Ano: 20620
Há uma credulidade inferior da confiança e uma credulidade superior do ceticismo. Um sujeito é enganado, outro é homem o bastante para enganar a si próprio. Aquele é feito de bobo, este é um sabedor que não deixa aquilo que sabe estragar sua brincadeira quando olha sobre o próprio ombro. (Eu queria a assinatura dela num postal. Pedi a um amigo que a falsificasse. Se ele acrescentar que é autêntica, certamente acreditarei.) Antes, quando eu ainda acreditava, não teria podido fazer ideia de minha credulidade. Agora, fico frequentemente perplexo com as surpresas que me faço e com o fato de me surpreender. Desde que minha desconfiança cresceu, sei o quanto acredito.