A Linha de Sangue Irrompendo Neste Poema
Herberto Helder
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Ano: 3638
a linha de sangue irrompendo neste poema lavrado numa trama de pouco mais que uma dúzia de linhas
oh glória da ínvia linha única!
como um lenço, ou melhor: uma camisa,
encharcava o papel no cimo e no baixo da escrita,
e no imo,
e a toalha se me enxugasse a cara,
e o lençol onde me dormira o corpo,
fazia noite funda,
a linha fugitiva,
que sua a tornasse alguém, algures, um dia,
traçada, lida, aguda,
no lenço, na toalha, no lençol, ou melhor: na camisa alta e redonda,
alta e fremente:
carne confusa, rosa esquerda
oh glória da ínvia linha única!
como um lenço, ou melhor: uma camisa,
encharcava o papel no cimo e no baixo da escrita,
e no imo,
e a toalha se me enxugasse a cara,
e o lençol onde me dormira o corpo,
fazia noite funda,
a linha fugitiva,
que sua a tornasse alguém, algures, um dia,
traçada, lida, aguda,
no lenço, na toalha, no lençol, ou melhor: na camisa alta e redonda,
alta e fremente:
carne confusa, rosa esquerda
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