O círculo temporário

I.
Na cidade não se falava de amor
mas eu amava
e resistia à cidade
porque falava de amor.

II.
Uns viviam em ruas com nome
de escultor,
outros viviam em ruas com nome
de pintor,
muito poucos viviam em ruas com nome
de gente.

III.
Na cidade tudo era circular:
terminava no mesmo ponto
em que começava.
Redondos, inúteis,
sobrevivíamos
como as montanha lá ao fundo.

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Comentários (1)

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Bem minha cara poetisa. gostei muito da montanha lá fundo da cidade, pois o resto era um circulo vicioso. Bem teu nome devia estar numa das ruas. Ademir . belo texto.