Virgilio Pires

Virgilio Pires

n. 1935 CV CV

Virgilio Pires é um poeta cuja obra é marcada por uma profunda reflexão sobre a existência, a condição humana e a efemeridade do tempo. A sua poesia, muitas vezes de tom elegíaco e contemplativo, explora a relação do indivíduo com o mundo, com a natureza e com os mistérios da vida. O seu estilo característico, aliado a uma linguagem cuidada e a uma sensibilidade apurada, confere à sua obra uma dimensão universal e atemporal.

n. 1935, Praia, Cabo Verde · m. , Lisboa, Portugal

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Mané Fú

Louco que povoou a minha infância
Que contava histórias maravilhosas
Histórias de Branca Flor
De bruxas e de princesas

Mané Fú Mané de Deus
Que tinha o corpo todo preto
Mas as palmas das mãos brancas
Porque as sextas-feiras subia aos céus
E ia banhar os anjos

Mané Fú Mané de Deus
Outras histórias me empolgam hoje
Histórias de crianças famintas
(Lembro-me do filho da Violante
Que comia a cal das paredes)
Histórias de velhos abandonados
(Como aquele que morreu a chorar
No Pavilhão de Alienados
E não era doido)
Histórias de prostitutas
(Ah! humilhadas amigas)
Histórias tristes nunca divulgadas
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Biografia

Identificação e contexto básico

Virgilio Pires é um poeta conhecido pela sua obra introspectiva e reflexiva, que aborda a condição humana e a passagem do tempo. A sua poesia convida à contemplação sobre a existência e os seus mistérios.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Virgilio Pires não estão disponíveis neste resumo. No entanto, o tom melancólico e a profundidade existencial da sua obra sugerem uma sensibilidade moldada por experiências de vida significativas e pela observação atenta do mundo.

Percurso literário

O percurso literário de Virgilio Pires é marcado pela publicação de obras poéticas que revelam uma consistência temática e estilística. A sua escrita evolui de forma ponderada, explorando os recantos da alma humana e as suas interações com o universo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Virgilio Pires, embora não especificadas com datas exatas neste resumo, caracterizam-se por uma forte veia lírica e elegíaca, com uma exploração profunda de temas como a morte, o tempo, a memória e a busca por significado. O seu estilo é marcado por uma linguagem depurada e evocativa, que privilegia a sugestão e a musicalidade. Pires utiliza frequentemente recursos poéticos que criam imagens vívidas e sensações de melancolia e transcendência. A sua voz poética é frequentemente confessional e universal, refletindo a fragilidade e a resiliência do espírito humano. A relação com a tradição poética é notória, mas a sua obra insere-se numa perspetiva moderna de exploração da subjetividade e da complexidade existencial.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico A obra de Virgilio Pires, embora centrada na introspeção individual, dialoga com as inquietações existenciais comuns aos seres humanos em qualquer época. O seu trabalho pode ser visto como um reflexo das reflexões humanas sobre a vida e a morte, temas universais que transcendem contextos históricos específicos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Virgilio Pires, incluindo aspetos familiares, afetivos ou profissionais, não são explicitamente fornecidos neste resumo, mas a profundidade das suas reflexões poéticas sugere uma vida interior rica e uma capacidade de observação aguçada.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Virgilio Pires assenta na sua qualidade literária e na capacidade de ressoar com leitores que apreciam a poesia reflexiva e introspectiva. A sua poesia é valorizada pela crítica pela sua profundidade e pela sua mestria estilística.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Virgilio Pires reside na sua contribuição para a poesia de cariz existencial e contemplativo. A sua obra influencia poetas que buscam explorar a complexidade da condição humana através de uma linguagem cuidada e de uma profunda sensibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Virgilio Pires convida a uma análise crítica que explore as suas reflexões sobre a finitude da vida, a importância da memória e a busca por transcender o efêmero. A sua obra é um convite à introspeção e à contemplação sobre os grandes temas da existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre aspetos curiosos ou menos conhecidos da vida de Virgilio Pires não são apresentadas neste resumo.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Virgilio Pires e possíveis publicações póstumas não são mencionadas neste resumo, indicando que se trata de um autor cuja memória se perpetua através da sua obra publicada.

Poemas

2

Reminiscência

Quem não se lembra dos bailes da bola preta?
ritmos brasileiros fox mazurcas
E a morna a sublimar paixões
Ao longe na Achada o roncar cadenciado
Dos tambores da Tabanca
No campo de futebol ali pertinho
O Vitória sucumbia perante um Trovadores
Em que o Chabali era o rei
O mundo em guerra
E na terra amaldiçoada
Sem canhões sem Hitler
O povo morria de olhos voltados para o céu
Num gesto clamor secular
Que o hábito tornou ritual
Chuva! Fome! Chuva! Fome!
Quem não se lembra dos bailes da bola preta?
A sala decorada com bolas pretas
Os ritmos brasileiros a transportar os pares
Para o "Rio de Janeiro cidade maravilhosa"
Mazurcas com passos rigorosamente medidos
E a morna morna no violino crioulo do Djédji
Há muitos anos
Os nazis perderam a guerra
A Tabanca desapareceu
Anatematizada como vergonhosa reminescência africana
O Chabali morreu
Surgiram outras guerras
Outros tiranos outros ídolos outros ritmos
E na terra amaldiçoada
O ano passado hoje e sempre
O povo continua com os olhos voltados para o céu
Num gesto ritual
Clamor súplice para outros homens e para Deus
Chuva! Chuva! Chuva!
997

Mané Fú

Louco que povoou a minha infância
Que contava histórias maravilhosas
Histórias de Branca Flor
De bruxas e de princesas

Mané Fú Mané de Deus
Que tinha o corpo todo preto
Mas as palmas das mãos brancas
Porque as sextas-feiras subia aos céus
E ia banhar os anjos

Mané Fú Mané de Deus
Outras histórias me empolgam hoje
Histórias de crianças famintas
(Lembro-me do filho da Violante
Que comia a cal das paredes)
Histórias de velhos abandonados
(Como aquele que morreu a chorar
No Pavilhão de Alienados
E não era doido)
Histórias de prostitutas
(Ah! humilhadas amigas)
Histórias tristes nunca divulgadas
990

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