Melodia triste sem pranto,
Fernando Pessoa
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Ano: 606
Melodia triste sem pranto,
Diluída, antiga, feliz
Manhã de sentir a alma como um canto
De D. Dinis.
Vem do fundo do campo, da hora,
E do modo triste como ouço,
Uma voz que canta, e se demora.
Escuto alto, mas não posso
Distinguir o que diz; é música só,
Feita de coração, sem dizer:
Murmúrio de quem embala, com um vago dó
De o menino ter de crescer.
24/08/1930
Diluída, antiga, feliz
Manhã de sentir a alma como um canto
De D. Dinis.
Vem do fundo do campo, da hora,
E do modo triste como ouço,
Uma voz que canta, e se demora.
Escuto alto, mas não posso
Distinguir o que diz; é música só,
Feita de coração, sem dizer:
Murmúrio de quem embala, com um vago dó
De o menino ter de crescer.
24/08/1930
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