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Antônio Pereira Nobre
Antônio Pereira Nobre
2025-12-26

Não tarda a sombra, aí. Vai alto o Sete-Estrelo São horas dela vir. Minha alma, atende! Que já a Lua, a sentinela, rende Na esplanada do céu, às portas do castelo... Oiço um rumor: talvez... Ei-la, é ela: ao longe, avisto Seu vulto em flor: postas as mãos no seio, Com o cabelo separado ao meio, Todo caído para trás, como o de Cristo! Sorri. Que linda vem, Jesus! Que bem vestida! Quantas lembranças deste peito arranco! Foi assim que primeiro a vi, de branco, Foi nesse traje que ela sempre andou, em vida! Que luz projecta! Que esplendor! Parece dia! Os galos cantam, anunciando a aurora... Ide deitar-vos que ainda não é a hora, Dorme teu sono, sossegada, ó cotovia! Mas vós, ó pedras, afastai-vos, que ela passa! Silêncio, rouxinóis, eu quero ouvi-la... Terá ainda a mesma voz tranquila? Ah! ainda é o mesmo o seu andar, cheio de graça... Mas ao passar por mim, como dalgum perigo, Foge. (Talvez já seja tarde...) Ó Clara! Nuvem! Fantasma! Ouve-me! Pára!... E oiço a voz dela num murmúrio: «Anda comigo...»