Lista de Poemas
Deveres
Capinar e varrer toda semana
a testada de sua residência
até o meio da rua
e, se não o fizer, pague a capina
e multa de um mil-réis cada semana.
Se mora a beira-rio, é responsável
por duzentas braças de limpeza
de sua cristalina correnteza (multa,
vinte mil).
Sua caixa de lixo, há de cobri-la
com camada de cal se houver mau cheiro
e, depois de vazia, lave a caixa,
cidadão, lave a caixa bem lavada.
No seu quintal apare os ramos
das mangueiras que exorbitam para a rua
prejudicando o trânsito nenhum.
E, se há erva-de-passarinho nos seus galhos,
ou acabe com ela ou pague multa
de cem mil-réis, eu disse cem mil-réis.
Pré-Inverno
ou todo em is? de frio fino e… — Flora!
Este babado de poetar já era.
Agora
a coisa tem que ser assim:
In
ver no par que o ver de
ar pi pila.
— Traduza para mim. — Pois não:
Inverno. Parque. O verde ar pipila.
— Não era o par que pipilava amores
no verde parque?
— Como quiser. O jogo é múltiplo.
Seja também assim:
Noverin pardever que lapipi.
— Parece nome de remédio!
— E daí? Os mais lindos sons da língua
são nomes de remédio, e cobram royalties.
Ah, declaro o papo fin-
do, antes que inverno pegue fogo.
Muito melhor ouvir o Tom Jobim
cantar, pianoviolão,
no Jardim das rosas, de sonho e medo,
no clarão das águas, no deserto negro,
enquanto, lerê, lará,
o Matita Perê negaceia:
“Eu quero ver, eu quero ver
você me pegar.”
Quem pega Tom Jobim, no Rancho das nuvens,
de Nuvens douradas? Leva Ana Luísa
no Trem para Cordisburgo. Conta-lhe
a Crônica da casa assassinada.
Fala de Milagres e palhaços,
e se é Tempo de mar, com Pedrinho de Morais,
Chora o coração de Vinicius de Moraes.
Fluem, fluem
as Águas de março e vai fluindo
em poesia rosiana
o límpido som
de Tom,
na palma da mão, cor do Brasil.
Vejo camisolas de algodão
(modelos decotados) nas vitrinas;
frente única de lã, e barriguinhas
de fora, desfilando na calçada.
É um frio maroto, com saudade
do verão, ou o verão reincidente
a infiltrar-se, maroto, neste inverno?
De pés de lã, brotos de Lan
mimam na praia o rito carioca:
(in) verniverão.
O rito?
O mito?
Esta cidade é um tanto periquito
australiano, de assobio colorido
especialmente alegre todo ano,
e faz do pré-inverno pré-estreia
do calor de dezembro a florescer
na rosinha do umbigo das garotas.
Cai um pingo de chuva nesta página?
Salta do solo o Sol e sela a sala
de ouro.
— Não é nada disto (protesta o Poet/Sintétiko),
Negó seguin:
RIO RAIO RISTE
PRAIA SPRAY
SOL
SAL
SUL
SAL MAIOR
SUL MELHOR
SOL BEMOL
12/05/1973
Em Março, Esta Semana
não no Distrito: em casa, ante o combate
de Cassius Clay e Frazier… Que tristeza
ver Muhammad Ali tatibitate,
hesitando, caindo, prolongando
por 15 rounds nossa aflição inglória:
Vai resistir? Virar a luta? Quando
acaba esta cruenta e lenta história?
Sem apostar um dólar ou cruzeiro
(pois nutro por tabefes sacro enjoo),
lamento haver perdido: o palradeiro
tem minha simpatia no seu voo
rumo à ideia de paz, num mundo em guerra.
Até um boxeador acusa o vício
de nos entrematarmos sobre a Terra,
este açougue instalado num hospício.
