Lista de Poemas
Os Materiais da Vida
nossos coitos são de modernfold
até que a lança de interflex
vipax nos separe
em claviluxcamabel camabel o vale ecoa
sobre o vazio de ondalit
a noite asfáltica
plkx
Tríptico de Sônia Maria do Recife
Meu Santo Antônio de Itabira
ou de Apipucos
ensina-me um verso
que seja brando e fale de amanhecer
e se debruce à beira-rio
e pare na estrada
e converse com a menina
como se costuma conversar com formigas
besouros
folhas de cajueiro de ingazeiro de amendoeira
esses assuntos importantíssimos
que não adianta o rei escutar
porque não entende nossa linpin-guapá-gempém.
Lira do Amor Romântico
Atirei um limão n’água
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.
Atirei um limão n’água
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.
Atirei um limão n’água,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.
Atirei um limão n’água,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.
Atirei um limão n’água,
mas perdi a direção.
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!
Atirei um limão n’água,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.
Atirei um limão n’água,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
É dor de quem muito amou.
Atirei um limão n’água,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.
Atirei um limão n’água,
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.
Atirei um limão n’água,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.
Atirei um limão n’água,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.
Atirei um limão n’água,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.
Atirei um limão n’água,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh’alma dolorida.
Atirei um limão n’água,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.
Atirei um limão n’água.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.
Atirei um limão n’água,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?
Atirei um limão n’água,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado pra trás.
Atirei um limão n’água,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
você não ama: tortura.
Atirei um limão n’água
e caí n’água também,
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.
Atirei um limão n’água,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.
Festival Em Verso
Pálida Joaninha
pálida e loura muito loura e —
nem tão fria quanto no soneto
esvoaça entre leitos.
A borboleta presa no pulso
quer voar, mas falta céu em Londres
enevoada.
Arnevic
O broto de 15
estrelando filmes
proibidos para
os brotos de 15.
Brasileira
Florinda Bulcão, florido
balcão: com esse nome lindo
no frontispício do poema,
para que fazer cinema?
O nome
Trintignant
trinta trinchantes
trinca nos troncos
tranca no trinco
tranco sonoro
— Adoro!
diz num trinado
trêfega trintona.
Liquidação
E Robbe-Grillet, de um lance,
mostra, encantado, seu lema:
— Já liquidei com o romance,
vou liquidar com o cinema.
Tráfego
O diretor de Uma aventura no espaço
a poucos metros da Lua
veio ver pessoalmente
nossa terrível aventura no limitado
espaço de uma rua
de sinal enguiçado.
Velha guarda
Josef von Sternberg
Fritz Lang
Cavalcanti
3 ∑ 70:
210 anos de cinema
o poder é sempre jovem
quando é alguma coisa mais do que o poder.
Mercado de filmes
Compra-se um
que tenha menos de 10 espiões
assassinos/assassinatos;
que, tendo cama,
tenha também outros móveis agradáveis
à vida comum do corpo,
como a espreguiçadeira, a mesa, a cadeira;
que tenha princípio
meio e fim;
que não tenha charada nem blá-blá-blá,
enfim,
um filme que não existe mais.
Paga-se tudo.
Genealogia
Na piscina do Copa
tela líquida panorâmica
do festival de corpos
o repórter erudito
pergunta a Mireille Darc:
— Mademoiselle,
est-ce que vous êtes
la toute petite-fille de Jeanne d’Arc?
Desafio
Matemática de cine
a estudar em Ipanema
pelo jovem não quadrado
(Pasolini é quem previne):
Superbacana é o teorema
nunca jamais demonstrado.
25/o3/1969
A Semana Foi Assim
somente aqui e ali deixando um risco
além do velho céu, hoje quadrado,
pelas naves do cosmo ultrapassado.
Que pretendem os homens: descobrir
um novo mundo, onde se possa rir?
brincar de amor? jogar de ser feliz?
tirar diploma de deus-aprendiz?
(Daqui a pouco o trânsito no espaço
estará de fundir cuca e espinhaço.)
Minha tia mineira não se espanta.
