Lista de Poemas
VI
umedecidos de infância.
Não digas que há esquivanças
neste gesto doado.
Venho com passos naturais,
com piedade, sacrifício,
entregar-te a colheita dos olhos,
o fardo dos claros fracassos.
A pluma capturada
nas realidades sem mistura,
o tenteio do vento
no corpo oferecido as notícias,
a flor presa na mão branca,
o espanto da esposa iniciada,
o passeio exato no jardim —
estão comigo, estas coisas,
nesta verdade do canto,
na quietude dos átrios acalmados.
Trago-te os beijos da criança,
a paisagem ao redor da fazenda,
os brinquedos de barro já com sangue,
os lençóis do justo nascimento.
a mão pousada na madeira,
o sorriso apenas formulado,
a aceitação do gosto recebido,
a alegria das brasas extintas.
Venho dar-te notícias das coisas
esparzidas nos campos lá fora,
entregar-te o resíduo das datas,
o sinal de uma face marcada
para o largo consumo do amor.
V
Nesse ínterim
esvaziam-se as palavras
inúteis
vindas na enxurrada
em queda no vazio
de listas e sinais.
Sem elas
desaparece o pleno sentido
some ajusta aceitação
de morros e flores
de rios e mares
e ao longo da planície
as palavras renascem
para que delas saia de novo
a paisagem.
Abertura
Hora de abraçar a máquina
medianeira do olho e do objeto
disposta para o módulo dos ritos
através.
Ó câmara de sutis delicadezas,
brandura carda, mansa entrega,
me ensina a reta prontidão
no pegar cada coisa e seu contorno,
me concede a cordura decisiva
da lente caminhando para a imagem
diretamente.
Ferramenta e musa,
vem comigo às estacas do homem
chamado Sousa,
entra na macia resistência da pele
águas adentro
(sabes: somos em aquário,
nele andamos, consistimos,
amamos
refreados de presenças
além do líquido limite:
em aquário somos).
Mulher e fábula,
tira a transparência
das roupas silenciadas,
restaura os rituais
dos mitos cotidianos
passados de fêmea a fêmea,
mãe, irmã, amante,
câmera votiva.
Que importa sejas metal agora,
vidro, foco, olho de máquina,
para a justa visão da coisa vista?
Eia, câmera, comigo
ao plano largo, noite chuva.
O crime da máquina
nos trilhos limpos,
foi matar a menina de vermelho.
Bastou um grito para o espanto
fixar-se na tarde.
Desceu gente de longe,
homens pisaram pedras,
mulheres jogaram noites na pressa,
os pais surgiram de súbito.
Um sangue ungia rodas e trilhos,
pedaço de vestido repousava em dormente.
Lanternas acesas na lida em vôo,
foram examinar a máquina,
o freio intacto,
as peças nuas,
a chaminé parada em pânico.
Rodara só
nos trilhos limpos.
Em desvio de falas,
colheram saudades da menina,
assistiram ao desfile das pausas,
contaram casos de nascimento.
A manhã parou na máquina,
os homens trouxeram cadeiras,
fizeram um círculo de vozes,
ergueram pedaços do crime.
Depois, tomaram café,
deram seus votos
e fitaram, em rápida apreensão,
a máquina condenada.
Levaram-na para um desvio,
destruíram os trilhos de um lado e de outro,
fundaram cerca de arame ao redor,
deixaram placa de madeira
com letras em quase cruz.
Quando as outras máquinas passam
nos trilhos mais longe
apitam avisos,
rodam mandadas,
contemplam a cela tênue,
plantas agora buscando as fendas
da quieta locomotiva.
Fala do Sousa
ferido de espera.
Nem poderia ser, como pensais,
de lastro diferente.
Sabeis e guardais remanso.
Vinde à frente do palco
no risco da luz firmada
que os olhos querem vossa fala.
caso inventado mas pende
da mais sólida nuvem.
As tábuas estão aí,
a mesa, o pão, a roupa
e as gentes.
Nas cadeiras que vos olham
a certeza de vossa força.
Traçai o desenho
do que está vindo,
erguei a mão em rito,
fazei objetos.
Agora vejo.
Esse traço é o caminho da moça?
Completai-o que desce um cântico,
não deve ser interrompido.
O desígnio da moça
repousa em nervos de flor.
Riscai outros.
Esse não conheço.
Da que foi mãe?
Parece mais linha sem ponta.
Aonde irá?
Teoria do Homem
o começo é o fim
o começo é o homem
o homem é o fim
meço o homem pelo fim
o fim é a medida a medida é o começo
a medida é o meio o meio é o medo
o vulto é o vento
o vento bate na bandeira
parece passo na pressa
o passo é a pressa
a pressa é o modo
o modo é o mito
o mito é a meta
o fim é o mito
o mito é o começo
o começo do homem é o fim do homem
o fim do homem é o começo do homem.
Soneto de Natal
Machado de Assis
Mudaria o Natal ou mudo iria
mudar sempre o menino o mundo em tudo?
Ou fui só quem mudei, e meu escudo
novidadeiro, múltiplo, daria
ao mudadiço mito da alegria
em noite tão mutável jeito mudo?
O homem é mudador, muda de estudo,
de mucama, de verso, pouso, dia,
porque a muda modula esse desnudo
renascimento em palha, e molda e afia
o instrumento da troca, o fim miúdo,
a noite amena erguendo-se em poesia.
Mudei eu sempre sem saber que mudo
ou somente o Natal me mudaria?
Infância
de que vale?