Lá se foi Harold Lloyd, um velho chapa
do tempo em que o cinema era calado
e a gente é que falava… Eis que à socapa
voltam risos e sombras do passado.
— Viu Carlito no Circo? — Não quis ver,
pois já não sou o broto carlitiano,
e procurando nele o antigo ser,
não mais o encontro… Deve haver engano.
Mudaria Carlito ou mudei eu?
(Sempre me perseguindo o eterno Assis,
como se a vida não me houvesse assaz
revelado o segredo de uma noz
escondida num papo de avestruz.)
A rima neste ponto se perdeu,
mas que importa? Se a Light não me apaga
a luz, visitarei com Geysa Bôscoli
(oh, abram alas!) Chiquinha Gonzaga
no livro que através o tempo fosco lhe
recorda o humano e musical perfil.
Que mulher e que mina de talento
em polca, xote, valsa, tango, mil
composições, arte lançada ao vento!
Mas que é isso, no Parque de Iguaçu?
Que diz o Frisch? Por manhas de posseiros
vejo as fontes secando e o solo nu?
Roubam nossos tesouros derradeiros?
Orlando Villas-Boas, por seu lado,
no Parque do Xingu, pede magoado:
— Mudem-me, por favor, esse traçado
de rodovia, que desmantelado
deixa o viver do índio na floresta
e nada lhe oferece além da triste
integração, essa ilusória festa
a que ele, sem defesa, não resiste.
Falar em índio, grande livro este,
novinho, de Darcy Ribeiro. Leste?
Uma serena avaliação de dados
a serem fundamente meditados
enquanto não se extingue a velha raça
de teto errante e de ventura escassa.
Já não mais tranço as rimas, e daí?
Parelhas são, mas contam o que li,
o que vi (ou não vi), prestando ouvido
na direção do terceiro partido.
Quem é que vai fundar, que pioneiro,
um que falta; o primeiro e verdadeiro?
Havia de ser bom. Mas como? Onde?
O eco anda maroto, não responde.
E vem-me a tentação, mais uma vez,
de romper estruturas… Um, dois, três:
“Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada…”
— Mas isto é de Bilac! — Então, adeus… Mais nada.
13/03/1971
Nova Rua São José
tiro de meus alforjes lexicais
o mais puro louvor a Gildo Borges,
renovador da Rua São José.
Quem ali passa logo se detém,
senta no banco (banco de sentar,
não de pagar imposto e duplicata)
e escuta, embevecido, uma sonata.
De que piano vem, música errante,
se não vejo instrumento musical?
Vem de sentir no ar essa aliança
entre a cidade e a forma natural.
É pedaço de rua, por enquanto,
mas nele se devolve à criatura
o pouso, a paz, a pomba, o pensamento
de existir, existindo com doçura.
Em seus vasos, a múltipla folhagem,
ainda tímida, pede-nos licença
para nos ofertar sua presença
consoladora do monstro-garagem.
A flor, em flor, na rua — que convite
ao passante angustiado: “Para um pouco.
Dez ou quinze minutos de far niente
e voltarás depois ao mundo louco.
Mas voltarás de cuca restaurada,
alma leve, levando na lembrança
um bailado de asas e a dourada
alegria da hora lenta e mansa.
Aqui não te perseguem carro trêfego,
maléfica fumaça, rumor túrbido,
aqui encontrarás paradisíaca
pasárgada de pobre e milionário.
Aqui é teu domínio; aqui és rei
de teu nariz, das nuvens e das aves,
e fruirás o simples estar quieto,
erigindo o relax em tua lei”.
Assim murmura a flor, e corre a brisa,
“Apoiado”, ciciando ao perpassar,
enquanto São José, na sua igreja,
e Tiradentes põem-se a meditar
(pois estátua medita) e os dois reunidos
aprovam Gildo Borges e seu sonho
de tornar a cidade mais humana
e cada ser humano mais humano.
11/08/1973
Forja
dinheiro para montar
a forja.
