem enganos
preservando a memória
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Venha somar
Dar rizada, espante a zica,
Mais bonita ainda fica
se voce souber chegar
Traga uma rima
que é a matéria prima,
vem com tudo vem pra cima
A festa vai começar
Perifazendo
perifase abstrata
Jogo o verbo assim na lata
Esse é meu expressar
Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia
Letra de RAP - Carlos Silva.
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UMA TROPA, MUITAS SAUDADES
Justino, Ezequiel Melchiades encilhem as mulas verifiquem as ferraduras, os arreios e as caixas.
A jornada será longa até atravessarmos o rio, aproveitando que as chuvas nao vieram se não, seria impossível seguir viagem.
Assim, dizia o experiente Zaqueu Ferraz com mais de 40 anos de experiência tocando tropas nesses sertões de grandes segredos.
Os mantimentos eram conduzidos por um burro que só carregava as provisões.
Uma manta de carne do sol, toucinho defumado, rapadura, farinha, banha de porco, produtos para limpeza, querosene, um galão com aguardente pra temperar a guela e afastar a secura do pó da estrada.
O responsável pela guarda conservação e preparo das refeições, cabia ao velho Tião. SEBASTIAO HIPOLITO FERRAZ. Primo do velho Zaqueu.
O Nego Tião (como era chamado pelos companheiros) tinha os dons de ser poeta, Violeiro, cantador e bom de versos rimados, que animava os seus leais amigos de tropa.
Foi ele inclusive, quem deu um nome pro grupo: TROPEIROS DO VELHO FERRAZ.
As currutelas já conheciam o grupo, devido as cantorias do animado Tião, que fazendo uso de um berrante dos tempos que participava das comitivas la pras bandas de Miranda no Matogrosso do sul, sempre trazia como peça indispensável e muito importante nas jornadas percorridas. Ezequiel, vez em quando perguntava so pra ver o delirio melodioso da resposta: Nego Tião. -Diga Ezequié!
O que é que um grupo de tropeiros tem a ver com berrante Tiao? Ele soltava uma sonora gaitada e depois dizia com os olhos brilhando de intensa alegria como se revivendo um passado que lhe fora presenteado com tanto carinho: NADA! É só pra matar a saudade e fazer meu coração sorrir mais feliz.
Ao dizer isso, repetia a sonoridade soprante fazendo do seu choroso berrante, uma gaita pra todos ouvirem e saber que o bom Tião e o grupo TROPEIROS DO VELHO FERRAZ, estavam por ali rompendo campinas e desbravando os sertões numa lida secular, no verdadeiro ofício dos tropeiros, grandes contribuintes para o progresso do nosso brasil, mas que hoje (para a tristeza de muitos) já não existem mais.
Em cada currutela daquelas cercanias, existem placas que marcaram essa atividade comercial de esplendoroso valor, guardando em cada vereda, imortais lembrancas de um tempo feliz.
Tem uma que diz:
OS TROPEIROS DO VELHO FERRAZ, UM DIA POUSARAM AQUI.
Noutra mais adiante pode ser lido: O BERRANTE DO NEGO TIÃO, AINDA ECOA NOS SERTÕES E NOS NOSSOS CORAÇÕES.
Toca Nego Tiao, nesse vasto universo de sonhos, o teu berrante para que os anjos possam nos avisar que voce está em paz e dando suas gaitadas pra fazer do ceu, uma estrada de alegrias.
A jornada será longa até atravessarmos o rio, aproveitando que as chuvas nao vieram se não, seria impossível seguir viagem.
Assim, dizia o experiente Zaqueu Ferraz com mais de 40 anos de experiência tocando tropas nesses sertões de grandes segredos.
Os mantimentos eram conduzidos por um burro que só carregava as provisões.
Uma manta de carne do sol, toucinho defumado, rapadura, farinha, banha de porco, produtos para limpeza, querosene, um galão com aguardente pra temperar a guela e afastar a secura do pó da estrada.
O responsável pela guarda conservação e preparo das refeições, cabia ao velho Tião. SEBASTIAO HIPOLITO FERRAZ. Primo do velho Zaqueu.
O Nego Tião (como era chamado pelos companheiros) tinha os dons de ser poeta, Violeiro, cantador e bom de versos rimados, que animava os seus leais amigos de tropa.
Foi ele inclusive, quem deu um nome pro grupo: TROPEIROS DO VELHO FERRAZ.
