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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Soneto épico


Posso serpentear entre teus querubins de ouro,
Deslizar sobre as madrepérolas de teu chão.
Posso curvar-me à tua majestade e sem piedade.
Podes de sangue macular meu coração.

Se são estes os caminhos da paixão,
Não a maldigo por me fazeres sofrer.
A dor de amar tem um escopo definido.
Só teu amor justifica o meu viver.

Quando persigo um sonho, sem descanso,
E sou feliz por me fazer assim,
Na persistência reforço meu querer.

A luta árdua enobrece o lutador,
E se a vitória for conquistar teu amor,
Vou à batalha, pois quero muito vencer!
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

DEIXAI QUE CHOVAM DESAFIOS

Neste mundo novo que me espreita
Pego em mim e vou abrir caminhos
Sem olhar para trás, sem vacilar
Se é que a vida se faz de tempestades
Então deixa que chovam desafios
E o mais que ela tiver para me atirar

Neste mundo novo que me espreita
O que importa é ter olhos de ver
E olhar de cima para o que me rodeia
O que importa é não ter medo
De fechar os olhos e pular
Para lá do pôr-do-sol da minha aldeia
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Anderson Silva Sousa

Anderson Silva Sousa

Perdido

Tô perdido...

perdido em um mundo onde pessoas não se entregam mais como antes

onde as amizades se baseiam em status

onde seu melhor amigo é você mesmo

e se não for, cuidado!

Acho que não sou daqui

Ou só nasci, na geração errada

Essas pessoas só sabem machucar

E não sabem como sarar

Pessoas querendo se tornar onipotente

sou diferente dessa gente

tô perdido entre cegos, surdos e mudos

onde quem quer falar não tem voz

onde pessoas se fazem de cegas

É tudo do mesmo jeito

onde eles se fazem de surdos para qualquer tipo de preconceito

sem respeito e sem conceito

Para esse tipo de gente, não me sujeito.

 
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André Medeiros

André Medeiros

Menino ansioso, Garota bipolar : Um Romance Moderno.



 Não era pra ser assim, mas veio uma pandemia..

 

Deveras fosse sol

Quando nunca um luar

As vezes copo cheio que transborda

As vezes tão vazio a derramar.

 

Não importa o deserto, onde brota simultaneamente o mar

Ela as vezes não sabe de onde vai, ou para onde vem

Enquanto ele contava as horas antes do relógio marcar.

 

Mas pra que se preocupar quando o amor sabe acolher?

Ela pode tocar onde ele não sabe ver

Quanto a ele, se ela hoje precisar

Chegaria antes do ontem se desfazer.

 

- Como deve ser.
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Tiago Bernardes

Tiago Bernardes

Soneto do fim

Agindo de modo tão vil,
Provaste o caráter que tens
Não mais eu seu serei teu refém
nesse caso de amor servil

Nos tempos dourados, me abri
falei-te de meus privados segredos
vivemos tão belo enredo
Mas deste as costas tão logo caí

Por certo não estou mais no alto
Do auge só vejo a miragem
de um sonho tomado de assalto

A paixão é mesmo uma viagem
Aproveite enquanto não vem o arauto
dizendo: meu caro, acabou a paisagem!
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José António de Carvalho

José António de Carvalho

ENQUANTO O DIA NÃO NASCE…

Coletânea - HORIZONTES DA POESIA - 2023

ENQUANTO O DIA NÃO NASCE…

Oh… que ânsia me invade…
Depois da tarde, a noite,
A lua, o silêncio,
E a alma faminta.

O rosto da madrugada,
Os cabelos de sol,
Os lábios da maçã,
A chuvinha de orvalho,
Os olhos fechados.

Os picos da montanha…
Onde nascem ribeiros
Crescendo enquanto descem,
Unindo-se ávidos
Aumentando no leito,
Aglutinados num só rio
Num fulgor de arrepio
A devorar as margens
De idílicas paisagens
Até morrer no mar.

José António de Carvalho, 10-setembro-2022
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Preferências

Ah! Vida que se esvai,
Por entre os dedos das mãos...
E traz a mim o tormento,
Da morte e da solidão.

Passo as horas entre sonhos!
Sonho que estou a sonhar...
E se esta vida termina
E não os possa realizar?

Se acontecer desta vida,
Acabar-se e dela me for,
Como ficarão tantos sonhos,
Algures, sem meu amor?

Se aqui não sei viver,
Longe da minha paixão,
Saberia eu na morte,
Amar, sem ter coração?