Que faz a forja? Espingardas
e vende para o governo.
Os soldados de espingarda
foram prender criminoso
foram fazer eleição
foram caçar passarinho
foram dar tiros a esmo
e viva o governo e viva
nossa indústria matadeira.
Microlira
Esta dúvida mordente
eu peço que se esclareça.
Quando a música é mais quente:
com cabeça ou sem cabeça?
Arte
No Salão Moderno
obras se desfazem
antes de exibidas.
Resumo:
são consumidas
em autoconsumo.
Solução
O papagaio atleticano
não vai calar o gol do Galo,
e não é justo nenhum plano
que tenha em mira silenciá-lo.
Evitem, pois, brigas forenses.
Outro projeto, mais certeiro,
aqui proponho aos cruzeirenses:
É ensinar: “Gol do Cruzeiro”
a um papagaio de igual força.
Haja, entre os dois, uma peleja
em que cada mineiro torça,
e, entre foguetes e cerveja,
o papagaio vitorioso
proclamado seja campeão
desse grato esporte verboso
de que sente falta a Nação.
Trato e distrato
Em Paris, um tratado
gravemente firmado
renova outro tratado
longamente ajustado,
pesado, blablablado,
que tinha estruturado
o muito fofocado
acordo estipulado,
agora validado
e bem atualizado
para ser destratado
por um outro lado
conforme for do agrado
ou não, e emaranhado
o risco do bordado
da guerra do passado,
amanhã retramado.
Tudo bem combinado,
medido e conformado,
eis fica evidenciado:
Todo e qualquer tratado
deve ser observado
como papo-furado.
A renda cortada
Ante o decisório
voto do Supremo,
ai — geme o notário,
no amargor extremo.
Público e notório
o ganho planetário
deste meu cartório?
Sim, mas que precário!
Falta uma cartilha
Problema na pista:
Educar pedestre
mais o motorista.
Mas cadê o mestre
que eduque automóvel?
Força do hábito
Em grupo ou sozinho,
em casa ou em viagem,
de avião ou balsa,
Nixon, precavido,
no bolso da calça
leva o aparelhinho
de autoespionagem.
Dúvida
A paz entre os maçons
pede acurado exame.
Será mais complicada
que a paz no Vietname?
Superstição
Por mera precaução
ou velada crendice,
para evitar desgosto
resolve João Brandão:
— Chegando a um alto posto,
serei meu próprio vice.
Enigma
Faço e ninguém me responde
esta perguntinha à toa:
Como pode o peixe vivo
morrer dentro da Lagoa?
16/06/1973
Lira Pedestre
Simone de Beauvoir, tua lição
não me interessa, não, sobre a velhice.
Prefiro agora ver José da Cruz,
mineiro de Ouro Preto (quem diria?),
trabalhando de dar sumiço a velhos.
“Já não valem mais nada”, ele declara.
Como não? Valem muito: à custa deles,
cria José, em meio à vida cara,
uma nova e rendosa profissão.
No balcão
O cafezinho está mais caro?
Sabe melhor o cafezinho?
De diâmetro aumentou a xícara?
A colherzinha não é mais de prata
(se algum dia foi), e um sorriso
de boas-vindas nos acolhe
sob os bigodes do gerente?
É mais café o cafezinho,
mais quente, inspira mais piadas
a seus costumeiros clientes?
Tem um pó mais fino, o adoçante
não mata mais que o ciclamato,
e há no açúcar um princípio
de tornar o dia contente
quando o céu da boca relembra
o cafezinho em pé tomado?
O cafezinho contém mesmo
café do bom, que a velha casa
de nosso avô servia a todos,
e repetiam todos, uai?
Não. Simplesmente, meus amigos,
o cafezinho está mais caro.
Acordo entre cavalheiros
O esquadrão primeiro, depois
de liquidar mil marginais,
ao esquadrão número dois
se dirigiu em termos tais:
— Se tu me tascas, eu te tasco,
não sobra um para semente.