Há sempre uma cantiga na garganta
para saudar o sonho, embora a ruga
da experiência prefira a tartaruga
em seu calmo ficar aqui por perto,
tartarugando no roteiro certo…
É isso a espécie: um revoar aos trancos,
aos gemidos, aos cálculos e arrancos,
entre miséria e ciência, na poesia
da eternidade posta num só dia.
Ninguém entende bem o tal contexto
de que tanto se fala; e Paulo VI,
dos bispos a escutar o iroso brado,
chora, talvez, ou se mantém calado?
Eu contesto o contexto, diz a voz
em torno, em cima, até dentro de nós,
e a humanidade, enquanto assim contesta,
do próprio contestar faz uma festa.
Ainda bem que aí salta o Jô Soares,
a provar que cirandam pelos ares
mil amores sobrando para o Gordo,
que por isso não sente mais a dor do
regime, derramando pleno açúcar
no café, no pospasto, até no púcar(o)
da laranjada… Ai, vida, que doçura
quando magros e gordos, de mistura,
se sentirem amados por igual
em todo o território nacional,
e as nações forem todas um só povo,
na veludosa paz do homem novo!
Deliras, minha lira? Por enquanto
não devo reclamar prodígio tanto.
Olha o Dia do Mestre: o professor
(que do dinheiro ainda não viu a cor
em Minas) recebendo na bandeja
confetes de ternura e de ora-veja…
Em São Paulo calou-se o sax-barítono
de Booker Pittman: procuro um terno átono
para exprimir a falta, a grande pena
do som perdido, em meio à dor de Eliana.
E o sax-soprano, o clarinete? Música
de jazz, que jaz, silente, em flauta mágica.
Mas voltemos à rima, com Bandeira
pintor, Antônio, e sua vida inteira
convertida em pintura da mais fina,
que veremos no MAM: pintura é sina
e prêmio de viver após a vida
tão longe e tão depressa fenecida.
E viva, viva o Vasco: o sofrimento
há de fugir, se o ataque lavra um tento.
Time, torcida, em coro, neste instante,
vamos gritar: Casaca! ao Almirante.
E deixemos de briga, minha gente.
O pé tome a palavra: bola em frente.
18/10/1969
O Destino de Edgard Mata
mora na Trapa da Tristeza,
que é também castelo assombrado
desde a Idade Média ou desde Vila Rica.
O poeta confessa crimes etéreos.
Cultiva um amor noturno, pecaminoso:
a Monja Lua.
É da raça dos que morrem cedo,
não tem tempo a perder com a alegria.
Há sempre outono e inverno e tarde
em suas manhãs.
Segue a esmo, entre grotões do País de Minas.
Lágrimas e agonias vão com ele.
Satã, na sombra, o espreita.
Súbito voo sonoro flecha o céu.
São anjos? Duendes africanos?
É o bando de maritacas
e enche de cor seu coração e o mundo.
O poeta, por um instante, vislumbra a vida.
Ah, se tivesse nascido em Diamantina,
seria talvez saudável cantor do Peixe-Vivo.
Prece de Mineiro No Rio
e sobre a confusão desta cidade,
onde voz e buzina se confundem,
lança teu claro raio ordenador.
Conserva em mim ao menos a metade
do que fui de nascença e a vida esgarça:
não quero ser um móvel num imóvel,
quero firme e discreto o meu amor,
meu gesto seja sempre natural,
mesmo brusco ou pesado, e só me punja
a saudade da pátria imaginária.
Essa mesma, não muito. Balançando
entre o real e o irreal, quero viver
como é de tua essência e nos segredas,
capaz de dedicar-me em corpo e alma,
sem apego servil ainda o mais brando.
Por vezes, emudeces. Não te sinto
a soprar da azulada serrania
onde galopam sombras e memórias
de gente que, de humilde, era orgulhosa
e fazia da crosta mineral
um solo humano em seu despojamento.
Outras vezes te invocam, mas negando-te,
como se colhe e se espezinha a rosa.
