Ano: 20620
Não há volúpia que se aproxime da euforia da criação intelectual, e não há tristeza que se compare ao estado em que o artista mergulha depois de concluída a obra. A segurança da inconsciência cria sempre a sua primeira obra e, por isso, sempre a melhor. Uma vez consumada, a insegurança da consciência vê que é a última e, por isso, a pior. Qualquer crítica leviana impressiona semelhante desânimo. Um juízo capaz de acompanhar a criação artística apenas na sobriedade e não no gozo é uma verdadeira maldição. Nada sabem da volúpia aqueles que apenas sabem que ela precede a tristeza.