Não quero morrer a morte,
Prefiro viver a vida...
Já que esta eu conheço,
E a outra é desconhecida...
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Maré cheia



Olhe as pegadas, passos na areia
E saberás de onde vim.
Pois logo mais, na maré cheia,
A minha história terá um fim.

Marcas profundas na fina areia,
Vidas repletas de solidão.
Ao pouco, o nada se acrescenta
Pois todo sonho, é sonho em vão.

Olhar na linha do horizonte,
E além dela, nada em haver.
O que existe atrás dos montes,
Somente o tempo nos deixa ver.

Linhas impressas, na palma da mão,
Onde o destino se pode ler...
Hoje o futuro é tão só ilusão,
E no agora, faz-se o viver.
203
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José António de Carvalho

José António de Carvalho

A RAZÃO

Poema A RAZÃO (E-book de Natal 2022 do Grupo Solar de Poetas)

A RAZÃO


Abre-se o céu a nascente
com o sol a clarear o dia,
é aurora resplandecente:
nasceu Deus, Filho de Maria.

Baixem as armas por Ele,
baixem-nas pelo Homem,
que este é pele da Sua Pele
e tantas vidas consomem.

Façam caminhos no deserto,
façam-se ao mar calmo,
façam apenas o que é certo,
meçam atitudes a palmo.

Deem conforto ao pobre,
abracem o desafortunado,
fazê-lo é tão, tão nobre,
e o Natal será festejado.

José António de Carvalho, 11-dezembro-2022
281
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Libertas


Ah! Liberdade...Qual é o seu valor?

Quanto custa para poder falar,
Tudo o que guardamos em nossas mentes?
Que valor possui a palavra sincera
E o relato das conclusões?

Ah! Esse nó na garganta...
Que clama para que a voz se levante
E ouçamos o brado levado pelos ventos a todos os cantos
Onde se encontram as almas resguardadas.

E esse desejo enorme de vida e futuro.
O sonho de respirar o puro ar,
De ver germinar a semente que irá gerar o fruto
Que colheremos nas manhãs de sol e chuva dos dias que virão.

Não existem grades de aço nas celas,
Apenas o medo que nos impede ultrapassar as marcas no chão,
Que nomes sem carne e ossos, ou sangue a correr,
Picharam nas sombrias noites, enquanto sonhávamos...
132
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dpesteves

dpesteves

Testamento do naufrago

Observo o mar através de um copo
vazio
constantemente vazio
na ausência do oceano
postulado ao longe
num oásis impossível
através do copo
vazio
assim me sinto
desfeito e vazio
atiro com o copo
borda fora
sem matar a sede
sem matar quem me mata
pois nada resta para o encher
nem copo
nem a sede
apenas ânsia
revolta 
a vontade de tudo o que não volta
e jogo-me ao mar
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Aline Araújo

Aline Araújo

Alguém

No labirinto das ansiedades perdidas, 
Caminha alguém com o coração aflito. 
Incertezas e medos, sombras no peito, 
A mente inquieta, num constante conflito.

Passos hesitantes, tropeços no caminhar, 
A busca por respostas, um desejo de encontrar. 
Nas teias da preocupação, preso a pensar, 
Um nó apertado, difícil de desatar.

Olhares perdidos, mergulhados na escuridão, 
A alma vaga, em busca de salvação. 
Um grito silencioso, sem direção, 
Implorando por calma, por redenção.

A cada passo dado, um fio de esperança, 
A coragem se ergue, e a angústia se alcança. 
No abraço do autoconhecimento, confiança,
Um ser renascido, em plena bonança.

Então, ó alma perdida nas ansiedades, 
Encontre em si a luz, a paz, a serenidade.
Seja livre das amarras, das dualidades, 
E descubra a força que vive em sua verdade.

Pois mesmo nas sombras, há sempre uma saída, 
Abrace suas ansiedades, sem hesitação.
Descubra o poder que habita em sua vida, 
E floresça em plenitude, em transformação.
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mcegonha

mcegonha

Menina menina


 Menina inocente amor permanente

entras no agora

viver diferente

diversa a tua tranquilidade

desenhas sonho

mostras simpatia.




Menina menina 

arco íris tua ousadia

morada do céu paraíso da poesia

chegas em letra

em mala de poema.




Pequena artista

plantando o momento

sem incertezas no que procuras

sombras serias

sem hipocrisias.