Os que zombam de ti não te conhecem
na força com que, esquivo, te retrais
e mais límpido quedas, como ausente,
quanto mais te penetra a realidade.
Desprendido de imagens que se rompem
a um capricho dos deuses, tu regressas
ao que, fora do tempo, é tempo infindo,
no secreto semblante da verdade.
Espírito mineiro, circunspecto
talvez, mas encerrando uma partícula
de fogo embriagador, que lavra súbito,
e, se cabe, a ser doidos nos inclinas:
não me fujas no Rio de Janeiro,
como a nuvem se afasta e a ave se alonga,
mas abre um portulano ante meus olhos
que a teu profundo mar conduza, Minas,
Minas além do som, Minas Gerais.
Reunião Em Dezembro
esse abrir os braços para abraçar
o corpo, ou o sem-corpo, de uma espera
nervosa.
Dezembro, e não te lembra
os que não estão mais para jogar
o jogo repetido da esperança?
Oh, não te faças de amargo.
Joga também, mas chama
ao balcão da memória
e junto do teu corpo
aqueles companheiros dispersados
em não sei que país não mapeado,
pois sem nome e latitude,
onde o tempo sem número é repleto
(ou deserto) de todo pensamento.
E reserva
poltronas especiais para os que ainda há pouco
se foram. Não estão acostumados
ainda ao novo lar, ou somos nós
que de perdê-los não nos demos conta?
Repara: a teu aceno
as perdas deste ano se transformam
em nova relação interior.
Ganhamos o perdido. Vem chegando
cada um no seu passo costumeiro,
no seu modo de ser e de existir.
Esta
é Ana Amélia, rainha sem diadema.
Reina em doçura entre estudantes
e anjos barrocos. Calmos decassílabos
fluem de suas mãos e vão voando
para onde a poesia se concentra
em bondade e beleza:
sinônimo de alma.
Para um instante, Murilo; olha, Miranda,
quanta coisa fizeste na inquietude
de fazer coisas. Pois não basta, homem?
As artes mais as letras te agradecem
quanto penaste por amor de sonhos
culturais, que no esquecimento somem.
Mas que rumor é este, que risada
rouca, feliz, irada, insubmissa,
entre as festas do povo se anuncia?
É carnaval, folclore, são vivências
de um gato, da Amazônia, que sei mais?
O furacão chamado Eneida
tem garras verdes e quedou tranquilo.
Pelo telefone, a voz te pede
a colaboração do suplemento.
Anos a fio, vida a fio.
José Condé faz o jornal,
mas seu coração foge ao plantão
e perfura, no chão natal,
o poço dorido-alegre
de imagens pernambucanas.
Willy Lewin, viola ou violino
afinadíssimo, ouvido apenas
em surdina de câmara e recato.
Que requinte no seu sigilo,
seu desencanto modulado:
a melhor poesia é um signo
abafado.
Brumoso Luís Santa Cruz: a cruz,
entre súcubos a espicaçá-lo,
exorciza lêmures. Vago,
fantasmal ele próprio, ouvindo-lhe
a voz baixa, é o sussurro que ouves
de um mundo abissal, de sombras.
Por último vem teu compadre
e teu irmão Emílio, o doce
mavioso Moura irmão mineiro. Sorrindo,
como a pedir desculpas de uma falta:
“Fui proibido de beber
e de pitar um cigarrinho”
e de outra falta, mais grave:
“Fui-me embora, deixei você falando
sozinho”.
Dezembro, e o que perdido
foi neste ano, volta, iluminado
pelo claro pensar,
e reanima-se
o jogo eterno (e vão?), o jogo
da vida renascendo de si mesma.
02/12/1971
Leão-Marinho
na fímbria azul do mar, peitos morenos.
Pescadores, voltai. Silêncio, coros
de rua, no vaivém, que um movimento
diverso, uma outra forma se insinua
por entre as rochas lisas, e um mugido
se faz ouvir, soturno e diurno, em pura
exalação opressa de carinho.
É o louco leão-marinho, que pervaga,
em busca, sem saber, como da terra
(quando a vida nos dói, de tão exata)
nos lançamos a um mar que não existe.
