A Dança dos Sete Véus

O tetrarca pediu disfarçando, de leve,
Um desejo, com voz, de enternecida, rouca,
Que Salomé, movendo o corpo airoso e breve,
Dançasse. Estava triste, e era a graça bem pouca.

Envolta em sete véus alvíssimos, de neve,
Ela, a judia, põe-se a dançar, como louca...
E, a cada evolução que o seu corpo descreve,
Como uma estranha flor, dos seus véus se destouca.

Em meneios gentis, a princesa, que gira,
Tira o primeiro véu, tira o segundo, tira
O terceiro, e outro mais, mais outro, e outro, ainda...

Quando o véu derradeiro ela, afinal, arranca,
Estaca. Aos olhos reais, Salomé, na mais franca
Nudez, mostra-se então, provocadora e linda.

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