Ano: 20620
Woodie, um cãozinho de pelo longo que conheci pessoalmente — ele ria quando as pessoas conversavam com ele e chorava porque não podia conversar com elas, e seu olhar era em si e para elas a gratidão da criatura —, foi morto por um automóvel. Quem teria tanta pressa? Deveria o pouquinho de espaço entre os corpos humanos que um passante desses exigia — ele podia se encolher como uma cobra — ser melhor empregado? Os dignos pagam para que os outros continuem vivend o indignamente. E para quê, afinal, já que esse exemplo não melhora os ruins? Ele seguia seu caminho e morreu por isso. Quando a mulher se voltou, ele jazia ao sol. Quando a vida não tem palavras, resta tanto silêncio.