É melhor acordo: um carrasco
não deve morrer inocente!
Quem avisa amigo é
Que vontade antiga de ir a Roma,
ver as coisas antigas, sentir
a alma antiga das coisas.
Certa manhã,
entrar na Basílica de São Pedro,
procurar Miguel Ângelo:
ainda briga muito com Bramante?
Depois, ajoelhar-me,
pedir a Deus a graça, entre milhares,
de que careço…
— Ah, isso não — adverte Paulo VI
em amistoso alarme:
É tão esplendoroso aqui, bofé,
que rezar nesta igreja não dá pé.
25/04/1970
Ver E Ouvir, Sem Brincar
— Você vai brincar no carnaval?
Brincar, irmão, quem pode brincar
se perdida foi a ideia de brinquedo?
Alguns ainda perguntam:
— Como é? Vai pular no carnaval?
Então é isso a festa: um pulo
e outro pulo e mais outro? Neste caso,
campeoníssimo seria o João do Pulo.
O que ouço dizer é simplesmente:
— Vai ver o carnaval?
Conclusão, ano 80:
Carnaval
é o visual.
Você não brinca mais,
nem mesmo pula mais
na rua hoje deserta, no salão
onde um suor se liga a outro suor
e ar condicionado é falta de ar.
Que pode o folião? Acaso existe ainda,
e funciona, essa palavra folião?
Folia, antiga dança rápida
que o adufe acompanha, no dizer
de sábio, antigo, dicionário.
Quem me dança a folia, quem folia,
quem, fol ou fou, folâtre, folichon, folle,
fool, pratica o foliar?
Ah, sim, o sambista e sua escola
foliando para turistas e a distinta
Comissão Julgadora. Pontos! Pontos!
Quesitos mais quesitos! Briga feia
nessa programação oficial
que garimpa e governa o carnaval.
Foliam para os outros. Não foliam
pelo gosto,
pela graça,
pelo orgasmo de foliar, loucura santa,
desabrochar do corpo em rosa súbita,
em penacho, batuque, diabo, mico,
chama, cometa, esguicho, gargalhada,
a cambalhota em si, o riso puro,
o puro libertar-se da prisão
que cada um carrega em sua liberdade
vigiada, medida, escriturada.
Então pego uma sobra, vou olhar,
ouvir
a cor, o som, o balancê padronizado
que rioturisticamente se oferece
ao mercado da vista e dos ouvidos.
Eu vejo, não me integro,
não participo, não sou o grande todo,
nem o grande todo é mesmo todo e tudo.
Entre o olho e o desfile,
a arquibancada corta o meu impulso
de ser um com eles, ir com eles
pela rua afora,
pelo sonho afora.
A rua, onde ficou
a velha rua, seu espaço de brincar,
seu aberto salão a céu aberto,
sem entrada paga, sem cambistas
e fiscais?
O carnaval é rua, não teatro,
não show, produto industrial
monumental
a ser consumido numa noite
de lenta evolução
e classes divididas
pelo respeitável público pagante.
Como comprar, como pagar
o que não tem preço e chama-se
alegria?
16/02/1980
Os Gloriosos
domicílio perpétuo dos Antigos,
pois assim deve ser: volta dos filhos
da Santa Madre à Matriz do batismo,
para serem pisados como pó
e lembrados como reis.
Caso Pluvioso
descobri que maria é que chovia.
A chuva era maria. E cada pingo
de maria ensopava o meu domingo.
E meus ossos molhando, me deixava
como terra que a chuva lavra e lava.
Eu era todo barro, sem verdura…
maria, chuvosíssima criatura!
Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono, e o resto.
Era chuva fininha e chuva grossa,
matinal e noturna, ativa… Nossa!
Não me chovas, maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.
Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!
Eu lhe dizia em vão — pois que maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.
E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho,
que não aquece, pois água de chuva
mosto é de cinza, não de boa uva.