As currutelas já conheciam o grupo, devido as cantorias do animado Tião, que fazendo uso de um berrante dos tempos que participava das comitivas la pras bandas de Miranda no Matogrosso do sul, sempre trazia como peça indispensável e muito importante nas jornadas percorridas. Ezequiel, vez em quando perguntava so pra ver o delirio melodioso da resposta: Nego Tião. -Diga Ezequié!
O que é que um grupo de tropeiros tem a ver com berrante Tiao? Ele soltava uma sonora gaitada e depois dizia com os olhos brilhando de intensa alegria como se revivendo um passado que lhe fora presenteado com tanto carinho: NADA! É só pra matar a saudade e fazer meu coração sorrir mais feliz.
Ao dizer isso, repetia a sonoridade soprante fazendo do seu choroso berrante, uma gaita pra todos ouvirem e saber que o bom Tião e o grupo TROPEIROS DO VELHO FERRAZ, estavam por ali rompendo campinas e desbravando os sertões numa lida secular, no verdadeiro ofício dos tropeiros, grandes contribuintes para o progresso do nosso brasil, mas que hoje (para a tristeza de muitos) já não existem mais.
Em cada currutela daquelas cercanias, existem placas que marcaram essa atividade comercial de esplendoroso valor, guardando em cada vereda, imortais lembrancas de um tempo feliz.
Tem uma que diz:
OS TROPEIROS DO VELHO FERRAZ, UM DIA POUSARAM AQUI.
Noutra mais adiante pode ser lido: O BERRANTE DO NEGO TIÃO, AINDA ECOA NOS SERTÕES E NOS NOSSOS CORAÇÕES.
Toca Nego Tiao, nesse vasto universo de sonhos, o teu berrante para que os anjos possam nos avisar que voce está em paz e dando suas gaitadas pra fazer do ceu, uma estrada de alegrias.
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SE EU AINDA TIVER TEMPO
...Comporei uma poesia e talvez venha musica-la e que esta atinja os corações das pessoas que há tempos, não mais crêem no sentimento do amor. Não o Amor paixão, sexo, tesão mas o amor de irmão, o amor zeloso, preocupado e curador de males d'alma.
O amor afeto que procure, que busque (e que encontre) uma mão que esteja a procura de outra mão, um abraço que anseia encontrar outros braços para um harmonioso enlace.
...Pedirei perdão a quem (mesmo inconsciente) eu tenha magoado ou lhe causado uma impensável decepção a ponto de fazer-lhe não mais crê na nossa amizade.
...Direi que amo meus amigos sem distinção alguma, pois iguais todos somos perante ao Ser que nos formou e que deu-nos a todos a observância criativa do viver.
...Pedirei ao Deus da criação, perdão pelas vezes insanas que o decepcionei levado pela raiva, pela, vingança,pela tristeza, pela fraqueza, pelos desejos, atos e gestos impensáveis.
...Devolverei o sorriso(que por descaso) não o tenha percebido a mim dirigido com tanto carinho, simplicidade, humildade e tão honroso afeto.
...Ensinarei a quem necessário o fizer, os caminhos certos sem desvios de conduta como bússola orientadora, direcionando com amor protetivo, um norte em direção ao bom conduzir dos passos para as boas ações, e consequentemente para a realização dos primorosos sonhos.
...Confessarei a mim mesmo: Todos os caminhos percorridos, toda doação de valores humanitários, todos os cantos por onde andei, valeram apena pois estava seguindo em busca de mim, arregimentando saberes para poder dividir com aqueles que um dia os deixei para trás a acenar-me desejando Saúde, Sorte e Sucesso.
Se eu ainda tiver tempo, a todos mostrarei minha gratidão em tê-los um dia dividido com tantos o meu viver.
Mas somente isso eu farei, se eu ainda tiver tempo para reconhecer, que esse tempo é hoje e exatamente agora.
Carlos Silva.
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EU VI DEUS.
*EU VI DEUS*
(OU UM DIA PARA NAO SER ESQUECIDO)
Sim eu vi Deus. Eu vi Deus naquela manhã de sábado no seu santo dia santo, logo pela manhã com uma névoa fria soprada no pé de Serra, lá na Serra do Aporá.
Ao chegar no topo da serra, respirei e os pulmões deram graças se enchendo de ar puro. Olhei ao redor contemplando a beleza daquele dia.
