Escritas

Lista de Poemas

ESTIGMA DE LUZ NO CORPO DA MULHER AMADA

Eis meu corpo em teu corpo

E todas as ilusões remanescentes.

Eis meu desejo insofismável

E lapsos de sonhos pulsantes.

No negror da madrugada

Só a luz do teu corpo.

Na escuridão do teu quarto

Só a luz do imortal desejo.

Ah!Esplêndida mulher

Dorme em teu corpo meu anseio

Repousa em teu corpo devaneios

Em tua face meu dourado sonho.

Ah!Nada em mim fenece

Ao toque do teu corpo envolvente.

Estigma de luz crescente.

Guia-me ao insólito amor.

Em teu corpo trépido e febril

Armazeno o pólen da vida eterna.

Estigma de luz que ainda existe

No corpo da mulher que amo.
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ESBOÇO DE UM SONETO INACABADO

Bebo sedento teu lábio faminto

Todo ópio que teu corpo contém

E o dia fatigado suspira latejante

Qual eco contido que faz-me refém.



Teu íntimo acende-me a vulcânica labareda

Suavemente adormecida por tua ausência

Teus seios fartos multiplicam minha sede

De doar-me a ti intermitentemente.



Contemplo ardorosamente tua vicissitude

Sobre o profundo azul do infinito

És minha única fuga do abstrato.




O manto incólume e indizível

Toda inexatidão ainda tolhida

Meu grito louco,pleno de imortal insanidad
e
.

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TÉTRICO

Tétrico sonho desvanecido,

pífio sorriso assombrado,

um brado, um lapso,

teu rosto de nuvem itálica,

tua breve e suave eutanásia,

agora somente o silêncio brada,

implora a minha presença,

o céu de veludo dorme eternamente,

como píncaro tétrico,

somente ouve-se o doloroso silêncio,

sinos a triscar em tua mente,

o sono devora tua insânia,

eterna saudade do elísio campo,

teu corpo de seda dorme,

como suave crepúsculo,

em teu catre sepulcral,

na fatídica noite do teu ser,

ouço o gemido do ar, do tolher,

ressôo de harpas asfalticas,

vejo teu rosto partir,

embevecido de madrugada,

o sono cético leva-te,

a treva cobre teu rosto,

corre selvagemente em teu ninar,

horizonte ríspido e sem cor,

só a dor, só a insignificância,

somente o arrebol como testemunha,

do doloroso e triste fim.

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OFÍCIO DE UM POEMA

...As sombras vestem-me,

desse imenso e umbral destino.

Deixa-me na exatidão do teu corpo,

penetrar como poema desvairado,

extraído do exímio poeta.

As noites dos cães fogem como sombras,

ladrão no deserto do meu ser,

o lascivo conto do encanto.

O desamor morre como um velho momento,

no ócio ofício de um retumbar.

As paginas do destino abrem-se,

como suave alento que vem de dentro.

As asas brancas da paz,

sobrevoam as sombras inundadas de pólen.

Amiúde as utopias variáveis como um cálice,

o sono grita em minha mente,

as sombras assomam em meu corpo,

no umbral e colossal destino,

cântico de um velho pássaro.

As sombras escuras no branco do papel virginal,

mostram-me a saudade incontida,

que retida ficou no ofício de um poema...

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RECADO PARA O MEU AMOR

Ainda te espero,

como uma única esperança,

como um único sopro de vida.

Ainda te espero,

como se esperasse minha alma,

mesmo nas quentes tardes,

ou nas noites frias.

Ainda te quero, te espero,

contemplando o balanço do mar,

a brisa lenta e envolvente.

Ainda sonho, ainda espero,

no vazio da ausência insana.

Ainda busco-te incessante,

em toda esquina, em todo sonho,

em todo vento, em todo rosto.

Ainda te aguardo com ânsia,

com ternura e amor.

Por isso peço-te,

volte logo, por favor.

Não suporto te esperar,

por mais uma eternidade.