Chuvadeira maria, chuvadonha,
chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!
Eu lhe gritava: Para! e ela chovendo,
poças d’água gelada ia tecendo.
Choveu tanto maria em minha casa
que a correnteza forte criou asa
e um rio se formou, ou mar, não sei,
sei apenas que nele me afundei.
E quanto mais as ondas me levavam,
as fontes de maria mais chuvavam,
de sorte que com pouco, e sem recurso,
as coisas se lançaram no seu curso,
e eis o mundo molhado e sovertido
sob aquele sinistro e atro chuvido.
Os seres mais estranhos se juntando
na mesma aquosa pasta iam clamando
contra essa chuva, estúpida e mortal
catarata (jamais houve outra igual).
Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas d’água mais deliram,
e maria, torneira desatada,
mais se dilata em sua chuvarada.
Os navios soçobram. Continentes
já submergem com todos os viventes,
e maria chovendo. Eis que a essa altura,
delida e fluida a humana enfibratura,
e a terra não sofrendo tal chuvência,
comoveu-se a Divina Providência,
e Deus, piedoso e enérgico, bradou:
Não chove mais, maria! — e ela parou.
(vb)
Comentários (12)
Sembouquempisons
Sembouquempisons
Um pouco mais Drummond na vida.
Conheci este poema aos 12 anos e ele me tocou profundamente. Na época pensava sobre Hiroshima, mas sua sagacidade abriu minha consciência para o horror do poder e da perversidade humana. Viva Drumond!
O eterno poeta... o maior , o mias belo... o imortal encantador.
Alguma Poesia
1930
Brejo Das Almas
1934
Sentimento do Mundo
1940
José
1942
A rosa do povo
1945
Novos Poemas
1948
Claro Enigma
1951
Fazendeiro do Ar
1954
A falta que ama
1957
Versiprosa
1967
Versiprosa II
1967
A vida passada a limpo
1973
As impurezas do branco
1973
O amor natural
1978
Antologia poética
1978
Discurso de primavera e algumas sombras
1978
A paixão medida
1980
Corpo
1984
Amar se aprende amando
1985
Boitempo
1986
Farewell
1996
Daqui Estou Vendo o Amor
2013
Carlos Drummond de Andrade - Brasil Escola
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: AQUELE RESUMÃO PARA O ENEM | QUER QUE DESENHE
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: o autor que mais cai em provas | RESUMO DE LITERATURA ENEM
Carlos Drummond de Andrade por ele mesmo (Poemas)
Quando Encontrar Alguém | Poema atribuído a Drummond de Andrade mas é de Selma Soares Albuquerque
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - entrevista a Leda Nagle (1982)
Quem foi Carlos Drummond de Andrade?
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade – O Poeta de 7 faces
O Tempo Carlos Drumond de Andrade
E AGORA, JOSÉ? ANÁLISE LÓGICA (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE) | Ledo Vaccaro
Carlos Drummond de Andrade
POEMA: E Agora Jose - Na voz de Carlos Drummond de Andrade
Ausência | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
E Agora, José | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Documentário sobre Carlos Drummond de Andrade.
