Ano: 20620
É uma injustiça sempre criticar Viena pelos seus defeitos, visto que suas qualidades também merecem censura. No entanto, o livro de B. chega a criticar Viena por defeitos que são apenas qualidades que lhe faltam. Como esse autor eleva o nível cultural dos vienenses para atacá-lo! É lastimável essa falsa óptica de uma crítica que primeiro precisa inventar as qualidades de um povo para depois levá-las a mal. O autor descobriu no povo austríaco uma concepção ilusória da vida, e culpa uma dinastia, que sem dúvida é a mais fiel guardiã das realidades, pelo fato de o vienense viver num mundo irreal. A história “quis experimentar se o espírito podia governar sozinho”, e instituiu os Habsburgos. Eles criaram o mundo a partir de seu espírito. E semelhante panegírico ao mais sublime senso artístico foi considerado desleal! Eu, no entanto, não tolero a concepção errônea de uma essência popular que se esgota exclusivamente em pequenas autenticidades. Pois o mundo vienense não foi criado a partir do espírito, e sim a partir da carne de gado. Diante dessa solidez que se mede em quilos, toda imaginação capaz de criar um mundo qualquer é arruinada. O espírito criativo da irrealidade, descoberto pelo autor, interveio na história austríaca visivelmente apenas uma vez. Foi durante a construção da Linha Ferroviária Sul, entre Viena e Baden, quando se constatou que não havia montanha à disposição para construir o túnel que uma Alteza desejava — e o túnel foi construído.
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