O menino soltava papagaio
no morro transformado em nova imagem
tão nítida que vai além retângulo,
termina no prelúdio de uma nuvem
e o grito batia longe
na tarde dos bambuais
de que vale?
Sousa já era mas sorria,
tinha o fascínio dos começos,
a fixidez dos olhos sendo
nada e flor.
A voz que subia aflita
(só podia ser da mãe)
talava da noite próxima
e de bichos escondidos
pelo pasto,
no regato,
no caminho,
pela sombra deslizada de repente
de que vale?
Na descida tudo vinha
em gesto nem sempre visto
de papagaio vermelho,
papel de seda rasgado
na maciez do paiol.
Súbito
era noite e um cão latia
alto.
IV
Ave Palavra,
faço de meu corpo uma árvore em que pouses
faço-me palavra eu também
divido-me nas sílabas necessárias
com tímbales e cânticos
vestir-me-ei por inteiro de palavras
que só existo quando através de ti.
Ave Palavra.
VII
no corpo desistido.
Era uma fimbria que me perseguia
no contato da pele desnudada,
talvez nuvem que baixasse muito,
memoria que o tempo não matasse.
Como entender a voz das águas brancas
no horizonte de gente derramada?
Harpa humilde
para as canções menores
no acolhimento da lembrança finda
e areia, e coisa, e vento
na exaltação da ultima palavra,
a de antes da fraqueza consentida,
a do silencio insubmisso.
Esta humildade
como inicio de aflito testemunho
de atos renascidos na paisagem.
Apenas carne conformada na figura
em braços, lábios, coxas e vazios,
tentativa de único semblante,
de marca firmada no chão
para construir com ternura
a coragem do afastamento.
Comentários (0)
NoComments
Município de Antônio Olinto PR. dia 11.10.2020..
Depoimento do Acadêmico Antonio Olinto
VOLTA ao MUNDO de BICICLETA nos ANOS 90 | Antonio Olinto no programa de auditório de Silvia Popovic
O LOBISOMEM DE ANTONIO OLINTO
Antonio Olinto - PR
CIDADE ANTÔNIO OLINTO -- PARANÁ
Antonio Olinto
VERDADEIRA AVENTURA de BICICLETA na SERRA da MANTIQUEIRA | MONTEIRO LOBATO a S. ANTONIO do PINHAL
Antonio Olinto - 50 anos
Programa Frente a Frente Antônio Olinto
VOLTA ao MUNDO de BICICLETA | a CHEGADA de ANTONIO OLINTO em IPAUSSU/SP, sua CIDADE NATAL
SITIO ANTONIO OLINTO-PR | 2 ALQUEIRES DE PLANTIO | CASA + BARRACÃO | RIACHO | R$1.200.000
Porto de Pedra - Antonio Olinto PR
DO JEITO que A GENTE QUER VIVER | AVENTURA de BICICLETA por JUJUY | NORTE da ARGENTINA #04
O CICLOTURISMO por ANTONIO OLINTO E RAFAELA ASPRINO
Santuário Nossa Senhora dos Corais - Antonio Olinto - Paraná - Fatos Históricos.
SUPER DICAS de COMEÇO de VIAGEM | AVENTURA de BICICLETA por JUJUY | NORTE da ARGENTINA #06
Santuário Nossa Senhora dos Corais - Antonio Olinto - Paraná
Trancaço de Vaneira ( show Antonio Olinto - PR)
Velocross Antonio Olinto Largada VX2
Entrevista com Antonio Olinto ESPN 29/05/20013.
clip oficina de pêssanka em antonio olinto
Centro de Antonio Olinto Pr
XXIII Festival de Danças Ucraniana 2016 - Antonio Olinto - Vesna Roncador
ANTONIO OLINTO / PR
Ponte em Antonio Olinto 12
Cristiano de Luca - Antonio Olinto PR
1ª Apresentacao Grupo Folclorico Ucraniano Lviv Tresbarrense - em Antonio Olinto-PR
INUGURAÇÃO DA IASD ANTONIO OLINTO PR.
Antonio olinto
XXII Festival de Danças Ucraniana - Antonio Olinto - Verkovena Maringa
Hino de Antônio Olinto - PR
Banda Municipal de Antonio Olinto
Rolando no Barranco em Antonio Olinto Pr
Antonio Olinto - Paraná.
🔵LINDA CACHOEIRA EM ANTONIO OLINTO PARANÁ
CARRADA DA BOLINHA DA MAIONESE ANTONIO OLINTO X SÃO PAULO
festa da uva em antonio olinto
Antonio olinto PR no brab
XXIII Festival de Danças Ucraniana 2016 - Antonio Olinto - Stchastia Campo Mourão
Rapel em Antonio Olinto - Paraná -Alexandre-
Túnel de 5 Bi-lhões. Furação do solo da rua Antonio Olinto no Jabaquara
70 km para a cachoeira de Antônio Olinto-PR.
Juliano 2012 Antonio Olinto velo no carrinho
Grupo de Louvor ADSAMAS Antonio Olinto Couver (Saudades de Casa)
antonio olinto
Velocross Antonio Olinto Largada Estreantes Nacional
Soja em Antonio Olinto, Paraná, mostrada pelo Vlamir Brandalize
HOMENAGEM PARA ANTONIO OLINTO ZÉLIA GATTAI, JORGE AMADO , JOAQUIM CABRAL GUEDES , LEDA DO PRADO .
Acidente em Antonio Olinto PR
Português
English
Español