Ano: 20620
As revistas humorísticas são uma prova de que o filisteu não tem humor. Elas fazem parte da seriedade da vida como a bebida faz parte da refeição. “Dê-me todas as revistas humorísticas!”, ordena um idiota cheio de preocupações ao garçom, e se atormenta para que um sorriso apareça em seu rosto. O humor que ele não tem deve lhe chegar de todos os cantos da vida cotidiana, e ele desdenharia inclusive a caixa de fósforos que não trouxesse uma piada em seu rótulo. Li numa delas: “Aprendiz de ofício (que comprou uma linguiça casualmente enrolada num poema): Muito bem! Primeiro vou comer a linguiça para alimentar o corpo e depois leio o poema para alimentar o espírito!”. Coisas assim alegram o filisteu, e ele nem sequer percebe o método do aprendiz de ofício como uma indireta.