A doçura do monstro, oclusa, à espera...
Um leão-marinho brinca em nós, e é triste.
A Um Morto Na Índia
diferente de quantos compuseste,
a teu fim reservou a sorte vária,
unindo Paraíba e Índias de leste!
Tudo é teatro, suspeito que me dizes,
ou sonhas? ou sorris? e teu cigarro
vai compondo um desenho, entre indivisos
traços de morte e vida e amor e barro.
Amavas tanto o amor que as musas todas
ao celebrar-te (são mulheres) choram,
e não pressentem que um de teus engodos
é não morrer, se as parcas te devoram.
Retifico: são simples tecedeiras,
são mulheres do povo. E teu destino,
uma tapeçaria onde as surpresas
de linha e cor renovam seu ensino.
Que retrato de ti legas ao mundo?
Se são tantos retratos, repartidos
na verlainiana máscara, profunda
mina de intelecções e de sentidos?
Meus livros são teus livros, nessa rubra
capa com que os vestiste, e que entrelaça
um desespero aberto ao sol de outubro
à aérea flor das letras, ritmo e graça.
Os negros, nos murais, cumprem o rito
litúrgico do samba: estão contando
a alegria das formas, trismegisto
princípio de arte, a um teu aceno brando.
Essa alegria de criar, que é tua
explanação maior e mais tocante,
fica girando no ar, enquanto avulta,
em sensação de perda, teu semblante.
Cortês amigo, a fala baixa, o manso
modo de conviver, e a dura crítica,
e o mais de ti que em fantasia dança,
pois a face do artista é sempre mítica,
em movimento rápido se fecha
na rosa de teu nome, claro véu,
ó Tomás Santa Rosa... E em Nova Delhi,
o convite de Deus: pintar o céu.
Comentários (12)
Sembouquempisons
Sembouquempisons
Um pouco mais Drummond na vida.
Conheci este poema aos 12 anos e ele me tocou profundamente. Na época pensava sobre Hiroshima, mas sua sagacidade abriu minha consciência para o horror do poder e da perversidade humana. Viva Drumond!
O eterno poeta... o maior , o mias belo... o imortal encantador.
Alguma Poesia
1930
Brejo Das Almas
1934
Sentimento do Mundo
1940
José
1942
A rosa do povo
1945
Novos Poemas
1948
Claro Enigma
1951
Fazendeiro do Ar
1954
A falta que ama
1957
Versiprosa
1967
Versiprosa II
1967
A vida passada a limpo
1973
As impurezas do branco
1973
O amor natural
1978
Antologia poética
1978
Discurso de primavera e algumas sombras
1978
A paixão medida
1980
Corpo
1984
Amar se aprende amando
1985
Boitempo
1986
Farewell
1996
Daqui Estou Vendo o Amor
2013
Carlos Drummond de Andrade - Brasil Escola
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: AQUELE RESUMÃO PARA O ENEM | QUER QUE DESENHE
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: o autor que mais cai em provas | RESUMO DE LITERATURA ENEM
Carlos Drummond de Andrade por ele mesmo (Poemas)
Quando Encontrar Alguém | Poema atribuído a Drummond de Andrade mas é de Selma Soares Albuquerque
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - entrevista a Leda Nagle (1982)
Quem foi Carlos Drummond de Andrade?
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade – O Poeta de 7 faces
O Tempo Carlos Drumond de Andrade
E AGORA, JOSÉ? ANÁLISE LÓGICA (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE) | Ledo Vaccaro
Carlos Drummond de Andrade
POEMA: E Agora Jose - Na voz de Carlos Drummond de Andrade
Ausência | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
E Agora, José | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Documentário sobre Carlos Drummond de Andrade.