Menina menina

alma coração estrada das poesias.

Que o jardim continue a florescer

amor é vida

amar é aprender a viver.




Menina menina

intenso é teu crescer

no incerto perto do certo

insanas comparações.




Menina menina

alimentas almas

partes corações.




Obrigado Primavera

estação de todas as estações.
6,806
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Claudio Silveira

Claudio Silveira

Assim foi minha vida.

ASSIM FOI MINHA VIDA
Claudio Silveira

Assim foi minha vida, tempestade, calmaria
Procurei levantar-me, olhei para o fim da estrada
silenciosa, calada. Palavras mais nada.

Assim foi minha vida, raridade, fantasia
caminhada, nostalgia, ora tristeza, ora alegria
fiz-me assim, por querer ou se queria.

Assim foi minha vida, amor, paixão, histeria
intenso, nas sombras do meu refúgio, vivi.
na estrada, ao lado de minha alma, 
carregando-a até o fim dos meus dias.

Assim foi minha vida, assim é minha vida
Onde o começo é o fim o fim somente o começo.
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José António de Carvalho

José António de Carvalho

OLHARES A CORES

(Coletânea INVISÍVEIS OLHARES - RVA)

OLHARES A CORES

 
Imagino a vida a cores
Pintada suavemente
Pelos dedos voadores
Que percebem fielmente
A razão dos pormenores.

Olho longe, sempre em frente,  
Abraço as nuvens, e a luz
Que o Sol dá a toda a gente,
A quem me guia e conduz
No respeito mais silente.

Ouço o romance das flores,
Vejo a mudez das nações,
Mordo a fome, calo horrores,
Surdas notas das canções.

Vejo tudo. E do que vejo,
Sendo pouco mais que nada,
É bem mais do que o desejo
De nascer na madrugada.

O poema será um livro;
Um livro livre de medos,
Um coração livre e vivo,
Frágil barco destemido
Guiado pelos meus dedos.

 José António de Carvalho, 30-junho-2022


In, Coletânea "Invísiveis Olhares - 2022", organizada por Ana Coelho, com o apoio da RVA. Os lucros reverteram a favor da Associação Cabra Cega (Associação de apoio aos invisuais).
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mcegonha

mcegonha

Verso/psicografado


 Cheguei agora não senti o meu chegar

chego de longe, apenas venho para amar

não encontro o caminho para te encontrar

sim tu , é a ti que venho procurar.




entrando no interior

sem porta nem janela,

fico na luz

candeia de uma vela




Escrevo com dificuldade no que estou a sentir

amor amizade,

primavera essência no está para vir

Vivo, acontece

no todo voltei a sorrir.




 



1,757
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

ESTADO DE GRAÇA

Eis-nos
na bênção da aventura
cachos de uvas ruivas no regaço
um véu de colibris a cobrir-nos a pele dos segredos.

Eis-nos
no céu dos escolhidos
todo o sol que irradias me ilumina
todo o amor que canto te pertence.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Uma nova ilusão


Eu vou voltar a ver o luar,
Ver o azul prateado no ar.
E quero vê-la de novo passar,
No seu vestido estampado de mar.

Eu estou vendo o tempo correr,
Preciso muito lhe conhecer.
E caminhando poder lhe falar,
De quanto amor eu tenho pra dar.

Ah! O amor... Esta paixão que vem invadir.
E sonhar... É muito bom e não vou desistir!
Quero sentir sua mão na minha mão
Quero ganhar todo o seu coração!
 
Quero voltar a ver o luar.
Quero de novo vê-la passar,
Quero pegar na sua mão
Quero viver uma nova ilusão.
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mcegonha

mcegonha

Portugal o futuro da liberdade.

Portugal a liberdade Portugal o futuro da liberdade. 
 

 
Começamos nas caravelas  

a escalada para a liberdade,

com muitos erros cometidos

que fazem parte da evolução,

mudamos a humanidade

para a sua honra e salvação,

por esses mares a dentro

entramos com nossas caravelas

para a época a maior inovação.




Cruzamos com batalhas

guerras e tudo mais

mas a liberdade prevaleceu.




Evolução é evolução

nada de estranhar,

por a nossa senhora virgem Maria

escolheu Portugal para comparecer

e com a segunda guerra acabar,

na forma de nossa senhora do Rosário

mais conhecida como nossa senhora de Fátima

este cantinho abençoou,

e com a sua mensagem a humanidade salvou.




Mas também deixou o alerta

contra este fanatismo assassino da Rússia

que na mensagem divina,

a profecia se vai realizar.




Vai ser a partir de Portugal

que os lares de toda a europa se vão aquecer

ao frio e há fome sobreviver,

a evolução nunca para de nos surpreender.




Portugal o futuro da liberdade,

para em liberdade se poder continuar a viver.




Hino português a portuguesa.

Portugal a liberdade
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jvgq_30

jvgq_30

meu futuro

as estrelas estão brilhando mais forte.
na verdade, elas sempre estiveram lá,
só eu que não via.
como eu pude perder tanto tempo vendo que nada poderia dar certo?
como eu desviei tanto meu olhar?
como tudo virou uma obrigação?
como tudo ficou tão pesado? 

um email e minha visão ficou mais limpa.
três reuniões e eu já sei exatamente onde eu quero chegar.
e aqueles prazos? que se fodam, essa é a verdade.
eu estou fazendo por mim ou pelos outros?
talvez, eu seja mais uma peça no tabuleiro;
mas, eu me vejo mais do que isso.
vejo que não posso apressar a arte,
os meus sentimentos
e a minha saúde mental.
eu não quero gastar tudo isso tão cedo. 

pois é,
meu esforço está me levando a algum lugar,
por mais que eu ainda tenha várias dúvidas que tiram o meu sono durante a noite.
minha vida mudou de supetão
e eu ainda não consigo me desamarrar da rotina pesada,
do sono profundo nas horas inadequadas
e das memórias que eu mesmo inventei para me sentir bem. 

consegui perceber que tenho tantos motivos para dizer que a minha vida tem tudo para dar certo.
e o meu futuro? bom.
não sei
mas, eu tô tão empolgado para continuar lutando! 
                                                                                  -j.v
201
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Francisco José Rito

Francisco José Rito

A IDADE ETERNIZOU-NOS NO INTERIOR DAS HORAS

Sorvo esta convicção
de que todas as ruas me levam a ti.
Que és a ponte para todas as margens,
sereia que (en)canta em todos os mares.

O trânsito parou nos labirintos da procura.
A idade eternizou-nos no interior das horas,
felicidade cinzelada no mais puro mármore
num relógio do tempo feito à nossa medida.

Há nos nossos beijos de fim de tarde
a robustez de um campo de papoulas
debruando-nos o azul dos lábios
com raios de sol poente e sabor a vinho novo.
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José António de Carvalho

José António de Carvalho

O PEITO

(Coletânea LIVRO ABERTO - RVA - 2022)

O PEITO

 
É onde cai a formosura
das pétalas das flores
que subtilmente
vão descendo das árvores.

É onde se sossega o sussurro
e se cala o soluço
por entre o calor do afago
dum paraíso campestre
que adormece os deuses.

É onde se faz voar o sonho
que alimenta todo o corpo,
para crescerem asas de outro voo.

É onde repousa o decote
na dormência da alma,
e se ancora o espírito
na impetuosidade dos lábios
de subirem os degraus 
para uma outra dimensão:

É a morada do coração!...


José António de Carvalho, 28-fevereiro-2022
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dpesteves

dpesteves

Seringas de água benta

As costas arqueadas
ao balcão de um bar
esperando a benção
em meditação transtornada
ponderando a maçada
de não ser ninguém
e até a música
torna-se demasiado alta
ou impercetível
na memória fula
pecaminosa
se Deus não fosse estrábico
teria abortado a humanidade
ao quinto dia
evitando a desgraça
de cravar uma e outra vez os braços
na jornada prolixa do desassossego
de quem sonhou
e agora transpira e contorce 
só a solidão me dá tempo
pois nem os garrotes me calam as veias
essas que tão mal escolhem as palavras
dói-me as costas
a barriga
a parte debaixo da alma
dói-me o passado
dói-me outra dose vazia
dói-me o esquecimento e a pele esticada
às vezes esqueço a que sabe a dor
outras vezes é de noite
e tudo me dói!





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Ítalo Rafael Lima Dourado

Ítalo Rafael Lima Dourado

Condolências

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer o quanto
errei a respeito de tudo que
pensei, e cheguei a lhe dizer. 

Seus vômitos, suas lágrimas,
sua fragilidade, sua doença.
Minha adolescência, minha
fatalidade foi a impaciência. 
Quantos ingredientes para
formar meu revoltado ódio.   

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer que ainda
não mudei, e continuo sendo
revoltado e mal-humorado.
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