Amar- Marília Pêra (Carlos Drummond de Andrade)
"O PRIMEIRO AMOR PASSOU" | CARLOS DRUMMOND por María Bethânia
ALGUMA POESIA | FUVEST | Carlos Drummond de Andrade | Resumo + Análise
"DORME MEU FILHO" | Maria Bethânia | Carlos Drummond
Leda Nagle entrevista Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond De Andrade
O amor bate na aorta - Drica Moraes (Carlos Drummond de Andrade)
Vida e verso de Carlos Drummond de Andrade - filme na íntegra | Dia Drummond 2020
Os Ombros Suportam O Mundo | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Leia comigo um poema: “Memória”, de Carlos Drummond de Andrade
CLARO ENIGMA | Carlos Drummond de Andrade | Resumo + Análise
"A INSPIRAÇÃO EXISTE" | Carlos Drummond de Andrade
Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade: resumo, análise e dicas
Autorretrato - Carlos Drummond de Andrade
O HOMEM; AS VIAGENS - Carlos Drummond de Andrade
QUADRILHA - Carlos Drummond de Andrade - INTERPRETAÇÃO
NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA - Interpretação
Quando encontrar alguém, poema de Carlos Drummond de Andrade
Presépio, Carlos Drummond de Andrade | Resumo
Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade
Quero | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Diálogo De Todo O Dia | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade: resumo, análise e dicas
Não Se Mate | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
"Eu, Etiqueta", de Carlos Drummond de Andrade | Isto não é Filosofia
Carlos Drummond | Modernismo | poesia de 30 | ENEM e vestibulares
Drummondiando #3 - "Morte do leiteiro", de Carlos Drummond de Andrade
Análise do Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade) - Brasil Escola
Verdade | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
[FUVEST | UNICAMP #6] Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade) + áudio Sentimento do Mundo
Igor Guimarães | Verbo Ser | Carlos Drummond de Andrade
Filipe de Gaspari | Tarde de Maio | Carlos Drummond de Andrade
Não Se Mate - Carlos Drummond de Andrade
#450 Presépio - Carlos Drummond de Andrade - Conto um Conto
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996).
Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia. 1902 Nasce Carlos Drummond de Andrade, em 31 de outubro, na cidade de Itabira do Mato Dentro (mg), nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
1910 Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito.
1916 É matriculado como aluno interno no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco. Interrompe os estudos por motivo de saúde.
1917 De volta a Itabira, toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães.
1918 Aluno interno do Colégio Anchieta da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo, colabora na Aurora Colegial. No único exemplar do jornalzinho Maio…, de Itabira, o irmão Altivo publica o seu poema em prosa “Onda”.
1919 É expulso do colégio em consequência de incidente com o professor de português. Motivo: “insubordinação mental”.
1920 Acompanha sua família em mudança para Belo Horizonte.
1921 Publica seus primeiros trabalhos no Diário de Minas. Frequenta a vida literária de Belo Horizonte. Amizade com Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, habitués da Livraria Alves e do Café Estrela.
1922 Seu conto “Joaquim do Telhado” vence o concurso da Novela Mineira. Trava contato com Álvaro Moreyra, diretor de Para Todos… e Ilustração Brasileira, no Rio de Janeiro, que publica seus trabalhos.
1923 Ingressa na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
1924 Conhece, no Grande Hotel de Belo Horizonte, Blaise Cendrars, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que regressam de excursão às cidades históricas de Minas Gerais.
1925 Casa-se com Dolores Dutra de Morais. Participa — juntamente com Martins de Almeida, Emílio Moura e Gregoriano Canedo — do lançamento de A Revista.
1926 Sem interesse pela profissão de farmacêutico, cujo curso concluíra no ano anterior, e não se adaptando à vida rural, passa a lecionar geografia e português em Itabira. Volta a Belo Horizonte e, por iniciativa de Alberto Campos, ocupa o posto de redator e depois redator-chefe do Diário de Minas. Villa-Lobos compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de viúvo” (que iria integrar Alguma poesia, seu livro de estreia).
1927 Nasce em 22 de março seu filho, Carlos Flávio, que morre meia hora depois de vir ao mundo.
1928 Nascimento de sua filha, Maria Julieta. Publica “No meio do caminho” na Revista de Antropofagia, de São Paulo, dando início à carreira escandalosa do poema. Torna-se auxiliar na redação da Revista do Ensino, da Secretaria de Educação.
1929 Deixa o Diário de Minas e passa a trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do estado, como auxiliar de redação e, pouco depois, redator.
1930 Alguma poesia, seu livro de estreia, sai com quinhentos exemplares sob o selo imaginário de Edições Pindorama, de Eduardo Frieiro. Assume o cargo de auxiliar de gabinete de Cristiano Machado, secretário do Interior. Passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema assume o cargo.