Amar- Marília Pêra (Carlos Drummond de Andrade)
"O PRIMEIRO AMOR PASSOU" | CARLOS DRUMMOND por María Bethânia
ALGUMA POESIA | FUVEST | Carlos Drummond de Andrade | Resumo + Análise
"DORME MEU FILHO" | Maria Bethânia | Carlos Drummond
Leda Nagle entrevista Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond De Andrade
O amor bate na aorta - Drica Moraes (Carlos Drummond de Andrade)
Vida e verso de Carlos Drummond de Andrade - filme na íntegra | Dia Drummond 2020
Os Ombros Suportam O Mundo | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Leia comigo um poema: “Memória”, de Carlos Drummond de Andrade
CLARO ENIGMA | Carlos Drummond de Andrade | Resumo + Análise
"A INSPIRAÇÃO EXISTE" | Carlos Drummond de Andrade
Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade: resumo, análise e dicas
Autorretrato - Carlos Drummond de Andrade
O HOMEM; AS VIAGENS - Carlos Drummond de Andrade
QUADRILHA - Carlos Drummond de Andrade - INTERPRETAÇÃO
NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA - Interpretação
Quando encontrar alguém, poema de Carlos Drummond de Andrade
Presépio, Carlos Drummond de Andrade | Resumo
Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade
Quero | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Diálogo De Todo O Dia | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade: resumo, análise e dicas
Não Se Mate | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
"Eu, Etiqueta", de Carlos Drummond de Andrade | Isto não é Filosofia
Carlos Drummond | Modernismo | poesia de 30 | ENEM e vestibulares
Drummondiando #3 - "Morte do leiteiro", de Carlos Drummond de Andrade
Análise do Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade) - Brasil Escola
Verdade | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
[FUVEST | UNICAMP #6] Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade) + áudio Sentimento do Mundo
Igor Guimarães | Verbo Ser | Carlos Drummond de Andrade
Filipe de Gaspari | Tarde de Maio | Carlos Drummond de Andrade
Não Se Mate - Carlos Drummond de Andrade
#450 Presépio - Carlos Drummond de Andrade - Conto um Conto
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996).
Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia. 1902 Nasce Carlos Drummond de Andrade, em 31 de outubro, na cidade de Itabira do Mato Dentro (mg), nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
1910 Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito.
1916 É matriculado como aluno interno no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco. Interrompe os estudos por motivo de saúde.
1917 De volta a Itabira, toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães.
1918 Aluno interno do Colégio Anchieta da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo, colabora na Aurora Colegial. No único exemplar do jornalzinho Maio…, de Itabira, o irmão Altivo publica o seu poema em prosa “Onda”.
1919 É expulso do colégio em consequência de incidente com o professor de português. Motivo: “insubordinação mental”.
1920 Acompanha sua família em mudança para Belo Horizonte.
1921 Publica seus primeiros trabalhos no Diário de Minas. Frequenta a vida literária de Belo Horizonte. Amizade com Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, habitués da Livraria Alves e do Café Estrela.
1922 Seu conto “Joaquim do Telhado” vence o concurso da Novela Mineira. Trava contato com Álvaro Moreyra, diretor de Para Todos… e Ilustração Brasileira, no Rio de Janeiro, que publica seus trabalhos.
1923 Ingressa na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
1924 Conhece, no Grande Hotel de Belo Horizonte, Blaise Cendrars, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que regressam de excursão às cidades históricas de Minas Gerais.
1925 Casa-se com Dolores Dutra de Morais. Participa — juntamente com Martins de Almeida, Emílio Moura e Gregoriano Canedo — do lançamento de A Revista.
1926 Sem interesse pela profissão de farmacêutico, cujo curso concluíra no ano anterior, e não se adaptando à vida rural, passa a lecionar geografia e português em Itabira. Volta a Belo Horizonte e, por iniciativa de Alberto Campos, ocupa o posto de redator e depois redator-chefe do Diário de Minas. Villa-Lobos compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de viúvo” (que iria integrar Alguma poesia, seu livro de estreia).
1927 Nasce em 22 de março seu filho, Carlos Flávio, que morre meia hora depois de vir ao mundo.
1928 Nascimento de sua filha, Maria Julieta. Publica “No meio do caminho” na Revista de Antropofagia, de São Paulo, dando início à carreira escandalosa do poema. Torna-se auxiliar na redação da Revista do Ensino, da Secretaria de Educação.
