Escritas

Vidraça

Angela Santos
A
menina olhava a vida
por detrás da vidraça
e estremecia a um bater de asa
suspirando pelo beijo que à noite
trocam os namorados

A menina guardava-se
religiosamente
vaidosa do seu sexo sacralizado
e venerava a pureza
do nada.

A menina ardia no incêndio
que a noite
insuspeitadamente
acende na memória adormecida.

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