Poemas Dos Peles-Vermelhas - a Puberdade

Herberto Helder
Herberto Helder
1 min min de leitura 1968 O Bebedor Nocturno
Sai depressa, depressa.
Já quase morrem esta noite os ecos.

Mulher virgem, mulher virgem não tem sono.
Vela, veia, através da noite.

Áspero e gigante, o cacto despedaçado:
e minhas penas caídas elevam-se no ar,
mais alto que o cume do monte da Mesa.

E eis que o jovem moveu as pedras sonoras,
e a mulher ouviu, e não pôde dormir.
E partiram-se as unhas de meus pés.

Quando eu passava, tombaram os ramos da noite,
e quebraram-me as penas.
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