Iria fazer belas fotos num documentário sobre a exploração turística no pé da Serra, que há serviria para expor minha ideia para a implantação de um sistema turístico naquele local.
Estacionei o carro ao lado das torres de transmissão me preparei, troquei de camisa e segui em direção ao local que dá uma vista maravilhosa para o que eu me propusera fazer.
Estava só, feliz e admirando da altura da Serra, um pedaço da minha Itamira, meu berço de infancia onde fui criado.
Alguns urubus me serviam de guardiões daquele pedaço de natureza tao bela, e ao decolar seus voos, faziam um barulho que até assustava.
Quando estamos sozinhos, qualquer barulho assusta.
Fui seguindo, assobiando já imaginando os melhores ângulos para captação das imagens.
Tinha chovido na noite anterior mas naquele momento o tempo estava favorável para aquela incursão solitária.
Já tinha adentrado algumas dezenas de metros mata a dentro, rumo ao local escolhido.
Envolto em meus devaneios com um riso estampado por estar ali, e foi assim que numa fração de segundos,
Derrepente e inesperadamente eu escorreguei, e fui lancado ao chão caindo por cima da perna que dobrara para tras, e meu corpo caiu por sobre ela impactando com força no meu pé direito.
Senti um forte estalo, gemi e gritei de dor, gritei alto de tanta dor sentida, tão alto que chegou ecoar na serra.
Eu só conseguia dizer: MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS... QUE DOR.
Balbuciei repetidas vezes em total desespero tais palavras, como se buscando nesse gesto, aliviar a dor tão forte causada pela queda
Tentei levantar mas ao tentar colocar o pe no chão, vi e senti a gravidade do meu problema.
Constatei que o pé tinha quebrado,
Aquele estalo denunciava a minha triste e dolorosa suspeita. EU ESTAVA COM O PE DIREITO QUEBRADO.
O desespero aumentou, a adrenalina subiu tanto que a boca resssecou e o pavor toma conta de mim. MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS... Por vezes tantas eu repetia exteriorizando o meu desespero ao mesmo tempo, exercitando a minha fé em Deus como na passagem bíblica que Jacó entra em luta com o anjo.
O que fazer? Olhei ao redor, ergui a cabeça para o caminho que teria que percorrer de volta. Comecei me arrastar pelo chão orvalhando e sujando as roupas, temendo bichos pessonhentos ou coisa assim.
Lento doloroso e muito comprido era o caminho de volta. Ergui o corpo comecei engatinhar amparando no chinelo, o joelho direito para evitar o atrito das pedras com a pele.
Cada avanço, uma conquista e uma dor. MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS...E AGORA?
Pensava na família, na situação ali, voltei assustar-me com os urubus. A boca e a garganta seca, temia desmaiar pela dor, pela aflição e por aquela sensação de secura.
Em dado momento, após já percorrer uma certa distância, deitado sobre uma pedra, peguei o celular. Tentei ligar a cobrar pro meu irmao e não consegui. Passei mensagem de Zap, mas eu não tinha crédito, disquei 190 e nada, tentei o 192 sem sucesso.
Psicologicamente eu estava apavorado.
Fiz prece, pedi a Deus que me livrasse daquele tormento, mas em momento algum eu maldisse o ocorrido.
Voltei me concentrar que eu devia continuar engatinhando, e sempre falando com Deus, eu avançava pois sabia que não poderia ficar ali.
Mais algumas investidas engatinhando, foi quando avistei o carro. Meu corpo ja extenuado começava dar sinais de vencido.
Achei o carro mais lindo do mundo, à minha frente, o mais valioso de toda a terra, só bastava mais alguns esforços e eu chegaria.
Nunca me senti tão feliz ao avistar a minha FERRARI SERTANEJA.
Sorri, misturando as minhas lágrimas e dores, com a intensa gratidão ao mantenedor da vida.
Busquei concentrar-me e sabia que o objetivo principal seria chegar até ele, que alheio ao meu padecimento, lá estava estático exibindo sua coloração rubra, que aos meus olhos encantava.
A minha felicidade vibrou, ao tocar a maçaneta. Puxei-a, a porta se abriu, e mais um tremendo esforço seria feito para adentrar ao veículo. As palavras agora mudavam, ao dizer:
MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS... MUITO OBRIGADO, EU CONSEGUI.
Para trás, ficara os 80 metros mais longos da minha vida e a minha maior ATÉ AQUI, superação de um sofrimento.
Sentado, olhei o pé e comecei imaginar o tamanho do estrago. A dor continuava insuportável.
E agora, o que devo fazer?
O medo agora era outro, se teria como consegui descer a Serra, sem provocar mais algum incidente!
Liguei o carro, coloquei a primeira marcha, resolvido que iria sair dali.
Fui descendo lentamente suportando aos solavancos devido os sulcos da ladeira, mas encostando ao lado do barranco, para evitar o despenhadeiro da direita, temendo numa circunstância qualquer, acelerar ao tentar pisar no freio, se fosse necessário fazê-lo.
Fui descendo suportando a dor, a estrada melhorou um pouco, coloquei a segunda marcha e seguir.
Já próximo da pista, buzinei insistentemente ao lado da casa de um amigo que não me atendeu e resolvi que iria tentar chegar no posto médico da cidade.
Lá cheguei, fui atendido, prestaram-me os primeiros socorros informando que eu iria ser conduzido para o Hospital Dantas Bião da cidade de Alagoinhas.
O problema agora era esperar um carro disponível.
Como não houve fratura exposta, eu não poderia ser transportado na ambulância ou na Samur. Aconselharam-me dizer que eu era residente na cidade de Alagoinhas e que eu não tinha passado por aquele Posto de atendimento de Itamira se não, eles iriam fazer regulação e ninguém poderia garantir quando eu seria atendido.Isso afirmou o Dr.Donizete Filho junto ao técnico de enfermagem Lucas daquela unidade.
O carro demorou, o sangue foi esfriando o nervosismo voltava junto com as dores. Comecei utilizar meus conhecimentos e após a intervenção de 2 pessoas RITA E KARINE,(que inclusive trouxe almoço para mim) tudo foi providenciado junto ao setor de transporte da prefeitura.
Tudo certo, o carro chegou e lá fomos nós. Ao chegar no setor de emergência, o motorista se adiantou na recepção já dizendo de onde vinhamos.
O rapaz me atendeu e perguntou: O Sr. Está vindo de Aporá não é ?
Respondi que sim, mas que eu tinha comigo um endereço como residente na cidade e que ele me ajudasse ser atendido naquela unidade. Foi aí que ele me sossegou dizendo: Fique tranquilo, ao ver a situação que eu me encontrava.
Uma enfermeira perguntou como eu tinha chegado e eu lhe disse. Ela então retrucou indagando: Então lhe abandonaram aqui?
Não! O motorista ainda está aí, eu.lhe respondi.
Fiquei ali aguardando, resolvi fazer a ficha e quando perguntado, disse a recepcionista que morava em Alagoinhas e lhe dei o endereço.
Pensei: Como é que pode, um cidadão contribuinte brasileiro, ter que mentir para receber atendimento pelo melhor e maior plano de saúde que ja fora criado no Brasil, que é o SUS?
Ficha feita, minha sobrinha chega, atendimento, raio x, internação no sábado, cirurgia na segunda, alta na terça e hoje cá estou, agradecido a Deus por Tê-lo ao meu lado, desde as 9:40 da manhã daquele sábado (hora do acidente) até aqueles momentos que hoje descrevo nessa narrativa.
Carlos Silva.
(OU UM DIA PARA NAO SER ESQUECIDO)
Sim eu vi Deus. Eu vi Deus naquela manhã de sábado no seu santo dia santo, logo pela manhã com uma névoa fria soprada no pé de Serra, lá na Serra do Aporá.
Ao chegar no topo da serra, respirei e os pulmões deram graças se enchendo de ar puro. Olhei ao redor contemplando a beleza daquele dia.
Iria fazer belas fotos num documentário sobre a exploração turística no pé da Serra, que há serviria para expor minha ideia para a implantação de um sistema turístico naquele local.
Estacionei o carro ao lado das torres de transmissão me preparei, troquei de camisa e segui em direção ao local que dá uma vista maravilhosa para o que eu me propusera fazer.
Estava só, feliz e admirando da altura da Serra, um pedaço da minha Itamira, meu berço de infancia onde fui criado.
Alguns urubus me serviam de guardiões daquele pedaço de natureza tao bela, e ao decolar seus voos, faziam um barulho que até assustava.
Quando estamos sozinhos, qualquer barulho assusta.
Fui seguindo, assobiando já imaginando os melhores ângulos para captação das imagens.
