Lista de Poemas
A história da moral
seu safado!
Você tem-me cavalgado,
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.
Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá--lo.
Entre a
Vem o tempo de varejeira
entre a cortina e a vidrça.
O tempo assim à minha beira!
Que é que se passa?
E eu,que estava tão enredado
nos baraços do eternamente,
nos lacetes do já passado,
sou esfregado contra o presente.
A varejeira é nacional.
Terei,assim,de preferi-la?
Ora!É a mosca-jornal
-e já agora vou ouvi-la...
O chapéu de Tchekov
pulmão pelos ares da crimeia
mais ou menos quando a engomadeira
de cesário passava os seus pulmões
pelo carvão do ferro
gorki vai visitá-lo palmilhá-lo e à cancela
observa-o no umbroso jardim chapéu na mão
aparando no côncavo um cambiante raio
do sol que pela folhagem trémula se infiltra
gorki retém-se vê o tostão de sol
cair no chapéu de anton neto de servos
vê anton virar tac o chapéu e espreitar para dentro
como quem tirado o chapéu nele procurasse
a sua própria cabeça
tchekov brincava com o alheio sol
na pessoal solidão
in:A saca de orelhas(1979)
De porta
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
AutoCrítica
e vê-se que para ele o ser feliz
era lançar,originais e exactos,os seus alexandrinos,
empunhar ferramental honesto
cuja eficácia ele sabia que
não vinha da beleza,mas da perfeita
adequação.
Não tem halo,tem elo e o seu encadeado
é o verso habilmente proseado.
(Que feliz eu seria,ó prima,se o Cesário
me tivesse deixado uma garlopa!)
António Nobre,embora seja muito em inho,
é o grande Só que somos nós,
por isso gosto dele(ai de mim,coitadinho!)
(E em conclusão do megalómano discurso,
ó prima,um bilhete-postal para o Pessoa,
a quem devemos todos tanto,a prima inclusive!)
Muito querido Pessoa,saberias agora
que não basta ser lúcido,merda,que não basta
a gente coser-se com as paredes
e cercar de grandes muros quem se sonha,
que não basta dizer basta de provincianos!
in:Feira Cabisbaixa(1965)
Pelo Alto Alentejo-2
Esboroa-se a terra.Lá pra trás,
sobraram o paleio e a literatura.
Aqui,na aparência,só a paz.
Mas que paz se desdobra a toda a anchura
do horizonte a que o olhar se faz?
Esta página em branco(ou sem leitura)
não terá uma chave por detrás?
Eu sei ler a cidade,mas,aqui,
sou um dedo parado em letra morta.
Uma guerra haverá,como o alibi
da paisagem que a outras me transporta.
Hei-de voltar pra ler e presumir,
quando Alentejo se puser a rir ...
in:Entre a Cortina e a Vidraça(1972)
Poesia-Cão
poesia-aflição!
Antes poesia-cão
que é melhor posição.
Já que não és capaz
dos efes e dos erres
dessa solerte mão
que é a que preferes,
meu tolo desidério,
talvez seja mais sério
não te tomares a sério:
reduz-te ao impropério.
Comentários (8)
Sinceramente este foi um dos poemas mais eloquentes que já li sobre amizades ... é de uma delicadeza surrealista grandiosa.
mentira
Inescrupulosos ignóbeis.
Ok, apagaram hoje vou escrever sobre o grande OºNEILL
Muito Romântico :--
A historia da Moral
Alexandre O'Neill - Inventário (por Mário Viegas)
Alexandre O'Neill - O ladrão do pão dito por Mário Viegas
auto-retrato de alexandre o'neill.AVI
alexandre o neil_a uma luz.wmv
Amalia Rodrigues - Gaivota (Alexandre O´Neill - Alain Oulman)
Amália Rodrigues Sónia Tavares Gonçalo Salgueiro - gaivota
PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Maria José Marques
Ler Mais Ler Melhor Vida e Obra de Alexandre O'Neill
Lula Pena ~ Gaivota (Alexandre O'Neill)
Há palavras que nos beijam - Mariza (transparente)
ENTRE PEDRAS, PALAVRAS...- Alexandre O'Neill, Poema do Dia 12.wmv
O Tejo corre no Tejo, Alexandre O'Neill - Interpretado por Paula Cortes
'Poema Pouco Original do Medo' de Alexandre O'Neill
Cão-Alexandre O'Neill + Frágil Som (Ana Brandão & João Paulo)
Tomai Lá do O'Neill
José Mário Branco - Quatro Caminhos do disco O Ladrão do Pão (EP 1979)
O´neill Xerox
Tiago Bettencourt- Poema de desamor do disco Tiago na toca e os Poetas (2011)
Daqui Desta Lisboa
José Mário Branco - Fuga do Mar do disco O Ladrão do Pão (EP 1979)
Buracos Vadios Cruzam o Rosário
Coro das Criadas de Servir - Zita Duarte
Português
English
Español
Gostei muito, os poemas são bonitos
Obrigado pela informação!
Adorei, bom conteudo!