Ano: 20620
Se causa deleite ao esteta o gesto com que alguém rouba cinco milhões do Tesouro Público, e ele afirma publicamente que a diversão que o escândalo traz aos “poucos apreciadores” tem mais valor do que o prejuízo total, então se deve dizer-lhe: Se o gesto dessa diversão é uma obra de arte, vamos ser generosos, e um milhão a mais ou a menos que o Estado perde não nos importa. Mas se isso se transforma num editorial, então a nossa sensibilidade social desperta e não damos nem cinco centavos pelo divertimento. Pois se a bancarrota do Estado se transforma numa obra de arte, o mundo faz um negócio com isso. Caso contrário, vamos perceber os efeitos no orçamento e condenar a estética popular que desculpa os ladrões sem indenizar as vítimas do roubo.
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