Escritas

Ó ervas frescas que cobris

Fernando Pessoa Ano: 606
Ó ervas frescas que cobris
As sepulturas,
Vosso verde tem cores vis
A meus olhos, já servis
De conjecturas.

Sabemos bem de quem viveis
Ervas do chão,
Que sossego é esse que fazeis
Verde na forma que trazeis
Sem compaixão.

Ó verdes ervas, como o azul medo
Do céu sem Ser,
Cunhado como entre segredo
Da vida viva, e outro degredo
Do infindo haver.

Tenho um terror com todo eu
Do verde chão...
Ó Sol, não baixes já no céu,
Quero um momento ainda meu
Como um perdão.


14/06/1930
4 291 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment