Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa é um poeta cuja obra se caracteriza pela sua abordagem lírica e contemplativa da vida, explorando as profundezas da emoção humana e a beleza do quotidiano. A sua poesia é frequentemente marcada por uma linguagem acessível, mas carregada de significado, que convida à reflexão. Os temas centrais da sua escrita incluem a passagem do tempo, a natureza, o amor e a busca por um sentido mais profundo na existência. A sua voz poética é, por vezes, melancólica, mas sempre impregnada de uma esperança subtil e de uma profunda humanidade.

n. , Lisboa, Mártires, Reino de Portugaldata_morte = {{nowrap|{{morte|lang=pt|30|11|1935|13|6|1888 · m. , Macao

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Tempos

hastes esguias
lançam roxos sobre
a primavera
pedestres caminham
nas nuvens
homens anseiam alturas
verticalizam

tempos de consumo
descrenças
de prédios sem janelas
de deuses perdidos
na história
de casebres sem luzes
nas varandas

ruas vermelhas
não cabem em telas
soterradas
sementes aguardam o momento
para reflorestar

vôo branco
na distância
transparência de mar
o verde desce
debruçado
sobre um rio

a contra-mão da vida
sinalizada
por uma bandeira vermelha
tempos de secas
e pragas
de argamassa em paliçada
corredeiras a nos escorrer
por labirintos

sinto cheiros
um perfume conhecido
exala de seu corpo adormecido:
tempos de amor

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Poemas

16

Tempos

hastes esguias
lançam roxos sobre
a primavera
pedestres caminham
nas nuvens
homens anseiam alturas
verticalizam

tempos de consumo
descrenças
de prédios sem janelas
de deuses perdidos
na história
de casebres sem luzes
nas varandas

ruas vermelhas
não cabem em telas
soterradas
sementes aguardam o momento
para reflorestar

vôo branco
na distância
transparência de mar
o verde desce
debruçado
sobre um rio

a contra-mão da vida
sinalizada
por uma bandeira vermelha
tempos de secas
e pragas
de argamassa em paliçada
corredeiras a nos escorrer
por labirintos

sinto cheiros
um perfume conhecido
exala de seu corpo adormecido:
tempos de amor

1 083

Fêmeas

Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.

Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.

1 058

Raízes

enfio
meu pau em sua vagina
enraízo
sou falo
és a terra de minhas raízes
a nutrir o gozo
sou tronco
enfiado na terra de seu corpo
sou raiz
és o solo
eu apenas o agregado
és chupa
onde deposito minhas sementes
vestígios
que escoam na geratriz

936

Orgasmo

beijo seus pêlos
até um pentelho descansar entredentes
chupo seu clitóris
com sabor de licor de chocolate
enfio meu gozo dentro de seu poço
e relaxo
língua com língua

1 233

Animal

seu perfume
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal

sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.

890

Queda

bailar em nuvens
névoas
despencar em tênues
fios de linha

teias-de-vida

tecer em seda
em algum cotovelo do mundo
um tapete
mosaico de vazios
e abismos
um nada quase tudo
meu hábitat

de palpável:

sua tosse
seu corpo
queda-
livre

1 057

Preso

caem
os cabelos encaracolados
como água ao vento

olhar
de quem pensa tudo
saber
e nada temer

ao redor
olhares ferinos
cheiros e sabores aguardam
a presa
num falso olhar de quem observa
a vida calmamente...
pelo retrovisor

880

Amantepoesia

tê-la
silhueta e essência
em claros-escuros
sem ser a outra

atrair
meus minutos vazios
em sensuais
signos-fascínios

aprisioná-la
ao redor de mudas
máscaras-vozes
amarras

suas unhas absorvem
ontens
aderem hojes
rompem o amanhã

um sol espreita
seus passos
serem roubados
pelo mar

para amantepoesia
não há lugar
quando é dia

828

Ritual

seus olhos
ovulam um verde mediterrâneo
espermatozóides
agitam-se em gôndolas
sua língua
passeia em minha boca
meu pênis
endurece e penetra sua vagina

gozemos
há um ritual de procriação
mergulhado
nesses olhos verdes
: quem sabe
dele nascerá algum poeminha?

1 062

Tertúlia erótica

chula
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar

991

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