Escritas

Último Soneto

Almir Fonseca
Padecendo no leito de Procusto,
Eu sinto a vida se esvaindo aos poucos,
E às vezes tenho pesadelos loucos
Que ao lembrá-los depois inda me assusto

Levados por espíritos de amoucos,
Num desespero crucial, injusto,
Desço, com a exigüidade do meu busto,
À escuridão das covas e cavoucos.

Mas quebrando os grilhões e os arganéus
Que me atavam às fundas sepulturas,
— Surjo singrando a vastidão dos céus,

Como se navegasse em mansas vagas
Para alcançar as máximas alturas
Do além, buscando esplendorosas plagas...

1 734 Visualizações

Comentários (2)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
kelvinfonseca
2020-09-27

Pego-me com os olhos fixados em seus sonetos e poemas, e por horas consigo imaginar o senhor escrevendo cada palavra. Seu bisneto: Kelvin Fonseca, filho de Cassyus Fonseca e neto de seu amável filho: senhor Anatole France Fonseca. 01:15 - 27 de setembro de 2020

Cassyus Fonseca
Cassyus Fonseca
2014-09-19

Gostaria de ter tido a honra de ter passado ao menos 5 minutos abraçado a ti,meu querido e talentoso avô. Sou Cassyus Fonseca,neto do Sr. Almir Fonseca e filho de Anatole France Fonseca.