Traindo o poema

Juro: eu tinha prometido não escrever
este poema. Não gosto de supermercados 
nem de poetas de supermercado, mas hoje enchi
a casa de manteiga e não pude evitar uma sensação
de metáfora, uma ironia a escorregar-me nos dedos
como anúncio de contemporaneidade. Juro: eu não preciso
de tantas embalagens, nem preciso deste poema,
mas há tantos dias que não posso tomar o pequeno-almoço
na minha casa sem manteiga, sem poema, que hoje enchi-me
de coragem para tudo isto.
E juro: apesar da traição, sinto-me hoje mais
contemporânea
do que nunca.

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Comentários (1)

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Olá poetisa Filipa Leal.... boa tarde.... li e ouvi teus poemas... parabéns...lindos , agora não odeias mais supermercados!!!! gostei. me visites.