Tinha chovido na noite anterior mas naquele momento o tempo estava favorável para aquela incursão solitária.
Já tinha adentrado algumas dezenas de metros mata a dentro, rumo ao local escolhido.
Envolto em meus devaneios com um riso estampado por estar ali, e foi assim que numa fração de segundos,
Derrepente e inesperadamente eu escorreguei, e fui lancado ao chão caindo por cima da perna que dobrara para tras, e meu corpo caiu por sobre ela impactando com força no meu pé direito.
Senti um forte estalo, gemi e gritei de dor, gritei alto de tanta dor sentida, tão alto que chegou ecoar na serra.
Eu só conseguia dizer: MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS... QUE DOR.
Balbuciei repetidas vezes em total desespero tais palavras, como se buscando nesse gesto, aliviar a dor tão forte causada pela queda
Tentei levantar mas ao tentar colocar o pe no chão, vi e senti a gravidade do meu problema.
Constatei que o pé tinha quebrado,
Aquele estalo denunciava a minha triste e dolorosa suspeita. EU ESTAVA COM O PE DIREITO QUEBRADO.
O desespero aumentou, a adrenalina subiu tanto que a boca resssecou e o pavor toma conta de mim. MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS... Por vezes tantas eu repetia exteriorizando o meu desespero ao mesmo tempo, exercitando a minha fé em Deus como na passagem bíblica que Jacó entra em luta com o anjo.
O que fazer? Olhei ao redor, ergui a cabeça para o caminho que teria que percorrer de volta. Comecei me arrastar pelo chão orvalhando e sujando as roupas, temendo bichos pessonhentos ou coisa assim.
Lento doloroso e muito comprido era o caminho de volta. Ergui o corpo comecei engatinhar amparando no chinelo, o joelho direito para evitar o atrito das pedras com a pele.
Cada avanço, uma conquista e uma dor. MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS...E AGORA?
Pensava na família, na situação ali, voltei assustar-me com os urubus. A boca e a garganta seca, temia desmaiar pela dor, pela aflição e por aquela sensação de secura.
Em dado momento, após já percorrer uma certa distância, deitado sobre uma pedra, peguei o celular. Tentei ligar a cobrar pro meu irmao e não consegui. Passei mensagem de Zap, mas eu não tinha crédito, disquei 190 e nada, tentei o 192 sem sucesso.
Psicologicamente eu estava apavorado.
Fiz prece, pedi a Deus que me livrasse daquele tormento, mas em momento algum eu maldisse o ocorrido.
Voltei me concentrar que eu devia continuar engatinhando, e sempre falando com Deus, eu avançava pois sabia que não poderia ficar ali.
Mais algumas investidas engatinhando, foi quando avistei o carro. Meu corpo ja extenuado começava dar sinais de vencido.
Achei o carro mais lindo do mundo, à minha frente, o mais valioso de toda a terra, só bastava mais alguns esforços e eu chegaria.
Nunca me senti tão feliz ao avistar a minha FERRARI SERTANEJA.
Sorri, misturando as minhas lágrimas e dores, com a intensa gratidão ao mantenedor da vida.
Busquei concentrar-me e sabia que o objetivo principal seria chegar até ele, que alheio ao meu padecimento, lá estava estático exibindo sua coloração rubra, que aos meus olhos encantava.
A minha felicidade vibrou, ao tocar a maçaneta. Puxei-a, a porta se abriu, e mais um tremendo esforço seria feito para adentrar ao veículo. As palavras agora mudavam, ao dizer:
MEU DEUS, MEU DEUS MEU DEUS... MUITO OBRIGADO, EU CONSEGUI.
Para trás, ficara os 80 metros mais longos da minha vida e a minha maior ATÉ AQUI, superação de um sofrimento.
Sentado, olhei o pé e comecei imaginar o tamanho do estrago. A dor continuava insuportável.
E agora, o que devo fazer?
O medo agora era outro, se teria como consegui descer a Serra, sem provocar mais algum incidente!
Liguei o carro, coloquei a primeira marcha, resolvido que iria sair dali.
Fui descendo lentamente suportando aos solavancos devido os sulcos da ladeira, mas encostando ao lado do barranco, para evitar o despenhadeiro da direita, temendo numa circunstância qualquer, acelerar ao tentar pisar no freio, se fosse necessário fazê-lo.
