Carta ao Pai

eu e meu pai temos em comum o gosto pelas fortalezas afirmativas
a certeza incontornável que se dá num átimo
de enorme poder concentracionário
o que significa que eu e meu pai temos em comum (uma farmácia)
o que significa que o meu pai
essa semana quer o uísque mais caro e reina sobre esta terra
e na semana que vem quer o projétil mais caro para
mirar delicadamente no epicentro da cabeça
o meu pai não sabe que o corpo é iniludível o corpo
tem sempre razão e, portanto, não se preocupe, pai
quando estivermos atônitos em queda livre
ou atados à areia bruta que mora
no fundo do buraco negro ou de algum outro
acidente cósmico muito denso e oclusivo
embalado a vácuo poço sem fundo e apneia originária
quando de repente pensarmos: “daqui não há
homem que se levante”, não se preocupe
– é aí que mora a linguagem
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Comentários (11)

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Ana Paula Tobias
Ana Paula Tobias
2025-10-04

O texto está com a autoria equivocada (ou seria plágio na cara dura), esse texto é da baiana e professora da UEFS Alice Vieira Barros!! Se a plataforma preza pela seriedade das publicações, esse erro precisa ser corrigido logo!

Autoria errada ou é plágio mesmo?
Autoria errada ou é plágio mesmo?
2025-10-03

O texto acima é de Alice Vieira Barros, da Bahia. Inclusive foi minha aluna no ensino fundamental. Vamos corrigir @escritas.org

Daniely
Daniely
2025-10-03

O nome da escritora encontra-se equivocado!!

Jhully
Jhully
2025-10-03

Nome da escritora está errado!!!

Larissa Lagos
Larissa Lagos
2025-10-03

A autoria está errada!!!! Como dito abaixo são poemas da professora Alice da UFES, Bahia!