1929 Deixa o Diário de Minas e passa a trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do estado, como auxiliar de redação e, pouco depois, redator.
1930 Alguma poesia, seu livro de estreia, sai com quinhentos exemplares sob o selo imaginário de Edições Pindorama, de Eduardo Frieiro. Assume o cargo de auxiliar de gabinete de Cristiano Machado, secretário do Interior. Passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema assume o cargo.
1931 Morre seu pai.
1933 Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema durante os três meses em que este foi interventor federal em Minas.
1934 Volta às redações: Minas Gerais, Estado de Minas, Diário da Tarde, simultaneamente. Publica Brejo das almas (duzentos exemplares) pela cooperativa Os Amigos do Livro. Transfere-se para o Rio de Janeiro como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo ministro da Educação e Saúde Pública.
1935 Responde pelo expediente da Diretoria-Geral de Educação e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.
1937 Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
1940 Publica Sentimento do mundo, distribuindo entre amigos e escritores os 150 exemplares da tiragem.
1941 Mantém na revista Euclides, de Simões dos Reis, a seção “Conversa de Livraria”, assinada por “O Observador Literário”. Colabora no suplemento literário de A Manhã.
1942 Publica Poesias, na prestigiosa Editora José Olympio.
1943 Sua tradução de Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, vem a lume sob o título Uma gota de veneno.
1944 Publica Confissões de Minas.
1945 Publica A rosa do povo e O gerente. Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia do gabinete de Capanema e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como codiretor do diário comunista Tribuna Popular. Afasta-se meses depois por discordar da orientação do jornal. Trabalha na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (dphan), onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.
1946 Recebe o Prêmio de Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira.
1947 É publicada a sua tradução de Les liaisons dangereuses, de Laclos.
1948 Publica Poesia até agora. Colabora em Política e Letras. Acompanha o enterro de sua mãe, em Itabira. Na mesma hora, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é executado o “Poema de Itabira”, de Villa-Lobos, a partir do seu poema “Viagem na família”.
1949 Volta a escrever no Minas Gerais. Sua filha, Maria Julieta, casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e vai morar em Buenos Aires. Participa do movimento pela escolha de uma diretoria apolítica na Associação Brasileira de Escritores. Contudo, juntamente com outros companheiros, desliga-se da sociedade por causa de atritos com o grupo esquerdista.
1950 Viaja a Buenos Aires para acompanhar o nascimento do primeiro neto, Carlos Manuel.
1951 Publica Claro enigma, Contos de aprendiz e A mesa. O volume Poemas é publicado em Madri.
1952 Publica Passeios na ilha e Viola de bolso.
1953 Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais ao ser estabilizada sua situação de funcionário da dphan. Vai a Buenos Aires para o nascimento do seu neto Luis Mauricio. Na capital argentina aparece o volume Dos poemas.
1954 Publica Fazendeiro do ar & Poesia até agora. É publicada sua tradução de Les paysans, de Balzac. A série de palestras “Quase memórias”, em diálogo com Lia Cavalcanti, é veiculada pela Rádio Ministério da Educação. Dá início à série de crônicas “Imagens”, no Correio da Manhã, mantida até 1969.
1955 Publica Viola de bolso novamente encordoada. O livreiro Carlos Ribeiro publica edição fora de comércio do Soneto da buquinagem.
1956 Publica Cinquenta poemas escolhidos pelo autor. Sai sua tradução de Albertine disparue, ou La fugitive, de Marcel Proust.
1957 Publica Fala, amendoeira e Ciclo.
1958 Uma pequena seleção de seus poemas é publicada na Argentina.
1959 Publica Poemas. Ganha os palcos a sua tradução de Dona Rosita la Soltera, de García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura.
1960 É publicada a sua tradução de Oiseaux-Mouches Ornithorynques du Brésil, de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado. Nasce em Buenos Aires seu neto Pedro Augusto.