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NAU II O SOPRO FINAL

















... Negro vento a flor semeia

a rosa torta da alma acesa

toca o vento com sonora alegria

acaricia a tez com tortas linhas

crepusculando nos faróis da imensidão

corta o mar a nau turbamulta

morre o sono no albor da aurora

velhos sonhos a bramir acordes

negro vento a alma soterra

cortam meu corpo as águas da memória

ficam âncoras nos ciprestes

minha quimera entorpecida e revoltosa

rasga o vago céu que acoberta-me a pele

velho corvo indigente e opulento

rasga o silêncio ficcionista e abutre

adentrando em Minh 'alma

como um sonoro e palpitante canto ecumênico

nau de utopias vociferadas e feridas











************************************











mar a adejar velhos sonhos

oh! Lesa ave, abutre infiel

corta o bramido da ilusão sem par

o sono trai-me a alma

no elevado cume do mar azul

óh! Negro vento na negra noite

na noite negra da umbral saudade

sussurra ó vento opulento

tua insânia desvairada e perene

meu corpo permuta desejos

óh! Amor levo-te a flor

que aflora em meu nobre coração

os portos exalam abençoadas saudades

meu beijo corta a longínqua e fria solidão

ao encontro de tua face dourada

rósea face no albor da vida

rósea vida no albor da face

nada vejo no mar que engole-me a alma











************************************











somente a fome do meu desejo insano

teu corpo reduz-me a amargura

que vejo nessa triste figura de meu pensar

óh! Negra noite que permuta sonhos

sonoro vate no negro mar da noite negra

vai arauto pombo e leva minha mensagem

sou vate que te doa o poema e a alma

nesse prefácio de eterna demora

aqui estou no infindo mar

a mercê da consumível e infinda saudade

óh! Clamor que pulsa em meu peito

óh! Labor execrado e leso

meu corpo submerso em prantos

minha face gélida e saudosa

busca-te incessante sob a água turva

náufrago de pesada rosa convalescida

óh! torta e funesta saudade

que pesa em meu coração como pedra congregada











**************************************











óh! Negra noite a tolher desejos

óh! Desejos a romper a noite

leva-me o beijo a doce e meiga amada

que espera-me ao albor da aurora

vai arauto em voo alto

com elã epopeico e vistoso

como uma fênix a ressuscitar das cinzas

como um elo a enlaçar desejos

como um facho a enlaçar amor

óh! Negra noite de efêmeros desejos

óh! Límpido etílico vasto e intercalado

óh! Noite negra que a nau consome

devora a saudade abundante e voraz

deixa tempo... deixa vida

num momento tão fugaz

vasta utopia, vasto lembrar

meu beijo viaja ante a névoa

para tua face rósea tocar...































































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NAU

Negro vento na negra noite

Na noite negra da fiel saudade

Negro vento a flor semeia

A rosa torta da alma acesa.

Corta o mar a nau turbamulta

Nau de utopias vociferadas e feridas

Mar a adejar velhos sonhos

Velhos sonhos a bramir acordes.

Negra noite que permuta sonhos

Náufrago de pesadas rosas convalescidas

Meu corpo submerso em prantos

Busca-te incessante sobre a água turva.

Minha quimera, minha inquietude

Rasga o vago céu que te acoberta a pele

Rasga o silêncio inexorável e abutre

Adentrando em minh'alma inócua.

Negra noite de efêmeros desejos

Devora a saudade abundante e voraz

Meu beijo viaja ante a névoa

Para tua face rósea tocar.

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UM QUADRO AZUL AO SUL DE MEU PENSAMENTO



Teus olhos bordam minha esperança,

Teu rosto cristalino me sorri,

Teu corpo exala o mais sensível perfume,

Tua silhueta recria um mundo de idéias.





Minha retina pinta um lindo quadro,

Um quadro azul ao sul de meu pensamento,

Meus olhos esquadrinham a vastidão,

A imensidão sublime da imaginação.





Entrego-te a formosa magnólia,

A flor de minh'alma desnuda,

Como é bela a sensação de te ver sorrir,

Com lábios ternos de formosura.





Este incansável mar que marulha,

Na amplitude azul de meu sonhar,

Traz-me a maciez de tua imagem,

Teu alvo corpo a me abraçar.





Admiro extasiado teu bailado,

Anjo azul de meu pensar,

Hoje quero apenas um espaço,

Um espaço azul para te amar.



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ETERNAMENTE MADRUGADA



Infida a tua doce negritude

Estende teus braços de pilastra

Sobre o ombro do poeta que chora

Que Sussurra,aos acordes de tua brandura.

Estende tuas ruas aos meus pés extenuados

Chora comigo Amiga; eternamente

Sopra-me um soneto, docemente

Sem quimera; sem disfarce

Guia-me casto de generosos sonhos, beija-me a tez

Embala-me,qual um belo infante

Deixa-me penetrar na tua exatidão

Na tua fímbria despojada e perene

Infinda e negra madrugada

Amo tuas mulheres, tuas artimanhas

Tuas vozes vorazes e cortantes

Nas mesas de teus bares, onde andares

Nos rostos embriagados e anônimos

Alastra-me no teu dorso

Como seiva gotejante

Como homem profeta

Como poeta das tuas histórias

Como amante dos desejos que guardas

Leva-me,ó madrugada

Infinitamente nos teus braços...







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SONETO ENIGMÁTICO

Quem sabe assim, diga-me

Qual teu grito abismal, sepulcral

Aquele brado tão enigmático, revés animal

Um eco secular, tão lacônico, indigente.


Quem sabe assim, saberei

Qual teu mal entorpecido de angústia

Eterno gemido contido em gozo excepcional

Avareza sanguinolenta, tão torpe, flamante.


Saber beber de tuas entranhas

Alavancar todo esse breu, só teu

Tão sorrateiro, delirante, relapso.


Sentir tua carne fervendo

O veneno lancinante em tuas veias

Tua cisma letal de matar-me de amar.

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