Lista de Poemas
Poema na Madrugada
Tu, muitas espiras acima
Que voas mais alto...
Cirandas à volta da lua feiticeira
Com as tuas asas de fogo
Incendeias-me o corpo
E em torrentes e lava
O meu amor flui
E como ela,
Em desespero,
Procura o mar...
Deixa-me dançar contigo uma dança índia
À volta da fogueira
Do nosso encantamento.
Deixa-me enlouquecer ao ritmo
Dum batuque africano
Transposto para um terreiro da Baía.
Deixa-me sentir os sortilégios
De Oxúm e de Oxalá.
Deitar, na praia, flores a Iemanjá.
Adorar a mãe Terra
Sentir-lhe o cheiro
Depois de uma chuvada de Agosto.
Eu quero ser, ao mesmo tempo,
Vinho e mosto.
Madrugada, sol nascente,
Entardecer e sol posto.
Curare.
Veneno na ponta da zarabatana.
Réstia de lucidez em mente insana.
Canta comigo irmã
A cantiga da terra prenhe.
Enforquemos as vaidades
Em gravatas ridículas
Confeccionadas em boa seda
E vendidas por um moderno bufarinheiro
Junto à catedral de Milão.
Deixa-me fundear nas tuas angras.
Ser o teu pirata argelino de estimação.
O teu bandeirante,
Buscando a esmeralda perdida
No meio do sertão.
Eu quero ser o desatino da tua insónia.
A tua noite mal dormida.
A tua cicatriz, a tua ferida,
Cauterizada com ferros ardentes.
Quero ser o teu ranger de dentes
Ante o desespero da miséria...
O teu grilo falante.
O espinho da tua rosa triunfante.
Deixa-me caboucar o sonho.
Construir castelos quiméricos.
Inventar outra arquitectura.
Redonda.
Quero esperar por ti
Na paragem do autocarro
Que vai partir, já
Para Nova Deli.
Quero ser uma luzinha ténue
Na via láctea nocturna
Desta vida favelada.
Rocinha!
Rio e margem,
Voo picado
Pedra Bonita, pivete.
(Glória ao escrete!)
O poder está
Na ponta do canivete!
Ipanema...
Saravah! Irmão Vinícius
Poetinha do amor e do vício.
Aqui estou!
Dou-te razão:
A inspiração continua a estar
Bem no fundo do copo
E da alma.
Salvé musa minha
Habitante da ilha irmã.
Continuas a ser o meu luzeiro,
Estrela da manhã.
Por ti adoro Baco.
Por ti versejo.
Por ti faço charadas,
Num desejo
De te ter mais perto.
Sem ti sou um navio no deserto.
O profeta do caos.
Caruso a cantar na ópera de Manaus.
O porco nos joelhos do visionário Klaus Kinsky
Na epopeia de Fritz Carraldo.
O caldo
Da loucura...
Pura...
Heroína...
Menina...
Lua...
O Sangue do Poema
Redondas e breves
Sobre este rectângulo branco
Onde se joga o sonho
Duas gotas de água
Solução saturada do sal
Das emoções à solta
Recebe-as o chão-da-palavra
Generoso, outonado, leve
Em breve brotará do solo
Primeiro encurvado e tímido
Depois confiante e vertical
Um singelo feto
Se pertences ao clã hermético
Dos recolectores de sonhos
Tenta arrancá-lo rápido
Provavelmente sentirás as mãos húmidas
Do sangue do poema
Ausência
Quando deixas a ilha
Sinto os meus dias prenhes
Do imenso vazio da tua ausência
Resta o teu cheiro...
No quarto, na almofada da cama
Em cada canto da casa...
Confesso que nunca o sinto assim tão à flor da pele
No compasso voraz do nosso dia-a-dia
Só então me apercebo
Como a usura do tempo
Traça, sem darmos conta, superfícies planas
Esbate, sem piedade, as vivas arestas
Da cor dos nossos sentimentos
Amo-te em fogo juvenil quando estás longe
Habituo-me a ti
Se estás por perto.
Fim do Século
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
Comentários (0)
NoComments
Cantiga dos Açores - Aníbal Raposo
"Dança"- música e letra de Aníbal Raposo. Single do CD "Rocha da Relva"
Se És Bom Companheiro
Credo - Aníbal Raposo
Aníbal Raposo - Sei de um poema
O Amor, meu amor
FRONTEIRA
Tu
Maré e Natividade de Aníbal Raposo
Nuvens correndo num Rio
Aníbal Raposo no VIVA A MÚSICA (Antena 1)
Sintonia para pressa e presságio (Live)
MEO MUSICA ANIBAL RAPOSO
No mar
Natal Hospitais 2022 - Aníbal Raposo
ANÍBAL RAPOSO-COMPLETE-2013-RTPA
Alvoroço
Cantiga dos Açores
Aníbal Raposo - Parte II
Aníbal Raposo - Nascer de novo
Rocha da Relva
Poema destinado a haver Domingo
Alvoroço - Aníbal Raposo
Tema para Margarida (Aníbal Raposo) Gonçalo Sousa piano and harmonica
Rumo a Nordeste
Concerto Filarnónica Nossa Senhora das Neves com Aníbal Raposo
Chuva dos meus sentidos
Sete
Poema destinado a haver domingo
A tasca do Zé Levinho
A Chegada De Maria
Poema para a mulher que passa
PROMO ANIBAL RAPOSO
Já Dei a Volta
Filipa Pais - Poema destinado a haver domingo (Natália Correia/Aníbal Raposo) com Paulo Vicente
As vezes
Aníbal canta Natália
Um toldo amarelo - Aníbal Raposo
Só duas palavras - Aníbal Raposo
Uma Estrela No Sul
Suponhamos
Dança - Live
ANIBAL ANGEL (ANAN) INTERPRETA:YOU WILL BE MY MUSIC DE JOE RAPOSO
Na via verde - Aníbal Raposo
“Poema destinado a haver domingo” - Anibal Raposo - Mat 94
Chamei-Te Linda, Engraçada
Contrastes
Sei Dum Poema
A lua dos impossíveis
Sei dum poema - Aníbal Raposo
Português
English
Español