Ano: 20620
Uma vez que ornamentos e flores de retórica são ostentados com o maior gosto por uma época a cuja essência repugna o sentido perdido dessas formas — e com gosto tanto maior quanto mais essa época tiver ultrapassado tal sentido, sem que ela seja, no entanto, capaz de criar novos ornamentos e novas flores de retórica que correspondam ao seu próprio conteúdo —, um Estado ainda “lançará mão da espada” quando há muito já será comum lançar mão do gás. Podemos imaginar que semelhante decisão algum dia se transforme numa frase feita? Deveria ser esclarecedor acerca da técnica o fato de ela não ser capaz de criar novos chavões, mas de deixar o espírito da humanidade no estado de não poder prescindir dos antigos. O mal do mundo vive e cresce nessa duplicidade de uma vida transformada e de uma forma de vida que se arrasta consigo. A época não cria chavões, mas está cheia deles; e justamente por isso, por um conflito incurável consigo mesma, precisa lançar mão da espada repetidamente. Os novos acontecimentos não produzirão nenhuma frase feita, mas as velhas frases feitas produzirão os acontecimentos!
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