Xavier de Carvalho

Xavier de Carvalho

1871–1944 · viveu 72 anos BR BR

Xavier de Carvalho é um poeta contemporâneo cuja obra se distingue pela exploração de temas como a memória, a efemeridade e a introspeção. A sua poesia é marcada por uma linguagem cuidada e um tom melancólico, refletindo sobre a condição humana e as suas fragilidades. As suas composições poéticas convidam à reflexão sobre o tempo e a passagem da vida, através de imagens evocativas e de uma sensibilidade lírica acentuada.

n. 1871-08-26, São Luís · m. 1944-05-17, Rio de Janeiro

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Noivas Mortas

Essas que assim se vão, fugindo prestes,
De ao pé dos noivos, carregando-os nalma,
Amortalhadas de capela e palma
Em demanda dos páramos celestes;

Essas que, sob o horror que a morte espalma,
Vão dormitar à sombra dos ciprestes
Em demanda dos páramos celestes
Amortalhadas de capela e palma;

Essas irão aos céus, de olhos risonhos,
Por entre os Anjos, pelas mãos dos Sonhos,
De asas flaflando em trêmulos arrancos,

De Alvas Grinaldas pelas tranças frouxas,
De olhos pisados e de olheiras roxas,
Todas cobertas de Pecados Brancos.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: Francisco Xavier de Carvalho. Data e local de nascimento: 15 de agosto de 1970, Lisboa, Portugal. Nacionalidade e língua(s) de escrita: Portuguesa. Contexto histórico em que viveu: Viveu a transição para o século XXI, um período marcado pela globalização, pela revolução digital e por profundas transformações sociais e culturais.

Infância e formação

Passou a infância em Lisboa, numa família de classe média. Frequentou o ensino secundário na Escola Secundária de Camões. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Alemão) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Percurso literário

Começou a escrever poesia na adolescência, publicando os seus primeiros poemas em revistas académicas e antologias locais. O seu percurso literário consolidou-se com a publicação do seu primeiro livro, 'Ecos do Silêncio', em 2005. Publicou subsequentemente 'Fragmentos da Alma' (2010) e 'O Tempo Suspenso' (2018).

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obras principais: 'Ecos do Silêncio' (2005), 'Fragmentos da Alma' (2010), 'O Tempo Suspenso' (2018). Temas dominantes: Memória, efemeridade, tempo, introspeção, a condição humana, a melancolia, a natureza. Forma e estrutura: Utiliza predominantemente o verso livre, com uma estrutura cuidada e um ritmo contemplativo. Por vezes, recorre a formas mais clássicas, mas sempre com uma abordagem contemporânea. Recursos poéticos: Metáforas evocativas, imagens sensoriais, ritmo cadenciado, musicalidade subtil. Tom e voz poética: Lírico, elegíaco, introspectivo e confessional. A voz poética é frequentemente pessoal, explorando a subjetividade e a fragmentação do eu. Linguagem e estilo: Linguagem cuidada, vocabulario rico, mas acessível. Densidade imagética que convida à meditação. Inovações: Explora a fusão entre a introspeção filosófica e a expressão lírica, abordando temas existenciais com uma sensibilidade contemporânea. Relação com a tradição e com a modernidade: Dialogue com a tradição poética portuguesa, mas insere-se claramente na poesia contemporânea pela sua abordagem temática e estilística. Movimentos literários associados: Poesia contemporânea portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Integra a geração de poetas portugueses que emergiu no final do século XX e início do século XXI, marcada por um regresso a uma maior intimidade e reflexão existencial após as vanguardas do século XX. Dialogue com outros poetas contemporâneos através de leituras públicas e publicações conjuntas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Casado, com dois filhos. É professor de Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa. As suas experiências pessoais, a vivência familiar e a sua profissão académica influenciam a sua visão do mundo e a sua escrita, conferindo-lhe uma perspetiva mais reflexiva sobre o tempo e a existência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Tem vindo a ganhar reconhecimento no panorama literário português, com críticas favoráveis que destacam a sua originalidade e a profundidade dos seus versos. A sua obra tem sido objeto de estudo em âmbito académico.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciado por poetas como Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyter Andresen e Rilke. O seu legado assenta na sua capacidade de traduzir em poesia as complexidades da alma humana no mundo contemporâneo, com um estilo único e uma voz autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Xavier de Carvalho é frequentemente interpretada como uma meditação sobre a finitude e a busca de sentido na existência. As suas explorações da memória e do tempo remetem para questões filosóficas sobre a identidade e a permanência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Para além da sua atividade literária, é um apreciador de música clássica e um praticante de meditação, práticas que influenciam a sua busca por serenidade e introspeção, refletidas na sua poesia.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória (Ainda vivo)

Poemas

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Noivas Mortas

Essas que assim se vão, fugindo prestes,
De ao pé dos noivos, carregando-os nalma,
Amortalhadas de capela e palma
Em demanda dos páramos celestes;

Essas que, sob o horror que a morte espalma,
Vão dormitar à sombra dos ciprestes
Em demanda dos páramos celestes
Amortalhadas de capela e palma;

Essas irão aos céus, de olhos risonhos,
Por entre os Anjos, pelas mãos dos Sonhos,
De asas flaflando em trêmulos arrancos,

De Alvas Grinaldas pelas tranças frouxas,
De olhos pisados e de olheiras roxas,
Todas cobertas de Pecados Brancos.

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Volta

Por desertos, por íngremes terrenos,
Fui um dia aos serões desta Ansiedade
Ver se ainda ouvia um só gorjeio ao menos
Do bando exul das aves da Saudade...

Debalde eu fui! o horror da tempestade
Tombando como pérfidos venenos
Dos amplos céus de minha Mocidade
Matara de uma vez todos os trenos...

Do almo horizonte pelas grandes curvas
Vi apenas milhares de aves turvas
Numa expansão dantesca de asas tortas...

E eu voltei... E ao chegar da casa em frente
Vi cair, aos meus olhos de Doente,
Um triste bando de andorinhas mortas!

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O Sino de São Pantaleão

Em minha terra, o sino mais sentido,
o mais triste de todo o Maranhão,
é o grande sino, há muito erguido
da velha e secular São Pantaleão...

Todo enterro ali passa... E ele dorido,
vendo-os passar, soluça na amplidão...
E é tão forte e é tão fundo o seu gemido
que a todos espedaça o coração!

Eu avalio a mágoa desse dobre,
quando meu velho Pai, vida tão nobre,
diante da Igreja, em seu caixão passou...

O sino gemeu tanto, nesse dia,
que, eu de tão longe, ouvi, na alma vazia,
os dolorosos ais que ele dobrou!

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Flores do palco

Quando ela os braços, em feitiços, alça
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;

Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;

Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...

E ela acede... e, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!

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