Chuvas no Alentejo

chuva no poema
noite ardida a flutuar na rua
— o espaço do último sangue

estranha geometria
pontuação que se fecha sobre o tempo
como quem colhe na tarde
o fermentou que restou
de uma vírgula ou insecto

vírgula no poema aguaceiro
forte acolhendo a sombra
que do retrato o rosto faz
cair

pouco importa o vento
que vem das velhas fotografias
ou nas cartas que se não abriram
só importa a chuva
aceite entre duas sílabas

como um pássaro ou um livro

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