Escritas

A que revive

Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Não me culpes. Amor, nos teus pesares,
nem aumentes, por mim, as tuas dores.
Acamponham-te sempre os meus cismares
e o espírito solícito, aonde fores.

Se ouvires cantilenas pelos ares,
em dias claros e reveladores,
imagina-as quais ondas singulares
de carícias, que envio como flores.

E se vires, em noites silenciosas
- e olhos fechados, como adormecida -
entrar alguém de formas vaporosas,

aconchega-o, amor, na soledade,
e prolonga, no sonho, a tua vida,
revivendo nos beijos de saudade.