1931 Morre seu pai.
1933 Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema durante os três meses em que este foi interventor federal em Minas.
1934 Volta às redações: Minas Gerais, Estado de Minas, Diário da Tarde, simultaneamente. Publica Brejo das almas (duzentos exemplares) pela cooperativa Os Amigos do Livro. Transfere-se para o Rio de Janeiro como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo ministro da Educação e Saúde Pública.
1935 Responde pelo expediente da Diretoria-Geral de Educação e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.
1937 Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
1940 Publica Sentimento do mundo, distribuindo entre amigos e escritores os 150 exemplares da tiragem.
1941 Mantém na revista Euclides, de Simões dos Reis, a seção “Conversa de Livraria”, assinada por “O Observador Literário”. Colabora no suplemento literário de A Manhã.
1942 Publica Poesias, na prestigiosa Editora José Olympio.
1943 Sua tradução de Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, vem a lume sob o título Uma gota de veneno.
1944 Publica Confissões de Minas.
1945 Publica A rosa do povo e O gerente. Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia do gabinete de Capanema e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como codiretor do diário comunista Tribuna Popular. Afasta-se meses depois por discordar da orientação do jornal. Trabalha na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (dphan), onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.
1946 Recebe o Prêmio de Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira.
1947 É publicada a sua tradução de Les liaisons dangereuses, de Laclos.
1948 Publica Poesia até agora. Colabora em Política e Letras. Acompanha o enterro de sua mãe, em Itabira. Na mesma hora, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é executado o “Poema de Itabira”, de Villa-Lobos, a partir do seu poema “Viagem na família”.
1949 Volta a escrever no Minas Gerais. Sua filha, Maria Julieta, casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e vai morar em Buenos Aires. Participa do movimento pela escolha de uma diretoria apolítica na Associação Brasileira de Escritores. Contudo, juntamente com outros companheiros, desliga-se da sociedade por causa de atritos com o grupo esquerdista.
1950 Viaja a Buenos Aires para acompanhar o nascimento do primeiro neto, Carlos Manuel.
1951 Publica Claro enigma, Contos de aprendiz e A mesa. O volume Poemas é publicado em Madri.
1952 Publica Passeios na ilha e Viola de bolso.
1953 Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais ao ser estabilizada sua situação de funcionário da dphan. Vai a Buenos Aires para o nascimento do seu neto Luis Mauricio. Na capital argentina aparece o volume Dos poemas.
1954 Publica Fazendeiro do ar & Poesia até agora. É publicada sua tradução de Les paysans, de Balzac. A série de palestras “Quase memórias”, em diálogo com Lia Cavalcanti, é veiculada pela Rádio Ministério da Educação. Dá início à série de crônicas “Imagens”, no Correio da Manhã, mantida até 1969.
1955 Publica Viola de bolso novamente encordoada. O livreiro Carlos Ribeiro publica edição fora de comércio do Soneto da buquinagem.
1956 Publica Cinquenta poemas escolhidos pelo autor. Sai sua tradução de Albertine disparue, ou La fugitive, de Marcel Proust.
1957 Publica Fala, amendoeira e Ciclo.
1958 Uma pequena seleção de seus poemas é publicada na Argentina.
1959 Publica Poemas. Ganha os palcos a sua tradução de Dona Rosita la Soltera, de García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura.
1960 É publicada a sua tradução de Oiseaux-Mouches Ornithorynques du Brésil, de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado. Nasce em Buenos Aires seu neto Pedro Augusto.
1961 Colabora no programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação. Morre seu irmão Altivo.
1962 Publica Lição de coisas, Antologia poética e A bolsa & a vida. Aparecem as traduções de L’oiseau bleu, de Maeterlinck, e Les fourberies de Scapin, de Molière, recebendo por esta novamente o Prêmio Padre Ventura. Aposenta-se como chefe de seção da dphan, após 35 anos de serviço público.
