Escritas

Nada sabemos

Amália Bautista

Nunca sabemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou o nosso desejo,
se as cidades mudam de lugar
ou todas as casas são a mesma.
Nunca sabemos se quem nos espera
é quem esperamos, num frio cais.
Não sabemos nada. Avançamos
às apalpadelas, duvidando
se isto que parece alegria
é o sinal seguro
de que voltámos a enganar-nos.

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