Afonso Mendes de Besteiros

Afonso Mendes de Besteiros

Afonso Mendes de Besteiros foi um trovador galego-português medieval, cujas composições se inserem no cancioneiro lírico da época. As suas cantigas, predominantemente de amor e de amigo, refletem os costumes e os sentimentos da sociedade feudal, com uma linguagem característica da poesia galego-portuguesa. A sua obra, embora integrada num vasto corpus de produção trovadoresca, é apreciada pela sua expressividade e pela sua contribuição para a compreensão da lírica medieval na Península Ibérica.

n. , São Cosme de Besteiros, Paredes

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Dom Foão, Que Eu Sei Que Há Preço de Livão

Dom Foão, que eu sei que há preço de livão,
vedes que fez ena guerra - daquesto sõo certão:
sol que viu os genetes, come boi que fer tavão,
       sacudiu-se [e] revolveu-se, al-
       çou rab'e foi sa via a Portugal.

Dom Foão, que eu sei que há preço de ligeiro,
vedes que fez ena guerra - daquesto som verdadeiro:
sol que viu os genetes, come bezerro tenreiro,
       sacudiu-se [e] revolveu-se, al-
       çou rab'e foi sa via a Portugal.

Dom Foão, que eu sei que há prez de liveldade,
vedes que fez [e]na guerra - sabede-o por verdade:
sol que viu os genetes, come cam que sal de grade,
       sacudiu-se [e] revolveu-se, al-
       çou rab'e foi sa via a Portugal.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Afonso Mendes de Besteiros foi um trovador galego-português ativo no século XIII. É conhecido pela sua produção poética dentro do género da lírica galego-portuguesa medieval.

Infância e formação

Não há informações detalhadas sobre a infância e formação de Afonso Mendes de Besteiros. Como a maioria dos trovadores medievais, a sua origem social e o seu percurso educativo são pouco documentados.

Percurso literário

O percurso literário de Afonso Mendes de Besteiros insere-se na tradição da poesia trovadoresca, com foco nas cantigas de amor e de amigo. A sua obra faz parte do Cancioneiro Geral da Galé.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Afonso Mendes de Besteiros é composta por cantigas que refletem os temas e os estilos da poesia galego-portuguesa medieval. As suas cantigas de amor expressam a vassalagem do poeta à dama idealizada, enquanto as cantigas de amigo abordam a saudade, a natureza e os sentimentos de uma donzela em relação ao seu amado, frequentemente através de um diálogo com a natureza. O estilo é característico da época, com o uso de paralelismo, refrão e uma linguagem simples mas expressiva.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Besteiros viveu no século XIII, um período de grande efervescência cultural na Península Ibérica, marcado pela consolidação dos reinos ibéricos e pela florescência da lírica em galego-português, que se espalhou pelas cortes e pelos círculos de nobres e trovadores. Era uma época em que a poesia cantada desempenhava um papel importante na vida social e cortesã.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Afonso Mendes de Besteiros são inexistentes. Sabe-se apenas o seu nome e a sua filiação poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Afonso Mendes de Besteiros advém da sua inclusão nos cancioneiros medievais, que preservaram a sua obra para a posteridade. A sua importância reside na sua contribuição para o corpus da poesia galego-portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Como trovador medieval, Afonso Mendes de Besteiros insere-se numa tradição literária que influenciou a poesia posterior na Península Ibérica. O seu legado é a preservação da sua obra dentro do cânone da literatura medieval galego-portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As cantigas de Afonso Mendes de Besteiros são frequentemente analisadas no contexto da poética trovadoresca, explorando os códigos de amor cortês e as representações da mulher e da natureza.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não existem curiosidades amplamente conhecidas sobre Afonso Mendes de Besteiros, dada a escassez de informação biográfica.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos sobre a data ou as circunstâncias da morte de Afonso Mendes de Besteiros.

Poemas

14

Mia Madre, Venho-Vos Rogar

Mia madre, venho-vos rogar
como roga filh'a senhor:
o que morre por mi d'amor,
leixade-m'ir co el falar;
       quanta coita el sigo tem
       sei que toda lhi por mi vem.

E sodes desmesurada
que vos nom queredes doer
do meu amigo, que morrer
vejo, e and'eu coitada;
       quanta coita el sigo tem
       sei que toda lhi por mi vem.

Vee-lo-ei eu, per bõa fé,
e direi-lhi tam gram prazer
per que [m']el dev'a gradecer,
poilo seu mal cedo meu é;
       quanta coita el sigo tem
       sei que toda lhi por mi vem.
703

Amigos, Nunca Mereceu

Amigos, nunca mereceu
homem, com'eu mereci, mal,
em meu cuidar, ca nom em al;
mais ando-me por en sandeu:
       por quanto mi faz cuidador
       d'haver eu bem de mia senhor.

Mais leixade-mi andar assi!
Pero vós hajades poder,
meus amigos, de me valer,
sol nom vos doades de mi:
       por quanto mi faz cuidador
       d'haver eu bem de mia senhor.

Ca sei que per nẽum logar,
amigos, que nom haverei
dela bem, por quanto cuidei;
mais leixade-m'assi andar:
       por quanto mi faz cuidador
       d'haver eu bem de mia senhor.

Ca o sandeu, quanto mais for
d'amor sandeu, tant'é milhor.
808

Já Lhi Nunca Pediram

Já lhi nunca pediram
o castel'a Dom Foam;
ca nom tinha el de pam
       senom quanto queria;
e foi-o vender, de pram,
       com mínguas que havia.

Por que lh'ides [a]poer
culpa [por] non'[o] teer?
Ca nom tinha que comer
       senom quanto queria;
e foi-o entom vender
       com mínguas que havia.

Travam-lhi mui sem razom
a home de tal coraçom:
"Em fronteira de Leon",
       diz, "com quen'o terria?"
E foi-o vender entom
       com mínguas que havia.

Dizem que lh'a el mais val
esto que diz, ca nom al:
"Em cabo de Portugal",
       diz, "com quen'o terria?"
E vende[u]-o entom mal
       com mínguas que havia.
891

O Arrais de Roi Garcia

O arrais de Roi Garcia,
que em Leirea tragia,
       desseinou-o;
e pois veo outro dia
       e enlinhou-o.

Nom vos foi el de mal sem:
serviu-se del mui[to] bem,
       desseinou-o;
e pois veo a Santarém
       e enlinhou-o.

Nom vos foi el mui mesquinho:
per como diz Cogominho,
       desseinou-o;
e pois morreu Dom Martinho,
       enlinhou-o.

Ainda vos eu mais direi:
per quant'eu del vej'e sei,
       desseinou-o;
e pois veo a cas del-rei,
       enlinhou-o.
783

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