Escritas

Oca de conter-me

Fernando Pessoa Ano: 607
Oca de conter-me
Como a hora dói!
Pérfida de ter-me
Como me destrói
O meu ser inerme!

Ó meu ser sombrio!
Ó minha alma tal
Como se p'lo rio
Do meu ser igual
Sempre a mim, e frio

De nocturno e meu,
Passasse, cantando,
Uma louca, olhando
Dum barco pró brando
Silêncio do céu.


04/05/1914
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