Escritas

Aranha

Francisco Carvalho
Medusa
tecelã dos fios
da morte.

Seus olhos de Górgona
dilaceram
o corpo do vento.

Transformam
em rochas de sal
os filhos do nosso invento.

II

Num raio de sol
os fios da teia.
Arquitetura de vidro
com vigas de areia.

O fulgor da trama
que o vento incendeia.
Numa gota de orvalho
os olhos da teia.

Medusa acordada
a aranha passeia
nas ruas de seda
do seu devaneio.

III

Arquiteta
dos minutos
fiandeira
do tempo circular
semeadora
das messes do vazio
ceifadora
de asas e de vôos
contemporânea
dos anjos e da morte.

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