Ano: 20620
Para se orientar em questões de política, bastam lembranças de opereta. Aquilo que pode ser dito contra a forma de governo absolutista, por exemplo, nos foi ensinado pelas figuras de um rei Bobèche, de um príncipe herdeiro Kasimir ou de um general Kantschukoff. Se a exigência dos frasistas de que a arte se ocupe dos assuntos públicos possui mesmo um sentido, então ela só pode estar se referindo à produção de operetas. Esta é criticada com razão por negligenciar há décadas os únicos assuntos humanos que não cabe levar à sério, ou seja, os assuntos públicos. Pois a forma artística da opereta é adaptada à essência de todos os desdobramentos políticos por conceder à estupidez uma improbabilidade redentora. Exigir que a criação artística se lance sobre os acontecimentos recém-saídos do forno é uma tolice; mesmo a sátira os desdenha, pois ainda que seja capaz de apreender os ridículos da política, estes ocorrem abaixo do nível de uma observação espirituosa de sentido superior.
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