Escritas

O sonho que se opôs a que eu vivesse

Fernando Pessoa Ano: 606
O sonho que se opôs a que eu vivesse
A esperança que não quis que eu acordasse,
O amor fictício que nunca era esse,
A glória eterna que velava a face.

Por onde eu, louco sem loucura, passe
Esse conjunto absurdo a teia tece...
E, por mais que o Destino me ajudasse,
Quero crer que o Deus dele me esquecesse.

Por isso sou o deportado, e a ilha
Com que, de natural e vegetável
A imaginação se maravilha...

Nem frutos tem nem água que é potável...
Do barco naufragado vê-se a quilha...

(...)


26/04/1928
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