Escritas

Lista de Poemas

Noivas Mortas

Essas que assim se vão, fugindo prestes,
De ao pé dos noivos, carregando-os nalma,
Amortalhadas de capela e palma
Em demanda dos páramos celestes;

Essas que, sob o horror que a morte espalma,
Vão dormitar à sombra dos ciprestes
Em demanda dos páramos celestes
Amortalhadas de capela e palma;

Essas irão aos céus, de olhos risonhos,
Por entre os Anjos, pelas mãos dos Sonhos,
De asas flaflando em trêmulos arrancos,

De Alvas Grinaldas pelas tranças frouxas,
De olhos pisados e de olheiras roxas,
Todas cobertas de Pecados Brancos.

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Flores do palco

Quando ela os braços, em feitiços, alça
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;

Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;

Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...

E ela acede... e, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!

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Volta

Por desertos, por íngremes terrenos,
Fui um dia aos serões desta Ansiedade
Ver se ainda ouvia um só gorjeio ao menos
Do bando exul das aves da Saudade...

Debalde eu fui! o horror da tempestade
Tombando como pérfidos venenos
Dos amplos céus de minha Mocidade
Matara de uma vez todos os trenos...

Do almo horizonte pelas grandes curvas
Vi apenas milhares de aves turvas
Numa expansão dantesca de asas tortas...

E eu voltei... E ao chegar da casa em frente
Vi cair, aos meus olhos de Doente,
Um triste bando de andorinhas mortas!

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O Sino de São Pantaleão

Em minha terra, o sino mais sentido,
o mais triste de todo o Maranhão,
é o grande sino, há muito erguido
da velha e secular São Pantaleão...

Todo enterro ali passa... E ele dorido,
vendo-os passar, soluça na amplidão...
E é tão forte e é tão fundo o seu gemido
que a todos espedaça o coração!

Eu avalio a mágoa desse dobre,
quando meu velho Pai, vida tão nobre,
diante da Igreja, em seu caixão passou...

O sino gemeu tanto, nesse dia,
que, eu de tão longe, ouvi, na alma vazia,
os dolorosos ais que ele dobrou!

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