Escritas

I I

Herberto Helder Ano: 3630
Água sombria fechada num lugar luminoso, noite,
e depois tu,
criança orvalhada.
De que é feito o centro do nome diamante,
a pedra diamante com água rasando as bordas.
Nem a ressaca das searas poderosas.
Não sabes onde um cometa se despenha como
se um rio de quartzo por trás de tudo quebrado a meio do escuro,
deslumbrando por ali abaixo.
O teu espaço, clarão a página inteira.
De que é feito.
Criança devorada por toda a luz da terra.
E na suprema faixa cristalográfica onde é mais pesada a água
desabrocha a gárgula: caindo,
a água esmaga-te.
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