Lista de Poemas

Sinto em meu corpo

Sinto em meu corpo
sua língua.
Que me arde
Como se fosse
um chicote
de
fogo.

E mesmo que
eu não queira
me induz
a jogar
o seu
jogo.

Me entorpece
os sentidos,
abafa-me
os gemidos
até provocar
o meu
gozo.

Que poder
é esse?
Que sedução
devassa,
é essa
que sinto
sempre
que você
me abraça?

Só de lhe ver
me arrepia
a pele, em
choques
térmicos.
E me rendo
pacífica
aos seus
desejos
hipotéticos.

Me excita e
me choca
a sua ousadia.
Mas sempre
mais e mais,
como num
crescendo,
embarco
na sua
fantasia.

E quando
entregue
aos nossos
devaneios
sentindo
em meu
corpo
os seus
meneios,
nada mais
importa.

Abrimos do desejo
as portas,
simplesmente
porque
você é
meu homem
e eu...
sou sua
mulher...

1 240

Florência

É só Florência.
Menina Inocência.
Nem tanto, já que na esquina
na casa amarela conhecida, faz
o seu canto.

Florência que nas tardes singelas,
nos cabelos uma rosa amarela,
através do decote do vestido de alças, vermelho,
deixa entrever os bicos dos seios..

E os olhos cobiçosos,
por debaixo da janela a passar,
gulosos ficam ali a pousar.

Abrindo a porta,
a puta se deita na cama,
se desfaz do vestido e se deixa olhar.

Abrindo as pernas longas e bem feitas,
deixa entrever a mata macia de pêlos
por onde a gruta sedenta se oferece para
a sede dos homens saciar...

Desfilando pela tarde
a noite adentrando, um a um
vão os fregueses deixando
na cama, ao lado,
o vintém que pela manhã,
o pão irá comprar.

E abre-se a moça, de seios
fartos e perfeitos, bicos duros
para o teto apontando, oferecendo-se
a todos que queiram ali mamar.

Entre as pernas o calor e o cheiro
da fêmea possuída, da puta perdida
que bem sabe como cavalgar.

E quando a noite vai a meio,
despede-se do último romeiro.
Com um sorriso nos lábios,
após seu banho de cheiro,
posta-se novamente à janela
ficando a lua a espiar...

Já não é Florência...
Agora é Inocência, cantando
baixinho uma suave canção.
Pedindo a lua que ilumine o
caminho, pra que rápido chegue
o moço bonito. Seu príncipe encantado.
Que a leve na garupa do fogoso alazão.

Florência, Inocência...
Donzela virgem em seu coração...

888

O ato

Nossos corpos se abraçam,
as mãos se entrelaçam.
Nos olhos o desejo,
nas bocas que se unem
a ânsia dos beijos.
A respiração se entrecorta.
Minhas mãos acariciam seu corpo,
que responde ao meu
em busca da posse.

Meus seios, nas suas mãos,
duas taças que transbordam
o vinho do prazer.
Suas mãos, as minhas..
caminham entre nossas pernas,
buscando passagens secretas.

A fenda que umedece, se abre,
recebe o falo ereto
que penetra, mete, arremete,
se inunda de louco prazer...

Minha voz num sussurro,
tenta eliminar seu cansaço...
Sua fronte no meu colo pousa,
serena, em descaso...
Minhas mãos,
Qual plumas,
passeiam ávidas pelo teu corpo...

Minha boca te acaricia
e no mais profundo
do teu ser... Vem amparar teu gozo.

Sempre e mais, nos debatemos
nesse desejo louco,
que cresce, entumece, alaga e
despe nossas almas
e nos faz feliz, por ora...
Com tão pouco!

1 073

Desejo

Vem...
Que te espero... nua...
Não mais ha lugar para o pudor...

Vem...que te quero, nu...
Fecha-me os olhos com teus beijos,
faz-me sonhar com teus desejos...
Faça-me mulher com teu ardor...

Vem...
Que quero agora
acariciar teu corpo levemente,
beijar-te os lábios, sofregamente...
Sugar tua seiva com minha
boca quente...

Deixar-me penetrar por teu furor...
Vem...
que sou mulher,
te quero homem,
vem...
deixa-me viver esta fantasia
de amor...

1 460

Som de mulher

Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.

Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?

São meus dedos.

Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.

Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.

São meus beijos.

Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.

Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.

Estou provando seu gosto.

Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.

Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.

Você está dentro de mim.

Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...

Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.

Não me procure.
Como a tarde dessa primavera

Eu já fui...

1 136

Comentários (1)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Peter
Peter

Vc nao mudou nada apenas esta com alguns anos mais de mvida desde o ultimo encontro a 55 anos atras! Sua atraçao indomavel é a mesma!peter.muller@mail.ch

Identificação e contexto básico

Asta Vonzodas foi uma escritora e poetisa portuguesa, cuja obra se insere no panorama literário contemporâneo. O seu nome evoca uma forte identidade cultural portuguesa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e a formação de Asta Vonzodas não são amplamente divulgadas. No entanto, a sua obra poética revela uma profunda sensibilidade e uma formação cultural que lhe permitiu abordar temas complexos com mestria.

Percurso literário

O percurso literário de Asta Vonzodas é marcado pela publicação de obras poéticas que cativaram leitores e críticos pela sua profundidade lírica e existencial. A sua escrita demonstra uma evolução constante, explorando diferentes facetas da condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Asta Vonzodas foca-se em temas como a solidão, a busca por sentido, a efemeridade da vida, a introspeção e as relações humanas. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem cuidada, com um tom lírico e reflexivo. A musicalidade dos seus versos e a densidade imagética são traços distintivos. A sua voz poética é frequentemente confessional, mas alcança uma dimensão universal. Utiliza recursos poéticos para explorar as profundezas da psique humana, com um vocabulário rico e expressivo. A sua poesia dialoga com a tradição literária, mas apresenta inovações na abordagem temática e formal, inserindo-se na modernidade literária.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Asta Vonzodas integrou-se no contexto cultural e histórico português, dialogando com as correntes literárias e as inquietações da sua época. A sua obra reflete a sensibilidade de uma autora atenta às complexidades do mundo contemporâneo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Embora a discrição sobre a sua vida pessoal seja uma constante, a obra de Asta Vonzodas permite vislumbrar uma personalidade introspectiva e uma profunda capacidade de empatia, que se refletem nas suas explorações poéticas sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Asta Vonzodas tem vindo a conquistar um reconhecimento crescente no meio literário. A sua poesia é apreciada pela sua qualidade estética e pela profundidade das reflexões que suscita, garantindo-lhe um lugar de destaque entre a poesia portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A obra de Asta Vonzodas inspira-se em correntes literárias que valorizam a introspeção e a expressão lírica. O seu legado reside na capacidade de tocar o leitor com a sua autenticidade e a sua visão singular do mundo, influenciando leitores e, possivelmente, outros poetas pela sua abordagem única.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Asta Vonzodas oferece um vasto campo para interpretação, abordando questões filosóficas e existenciais de forma profunda. Análises críticas podem focar-se na sua exploração da subjetividade e na forma como a sua obra dialoga com a tradição poética.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A reserva sobre a sua vida pessoal contribui para um certo mistério em torno de Asta Vonzodas, realçando a sua dedicação à arte poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Asta Vonzodas e eventuais publicações póstumas não são amplamente divulgadas, mas a sua obra continua a ser um testemunho vivo do seu talento e da sua sensibilidade.