Fui descendo suportando a dor, a estrada melhorou um pouco, coloquei a segunda marcha e seguir.
Já próximo da pista, buzinei insistentemente ao lado da casa de um amigo que não me atendeu e resolvi que iria tentar chegar no posto médico da cidade.
Lá cheguei, fui atendido, prestaram-me os primeiros socorros informando que eu iria ser conduzido para o Hospital Dantas Bião da cidade de Alagoinhas.
O problema agora era esperar um carro disponível.
Como não houve fratura exposta, eu não poderia ser transportado na ambulância ou na Samur. Aconselharam-me dizer que eu era residente na cidade de Alagoinhas e que eu não tinha passado por aquele Posto de atendimento de Itamira se não, eles iriam fazer regulação e ninguém poderia garantir quando eu seria atendido.Isso afirmou o Dr.Donizete Filho junto ao técnico de enfermagem Lucas daquela unidade.
O carro demorou, o sangue foi esfriando o nervosismo voltava junto com as dores. Comecei utilizar meus conhecimentos e após a intervenção de 2 pessoas RITA E KARINE,(que inclusive trouxe almoço para mim) tudo foi providenciado junto ao setor de transporte da prefeitura.
Tudo certo, o carro chegou e lá fomos nós. Ao chegar no setor de emergência, o motorista se adiantou na recepção já dizendo de onde vinhamos.
O rapaz me atendeu e perguntou: O Sr. Está vindo de Aporá não é ?
Respondi que sim, mas que eu tinha comigo um endereço como residente na cidade e que ele me ajudasse ser atendido naquela unidade. Foi aí que ele me sossegou dizendo: Fique tranquilo, ao ver a situação que eu me encontrava.
Uma enfermeira perguntou como eu tinha chegado e eu lhe disse. Ela então retrucou indagando: Então lhe abandonaram aqui?
Não! O motorista ainda está aí, eu.lhe respondi.
Fiquei ali aguardando, resolvi fazer a ficha e quando perguntado, disse a recepcionista que morava em Alagoinhas e lhe dei o endereço.
Pensei: Como é que pode, um cidadão contribuinte brasileiro, ter que mentir para receber atendimento pelo melhor e maior plano de saúde que ja fora criado no Brasil, que é o SUS?
Ficha feita, minha sobrinha chega, atendimento, raio x, internação no sábado, cirurgia na segunda, alta na terça e hoje cá estou, agradecido a Deus por Tê-lo ao meu lado, desde as 9:40 da manhã daquele sábado (hora do acidente) até aqueles momentos que hoje descrevo nessa narrativa.
Carlos Silva.
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VENTO
O vento sopra, arrasta ciscos, pós e poeiras.Que seja ele também forte e varra da vida humana, a tristeza o desamor o pessimismo, a falta de caridade nos corações.
Que o vento leve para bem longe, tudo aquilo que ele possa varrer da nossa mente,corpo,alma e coração as coisas que nos atrapalham na caminhada.
Leve e solto capaz de mudanças inesperadas.Novos rumos, segue em frente retorce coisas para tentar mudar a mente do Homem.
Este preocupado com os status e a abastança dos seus bens, não escuta a voz do vento, e nem permite que a leve brisa da manhã, lhe beije o rosto.
O vento segue ensinando o que deveriamos sempre aprender: NADA AQUI É PARA SEMPRE, POIS DEUS, TEM O TEMPO CERTO PARA CADA COISA NESTE MUNDO E EM NOSSAS VIDAS.
Que o vento leve para bem longe, tudo aquilo que ele possa varrer da nossa mente,corpo,alma e coração as coisas que nos atrapalham na caminhada.
Leve e solto capaz de mudanças inesperadas.Novos rumos, segue em frente retorce coisas para tentar mudar a mente do Homem.
Este preocupado com os status e a abastança dos seus bens, não escuta a voz do vento, e nem permite que a leve brisa da manhã, lhe beije o rosto.
O vento segue ensinando o que deveriamos sempre aprender: NADA AQUI É PARA SEMPRE, POIS DEUS, TEM O TEMPO CERTO PARA CADA COISA NESTE MUNDO E EM NOSSAS VIDAS.
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O Músico, poeta cantor e compositor CARLOS SILVA, segue a trajetória de cantadores utilizando o canto falado em seus shows, palestras e apresentações em unidades de ensino fundamental e superior.