1961 Colabora no programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação. Morre seu irmão Altivo.
1962 Publica Lição de coisas, Antologia poética e A bolsa & a vida. Aparecem as traduções de L’oiseau bleu, de Maeterlinck, e Les fourberies de Scapin, de Molière, recebendo por esta novamente o Prêmio Padre Ventura. Aposenta-se como chefe de seção da dphan, após 35 anos de serviço público.
1963 Aparece a sua tradução de Sult (Fome), de Knut Hamsun. Recebe, pelo livro Lição de coisas, os prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do pen Clube do Brasil. Inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação.
1964 Publicação da Obra completa, pela Aguilar. Início das visitas, aos sábados, à biblioteca de Plínio Doyle, evento mais tarde batizado de “Sabadoyle”.
1965 Publicação de Antologia poética (Portugal); In the middle of the road (Estados Unidos); Poesie (Alemanha). Com Manuel Bandeira, edita Rio de Janeiro em prosa & verso. Colabora em Pulso.
1966 Publicação de Cadeira de balanço e de Natten och Rosen (Suécia).
1967 Publica Versiprosa, José & outros, Uma pedra no meio do caminho, Minas Gerais (Brasil, terra e alma), Mundo, vasto mundo (Buenos Aires) e Fyzika Strachu (Praga).
1968 Publica Boitempo & A falta que ama.
1969 Passa a colaborar no Jornal do Brasil. Publica Reunião (dez livros de poesia).
1970 Publica Caminhos de João Brandão.
1971 Publica Seleta em prosa e verso. Sai em Cuba a edição de Poemas.
1972 Publica O poder ultrajovem. Suas sete décadas de vida são celebradas em suplementos pelos maiores jornais brasileiros.
1973 Publica As impurezas do branco, Menino antigo, La bolsa y la vida (Buenos Aires) e Réunion (Paris).
1974 Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
1975 Publica Amor, amores. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura. Recusa por motivo de consciência o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
1977 Publica A visita, Discurso de primavera e Os dias lindos. É publicada na Bulgária uma antologia intitulada Sentimento do mundo. Grava 42 poemas em dois lps lançados pela PolyGram.
1978 A Editora José Olympio publica a segunda edição (corrigida e aumentada) de Discurso de primavera e algumas sombras. Publica O marginal Clorindo Gato e 70 historinhas, reunião de pequenas histórias selecionadas em seus livros de crônicas. Amar-Amargo e El poder ultrajoven saem na Argentina.
1979 Publica Poesia e prosa, revista e atualizada, pela Editora Nova Aguilar. Sai também seu livro Esquecer para lembrar.
1980 Recebe os prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Publicação de A paixão medida, En Rost at Folket (Suécia), The minus sign (eua), Poemas (Holanda) e Fleur, téléphone et jeune fille… (França).
1981 Publica, em edição fora de comércio, Contos plausíveis. Com Ziraldo, lança O pipoqueiro da esquina. Sai a edição inglesa de The minus sign.
1982 Aniversário de oitenta anos. A Biblioteca Nacional e a Casa de Rui Barbosa promovem exposições comemorativas. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publica A lição do amigo. Sai no México a edição de Poemas.
1983 Declina do Troféu Juca Pato. Publica Nova reunião e o infantil O elefante.
1984 Publica Boca de luar e Corpo. Encerra sua carreira de cronista regular após 64 anos dedicados ao jornalismo.
1985 Publica Amar se aprende amando, O observador no escritório, História de dois amores (infantil) e Amor, sinal estranho (edição de arte). Lançamento comercial de Contos plausíveis. Publicação de Fran Oxen Tid (Suécia).
1986 Publica Tempo, vida, poesia. Sofrendo de insuficiência cardíaca, passa catorze dias hospitalizado. Edição inglesa de Travelling in the family.
1987 É homenageado com o samba-enredo “O reino das palavras”, pela Estação Primeira de Mangueira, que se sagra campeã do Carnaval. No dia 5 de agosto morre sua filha, Maria Julieta, vítima de câncer. Muito abalado, morre em 17 de agosto.
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Drummond, sempre Drummond!
simplesmente o melhor e maior poeta brasileiro! Itabirano de ferro!!
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas