Um poeta
Mário-Henrique Leiria
Um poeta
cara amiga
é como uma noite escura
com olheiras
Tem cuidado querida
tem cuidado quando abrires a janela
olha que os poetas
como certos pássaros e mosquitos
entram logo por ela
aos bandos aos molhos
às mãos cheias
como uma recordação de infância
como um sinal de perigo
em curva deslizante
Olha querida
o melhor será não fazeres isso
tranca-te bem fecha-te à chave
respira numa bolha
que te isole
vê bem
protege a tua paz o teu sossego
Um poeta
não é coisa aceitável
é obviamente como já se sabe
uma catástrofe tão arrepelante
que até pode
que tragédia minha querida
fazer cair dignidades
comprometer consciências repousantes
envenenar a água tão solenemente calma
da paz quotidiana
um desastre irreparável
Mas olha amiga minha
ai que desgosto
terás p’ra toda a vida
que saudade desesperante
de não teres encontrado um dia algum
Mas antes isso
do que vê-los
… isso nunca…
cara amiga
é como uma noite escura
com olheiras
Tem cuidado querida
tem cuidado quando abrires a janela
olha que os poetas
como certos pássaros e mosquitos
entram logo por ela
aos bandos aos molhos
às mãos cheias
como uma recordação de infância
como um sinal de perigo
em curva deslizante
Olha querida
o melhor será não fazeres isso
tranca-te bem fecha-te à chave
respira numa bolha
que te isole
vê bem
protege a tua paz o teu sossego
Um poeta
não é coisa aceitável
é obviamente como já se sabe
uma catástrofe tão arrepelante
que até pode
que tragédia minha querida
fazer cair dignidades
comprometer consciências repousantes
envenenar a água tão solenemente calma
da paz quotidiana
um desastre irreparável
Mas olha amiga minha
ai que desgosto
terás p’ra toda a vida
que saudade desesperante
de não teres encontrado um dia algum
Mas antes isso
do que vê-los
… isso nunca…
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