Escritas

Lista de Poemas

O Ciclo da Vida

Observo as crianças

E às vejo tão contentes

Sem importarem-se com os afazeres e compromissos da vida

Não tem a responsabilidade

Do alimento sobre a mesa

Da roupa nova para o passeio

Do calçado que irão ostentar aos colegas



Aproveitem bem esse períodos meus caros infantes

Pois chegará uma época

Em que terão saudades dessa regalia

Em que terão que tornar-se atores no palco da vida

Terão que atuar no exigente Teatro do Labor

Em que submeterão-se a árduos e complicados trabalhos



Para que assim tenham como manter-se

E poderem subsidiar os largos sorrisos de seus pequenos filhos

Que amanhã irão brincar

E vocês às olharão tão contentes

Pois essas crianças

Que amanhã serão seus filhos



Não se importarão com os afazeres e compromissos da vida

Não terão a responsabilidade do alimento sobre a mesa

Nem da roupa nova para o passeio

Nem do calçado que irão ostentar aos colegas.



Texto de André Veiga (Veiga)
👁️ 436

Estranho Cotidiano

Em dias tão vazios e solitários

Vivo a busca incessante de uma felicidade

Que mesmo estando ao meu lado

Parece tão longe...


Devido a escolhas passadas

Que eu jurava serem corretas e prudentes

E que anularam o meu futuro...


Embora eu tenha tudo em minhas mãos

Me falta a coragem para a concretização

De algo que poderá suprimir a minha dor...


O tempo passa

Segundos minutos horas

Que acabam tornando-se em dias

Meses anos décadas

Enquanto eu permaneço nessa agonia...


Quem será o culpado?

À quem devo culpar?

Devo assumir responsabilidades sobre tal fardo?

Alguém habilita-se a servir-me de esteio?

Para que eu possa imputar-lhe essa culpa...


Ninguém poderá ajudar-me

Ninguém poderá responder-me

Nem mesmo eu

Tao exímio em respostas difíceis

E perito em resolução

De casos embaraçosos...


Há dor inexprímivel

Inefável câncer que corrói o meu sorriso e o meu alento

Não posso expulsar-te assim bruscamente da minha vida

Você cresceu dentro de mim

No terreno fértil do meu recôndito

Fortalecendo-se em minhas entranhas

No meu interior tu te alimentaste e se tornaste gigante...


Confesso que quando todos me deixaram sozinho

Você estava ali presente

Mesmo sendo incômodo

Você foi o meu único amigo...


Ouviu meu grito de dor

Absorveu as minhas lágrimas

Fez delas a água necessária para estancar a sua sede

Transformou o meu cansaço em adubo

Para tornar-se mais vigoroso e graúdo...


O corpo em que habita é prospero

Para que continue a crescer e dê frutos

Você tem direito adquirido

Pelo tempo que habita aqui dentro...


Meu parceiro meu amigo meu confidente

Meu inseparável estímulo

Meu propulsor

Para que eu siga em frente e atinja novos horizontes...


Nao se preocupe

Um dia tu me matarás

Mais te levarei junto comigo

Para a sepultura a qual derem para nós

E assim tambem 'te matarei'...


Será uma troca de favores

E não restará mais outra alternativa a ambos

A não ser trilharmos a eternidade

E desfrutar dos desconhecidos caminhos

Que o além cautelosamente

Está nesse momento reservando para nós.


Texto de André Veiga (Veiga)
👁️ 430

Promíscua Humanidade

Ora ora humanos cômicos

Que atrevem-se a criticar as ruas sórdidas

Ruas essas que vós mesmos sujastes

Com a podridão dos seus atos inescrupulosos



Até quando dedicaram-se a praticar tais coisas

Infames vermes?

Trogloditas por opção

De mentes mórbidas

E pensamentos caóticos



Há se eu pudesse consertá-los

Faria convosco o que nunca consegui fazer a mim mesmo

Pois sofro dos mesmos males que vos acuso

E por isso peco em incriminá-los com veemência



O que cometemos hoje

É uma punição em forma de herança para os nossos descendentes

E o que mais nos machucará

Será vê-los explanarem em duras palavras

Sinônimos e termos arrojados e pesarosos

Quando se referirem a nós



Como hábito pertinente a nossa raça

Posso declarar que desde agora

Ouço os clamores descontentes de nós mesmos no futuro

Espantados e traumatizados com tais ações

Daqueles que deviam respeitar-nos



Como eles poderiam nos prestar honras caros comparsas

Se não respeitamos a geração deles

E o mundo que construímos para eles

Foi fundamentado em pilares putrefatos



Somente nos restará a dor imensurável

Que nos fará expurgar arrependimentos contínuos

Mais como é inerente a nós

A arte de imputar à outros

As nossas falhas



É bem provável que tenhamos a ousadia

De postergarmos a culpa

Para a próxima geração

Que débil

Iminentemente poderá cometer a insanidade

De acatar tal culpa.



Texto de André Veiga (Veiga)
👁️ 416

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments