Escritas

Recife

Vando Coutinho
Recife cidade bonita nas horas vazias



domingos,feriados,dias santos e afins



todos os trezentos e sessenta e tantos.



Praças,parques,pontes,ruelas estreitas,



becos,calçadas,sossêgo e silêncio.



Bêbado,vendedor de picolé,passante vadio



e o sebista maravilha das ruas suspeitas.



Banca de madeira ou lona estendida



romance,teatro,nu,lei e jornais embolorados.



Pedido,queixa,barganha e algumas moedas:



Felicidade por mais um volume a ser logo



reunido entre os outros nunca lidos.



Musa úmida entrecortada por rios:



Travessia,ponte,mangue,esgoto e lama;



cinco caniços solitários,homens sozinhos.



Bar,cachaça,caju,farinha,pimenta,guisado,



cadeira tomada e gesto de frequentador.



Tarde cinzenta,sombria e inspiradora,



perfeita para se ler os dizeres no bronze.



Casario desleixado,quarto trancado,assobio,



murmúrio de moça bonita e pela janela



grito,correria,apito,riso,ameaça gritada



cidade velha amiga,amada,esquecida.
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