Escritas

SACADURA CABRAL

Fernando Pessoa Ano: 607
SACADURA CABRAL

No frio mar do alheio Norte,
Morto quedou,
Servo da Sorte infiel que a Sorte
Deu e tirou.

Brilha alto a chama que se apaga.
A noite o encheu.
De estranho mar que estranha plaga,
Nosso, o acolheu?

Floriu, murchou na extrema haste;
Jóia do ousar,
Que teve por eterno engaste
O céu e o mar.


(Athena, vol. I, nº 3, Dezembro de 1924)
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