1963 Aparece a sua tradução de Sult (Fome), de Knut Hamsun. Recebe, pelo livro Lição de coisas, os prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do pen Clube do Brasil. Inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação.
1964 Publicação da Obra completa, pela Aguilar. Início das visitas, aos sábados, à biblioteca de Plínio Doyle, evento mais tarde batizado de “Sabadoyle”.
1965 Publicação de Antologia poética (Portugal); In the middle of the road (Estados Unidos); Poesie (Alemanha). Com Manuel Bandeira, edita Rio de Janeiro em prosa & verso. Colabora em Pulso.
1966 Publicação de Cadeira de balanço e de Natten och Rosen (Suécia).
1967 Publica Versiprosa, José & outros, Uma pedra no meio do caminho, Minas Gerais (Brasil, terra e alma), Mundo, vasto mundo (Buenos Aires) e Fyzika Strachu (Praga).
1968 Publica Boitempo & A falta que ama.
1969 Passa a colaborar no Jornal do Brasil. Publica Reunião (dez livros de poesia).
1970 Publica Caminhos de João Brandão.
1971 Publica Seleta em prosa e verso. Sai em Cuba a edição de Poemas.
1972 Publica O poder ultrajovem. Suas sete décadas de vida são celebradas em suplementos pelos maiores jornais brasileiros.
1973 Publica As impurezas do branco, Menino antigo, La bolsa y la vida (Buenos Aires) e Réunion (Paris).
1974 Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
1975 Publica Amor, amores. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura. Recusa por motivo de consciência o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
1977 Publica A visita, Discurso de primavera e Os dias lindos. É publicada na Bulgária uma antologia intitulada Sentimento do mundo. Grava 42 poemas em dois lps lançados pela PolyGram.
1978 A Editora José Olympio publica a segunda edição (corrigida e aumentada) de Discurso de primavera e algumas sombras. Publica O marginal Clorindo Gato e 70 historinhas, reunião de pequenas histórias selecionadas em seus livros de crônicas. Amar-Amargo e El poder ultrajoven saem na Argentina.
1979 Publica Poesia e prosa, revista e atualizada, pela Editora Nova Aguilar. Sai também seu livro Esquecer para lembrar.
1980 Recebe os prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Publicação de A paixão medida, En Rost at Folket (Suécia), The minus sign (eua), Poemas (Holanda) e Fleur, téléphone et jeune fille… (França).
1981 Publica, em edição fora de comércio, Contos plausíveis. Com Ziraldo, lança O pipoqueiro da esquina. Sai a edição inglesa de The minus sign.
1982 Aniversário de oitenta anos. A Biblioteca Nacional e a Casa de Rui Barbosa promovem exposições comemorativas. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publica A lição do amigo. Sai no México a edição de Poemas.
1983 Declina do Troféu Juca Pato. Publica Nova reunião e o infantil O elefante.
1984 Publica Boca de luar e Corpo. Encerra sua carreira de cronista regular após 64 anos dedicados ao jornalismo.
1985 Publica Amar se aprende amando, O observador no escritório, História de dois amores (infantil) e Amor, sinal estranho (edição de arte). Lançamento comercial de Contos plausíveis. Publicação de Fran Oxen Tid (Suécia).
1986 Publica Tempo, vida, poesia. Sofrendo de insuficiência cardíaca, passa catorze dias hospitalizado. Edição inglesa de Travelling in the family.
1987 É homenageado com o samba-enredo “O reino das palavras”, pela Estação Primeira de Mangueira, que se sagra campeã do Carnaval. No dia 5 de agosto morre sua filha, Maria Julieta, vítima de câncer. Muito abalado, morre em 17 de agosto.
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Drummond, sempre Drummond!
simplesmente o melhor e maior poeta brasileiro! Itabirano de ferro!!
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas