Escritas

Lista de Poemas

Voar

O vero ato de voar
é ir de encontro
à lancinante escala
da escalada vítrea da vida,
abusando do sexto sentido;
primeiro da música
- extensão da alma

é preciso morrer
no todo poderoso som da ânima
e reerguer-se nas sombras
das harmoniosas cadências
para descobrir o sentido,
o sexto sentido;
primeiro da música
- extensão da alma

som:
narcótico necessário,
vício complementar
dos ruídos medonhos e fanhos
da estatelada alma;
primeira, sexta e sempre,
una no céu do sentir

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Enredos de Busca

Louvado seja
aquele que não existe
e não conflitua
as raízes da vida
com os pedaços de ventania
agarrados ao seu espírito

Louvado seja
aquele que se agarra
nos pedaços de conflitos
(ventanias de vida)
inexistentes
no espírito de suas raízes

Louvado seja
o espírito daquele
que existe nos pedaços
dos conflitos da vida
e agarra suas ventanias
com as raízes da pertinácia

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Não há Vagas

Buscamos vagas
nas casas, nas mágoas
no ofício de Gente
no prato do irmão

Buscamos as vagas
nos muros, na arte
e nos arremates
de vida e de sorte

E na morte
buscamos a paz
e as chagas das vagas
das quais poucas jazem

Mas os senhores da ordem
justos e prestos
buscam informatizar
as alas do inferno

E, ao menos, poderemos
morrer mais tranqüilos
sem enfrentar filas
nos barrancos, estradas, asilos

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Prelúdio às Faces do Poema

Eis que de repente
as marcas da vida sumiram
e restou apenas a paisagem mais pura
de tão pura
assustou
mas a ela me entreguei
e pude ver os espelhos
assim como em um parque
onde nos vemos
em todas
as formas
e todas
são tantas
que não nos descobrimos
mas sim nos perdemos...

... em nós mesmos

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Revelação

Uma única testemunha;
emulsão chapeada
isolada no escuro
por quem me viu

A luztestemunha e tudo

fotografado
em sais de prata
banhados por breu
em busca
eu
do meu
reflexo

E quantos vi?
Papéis futilgráficos
retidos ao lixo,
e meus nitratos
sedentos de informação

A luz
cisão do meu ser,
das cópias negativas

di vi di da s

em minha dor

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Vestíbulo

Urram os relógios
mais uma hora se passou
e eu agrilhoado
aos papéis independentes
pendentes
na dependência social

Urram os relógios
mais uma hora se passou
eu em vestíbulo
sem alcançar a porta principal
ou mesmo a escada interior

Urram os relógios
mais uma hora se passou
e eu aqui
atado
cavalo preso nas rédeas do papel

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Brasil, Hino Independente

Pobres das margens flácidas do Ipiranga,
que perpetuam a imagem desgastada
da fome bradando no povo heróico
e dos fugidios raios da liberdade
empenhorada, já há muito, aos donos do mundo
Nosso braço forte foi subjugado,
e, mesmo despojado,
desafia nosso peito a própria morte

Salve, salve Brasil
de céus, matas, terras e povo formosos;
gigante pela própria natureza
e pela eterna desordem e malandragem,
seja perante a resplandecente imagem do
Cristo Redentor
ou no berço de miséria sob o Lacerda

Mas saiba, Pátria atada:
seus filhos ainda a amam
Mesmo enforcados pelos bárbaros
- sejam do norte ou do oriente -
reergueremos a clava forte
e não fugiremos à luta... em nós mesmos

Dependência e Morte!
- Triste a nossa sina!

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