Criado entre as cidades de Nova Soure, e posteriormente em Itamira município de Aporá, a 180 Kms de Salvador, o musico carrega em sua bagagem o aprendizado colhido no meio de feira do interior baiano. Casado com Sandra Regina, tem 05 filhos e está aguardando o primeiro neto.Em 1981, participa de uma banda musical em Itamira(Ba) TRANZA A QUATRO, numa mescla de repertorio que variava de Beatles a Luiz Gonzaga, onde dá os seus primeiros passos como instrumentista (baterista da banda) ao lado de Hélio Dantas, Zé Milton E Carlinhos.
Retorna a São Paulo, em 1982 e começa trabalhar em siderúrgica e deixa um pouco a carreira de lado. Em 1997, Conhece o Maestro Vidal França e produz o primeiro demo um ano depois: O CANTO DO MEU CANTO, que conta com a participação da cantora e compositora Mazé e de Zé de Riba. Tocam na noite paulistana na região do bixiga, onde Carlos Silva, inserido no mundo artístico por Vidal França trava conhecimento com boêmios onde forma mais tarde muitas parcerias musicais. A musica de trabalho do cd era LEMBRANÇAS DE MATO GROSSO DO SUL. Um passeio cultural pelas cidades do Ms, enaltecendo a riqueza pantaneira daquele estado.
Em 2000 lança um outro single: NASCEU NA BAHIA O BRASIL, por ocasião dos 500 anos do Brasil. Em 2001, produz um cd experimental regravando essas obras já lançadas, com o titulo: ABRA OS OLHOS.
Em 2003 sob a produção de Ney Barbosa compositor da Chapada diamantina da cidade Rui Barbosa na Bahia, entra em studio e com o selo da JBS grava o cd: RETRATANDO.
Participa de vários programas de rádio na capital Paulista, São Paulo Capital Nordeste com o pesquisador paraibano Assis Angelo e na Radio Atual com Malu Scruz.
Varias Rádios comunitárias e Tvs, recebiam a arte cantada de Carlos Silva, que de mochila recheada de Cds, percorria o Brasil divulgando a sua arte de cantar e agora atribuía á sua carreira, poesias em forma de literatura de cordéis.
2003, foi o ano que conheceu a coperifa e o poeta Sergio Vaz que o convidara a participar do projeto na Zona Sul de São Paulo.
Fez programas de televisão como Tv Cultura, Rede Record e rede globo, Tv Alterosa em Minas Gerais.
Carlos Silva dedicando-se á literatura, é convidado a participar da antologia poética O RASTILHO DA POLVORA e de um cd de poesias da coperifa, produzidos pelo Itau cultural em São Paulo.
Viaja pelo Brasil pelos Estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, segue pelo Nordeste, Bahia, Pernambuco e Paraíba, agora amparado pelos cds e cordéis produzidos sempre de forma independente.
2008 Lança o mais recente trabalho fonográfico: O BRASIL EM VERSOS CANTADOS, que traz algumas parcerias com os seguintes colegas: Moreira de Acopiara, Chico Galvão, Joilson Kariri e Nato Barbosa.Morou por quase dois anos na cidade de Ilheus onde aproveitou bem essa passagem pelo sul da bahia e divulgou em Itabuna, Vitoria da Conquista a sua modalidade do canto falado.
Seus principais parceiros musicais: Sandra Regina, Vidal França, Zé de Riba, Mazé Pinheiro, Lupe Albano, Karina França, Rhayfer (Raimundo Ferreira) Batista Santos, Ney Barbosa, Edinho Oliveira, Cida Lobo, Edmilson Costa, Paulo de Tarso Marcos Tchitcho e Nininho de Uauá.Forrozeando, o artista percorre a região nordeste, apresentando o seu trabalho em feiras culturais, dividindo os palcos da vida com artistas como: Azulão baiano, Zé Araujo, Cecé, Asa Filho, Antonio Barreto, Franklim Maxado, Kitute de Licinho e um punhado de gente bôa.
As musicas são um filme para se ouvir, e cada frase, é um pedaço de poesia rebuscada na cultura popular e no solo sertânico chamado Brasil.
Seus projetos futuros: Um novo cd, misturando versos e cantigas, o livro Poemas Versos e Canções, e muitos livretos de cordéis que pretende lançar a cada mês, para apresentação nas feiras culturais e colégios, bibliotecas e outros espaços culturais.
CORDÉIS
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