Vou com um passo como de ir parar
Fernando Pessoa
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Ano: 606
Vou com um passo como de ir parar
Pela rua vazia
Nem sinto como um mal ou mal-estar
A vaga chuva fria...
Vou pela noite da indistinta rua
Alheio a andar e a ser
E a chuva leve em minha face nua
Orvalha de esquecer...
Sim, tudo esqueço. Pela noite sou
Noite também
E vagaroso eu (...) vou,
Fantasma de magia.
No vácuo que se forma de eu ser eu
E da noite ser triste
Meu ser existe sem que seja meu
E anónimo persiste...
Qual é o instinto que fica esquecido
Entre o passeio e a rua?
Vou sob a chuva, amargo e diluído
E tenho a face nua.
14/02/1929
Pela rua vazia
Nem sinto como um mal ou mal-estar
A vaga chuva fria...
Vou pela noite da indistinta rua
Alheio a andar e a ser
E a chuva leve em minha face nua
Orvalha de esquecer...
Sim, tudo esqueço. Pela noite sou
Noite também
E vagaroso eu (...) vou,
Fantasma de magia.
No vácuo que se forma de eu ser eu
E da noite ser triste
Meu ser existe sem que seja meu
E anónimo persiste...
Qual é o instinto que fica esquecido
Entre o passeio e a rua?
Vou sob a chuva, amargo e diluído
E tenho a face nua.
14/02/1929
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