Ano: 20620
A psicanálise é mais uma paixão do que uma ciência: pois lhe falta a mão serena no exame, e essa falta constitui a única aptidão para a psicanálise. O psicanalista ama e odeia seu objeto, inveja sua liberdade ou sua força e os deriva de seus próprios defeitos. Ele apenas analisa porque ele próprio é feito de partes que não resultam numa síntese. Ele acredita que o artista sublima uma enfermidade porque ele próprio ainda padece dela. A psicanálise é um ato de vingança por meio do qual a inferioridade adquire compostura, quando não superioridade, e procura equilibrar a desarmonia. Ser médico é mais do que ser paciente, e por isso todo imbecil busca hoje tratar todo gênio. O que neste caso falta ao médico é a doença. Como quer que se comporte, nada mais conseguirá apresentar para explicar o gênio do que a prova de que ele próprio não o possui. Porém, visto que o gênio não precisa de uma explicação, e uma que defenda a mediocridade contra o gênio é danosa, resta à psicanálise apenas uma única justificativa para sua existência: a muito custo, ela pode ser empregada para desmascarar a psicanálise.
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